2026 tem sido o ano em que reentrei no mundo da manga. Tenho alternado títulos icónicos com histórias mais obscuras e que oferecem uma experiência distinta. A mais recente escolha é da autoria de Tatsuki Fujimoto, que é igualmente o responsável pela ilustração.
O protagonista é Yuta Ito, que recebe um telemóvel no seu aniversário. A alegria rapidamente é transformada em mágoa, ao saber que a sua mãe tem uma doença terminal e que, na realidade, lhe ofereceu o equipamento para que possa documentar os seus dias finais.
Yuta acede ao pedido e apresenta o resultado final na sua escola, num formato de documentário. O final não agrada à maioria (sem spoilers), originando uma onda de indignação e ostracização, com o inevitável bullying.
Numa das cenas seguintes, somos inseridos numa espécie de monólogo, em que o protagonista decide cometer suicídio, ao saltar do terraço do hospital onde a sua mãe faleceu. É nessa altura que uma jovem, de nome Eri, intervém e convence Yuta a realizar um novo filme.
Ao longo da narrativa, vamos acompanhando a evolução da relação entre ambos. Ito vai introduzindo elementos sobrenaturais na narrativa, mais especificamente o conceito de que Era é uma vampira, por motivos que vão compreender na parte final.
A narrativa avança para uma fase em que Ito é um adulto. Após novos eventos traumáticos, o suicídio parece ser a solução mas eis que Eri volta a aparecer, operando uma nova mudança no seu estado psicológico.
A manga termina com a mesma sequência que Ito utilizou para o final do documentário da sua mãe, convertendo esta experiência numa reflexão acerca da mente humana e da forma como lidamos com a perda. Apesar de ser uma leitura mais densa, este é, sem dúvida, uma manga que recomendo sem hesitação.