Sobre Hugo Cardoso

Membro da fantástica colheita de 1978. Utilizador de . Adepto do SLB, LA Lakers e Colorado Avalanche. Entusiasta de Retro Gaming, Cinema e BD. Colecionador de Estátuas na escala 1/6. Fã #1 de Muttley, o podengo.

Away T.1

Um dos projetos mais interessantes da Netflix narra as aventuras da missão Atlas, que irá colocar pela primeira vez a Humanidade no Planeta Marte. Apesar da premissa de ficção científica, Away é um drama, que se foca no isolamento da tripulação e respetivas famílias, assim como na desconfiança entre quatro cosmonautas de países distintos, com crenças e ideologias completamente opostas.

Os primeiros episódios, como seria de esperar, introduzem as personagens principais, com foco nas suas motivações e receios. O caminho seguido mostra pormenorizadamente a ansiedade dos familiares que permanecem na Terra, assim como o quotidiano da Atlas, que irá passar por muitas dificuldades ao longo da sua viagem até ao planeta vermelho.

Lentamente, vamos assistindo a mudanças drásticas em várias personagens e vamos conhecendo em pormenor a histórica da tripulação, o que cria um elevado nível de empatia. Aliás, diria que este é o ponto mais forte desta série, que lamentavelmente tem apenas uma temporada. Sem colocar spoilers, convido-vos a investir tempo em Away, que nos apresenta um princípio, meio e fim da missão até Marte.

Este é,  na minha opinião, um dos projetos mais competentes da Netflix, com um elenco de qualidade, em que se destaca Hillary Swank, Mark Ivanir e Josh Charles. Segundo consta, o elevado custo por episódio foi a justificação para o cancelamento da segunda temporada, que teria uma premissa muito interessante.

Fica no entanto a minha recomendação, sobretudo se procuram uma narrativa focada no medo do desconhecido e na forma como lidamos com o peso da responsabilidade e das expectativas criadas.

Star Trek: Lower Decks T.1

O universo Star Trek continua em expansão, com a apresentação de Lower Decks, uma série de animação que acompanha as aventuras de quatro elementos da tripulação, no ano de 2380. A narrativa assenta na perspectiva quotidiana de quem trabalha nos níveis inferiores, sem acesso a informação privilegiada acerca das missões e com tarefas secundárias, embora fundamentais para o bom funcionamento da nave.

Desta feita, a escolha recaiu na USS Cerritos, sob o comando da Capitã  Freeman, que tem uma abordagem invulgar relativamente a Beckett Marine, por motivos que irão sendo desvendados ao longo da temporada. Os restantes elementos são Brad Boimler, um humano que aspira chegar a capitão, Sam Rutherford, outro humano que tenta adaptar-se ao implante cyborg e D’Vana Tendi, da raça Orion, que está (demasiado) entusiasmada com a sua entrada na Starfleet.

A série tem uma componente cómica elevada, com referências constantes ás restantes séries de Star Trek e conta com participações especiais de William Rikker, Deanna Troi e Q. Outro ponto de destaque é o elevado nível do casting realizado, que conta com a voz de Jack Quaid, Jerry O´Connell, Fred Tatasciore, Eugene Cordero e Tawny Newsome, para citar os mais relevantes.

Pessoalmente, gostei desta primeira temporada, embora reconheça que está longe de ser consensual, sobretudo para os fãs mais hardcore. O facto de fazer parte da continuidade do universo Star Trek, aliado à  elevada componente cómica, torna esta série numa viagem divertida, mas que pode ser considerada uma sátira para com a obra de Gene Roddenberry .

Para terminar, partilho o trailer e convido-vos a assistir aos dez primeiros episódios. A segunda temporada deverá ser disponibilizada ainda este ano via Amazon Prime.

The Boys T.1

Baseado nos comics da autoria de Garth Ennis e Darick Robertson, vamos acompanhar uma realidade em que os super-heróis cedem aos vícios e necessidades mais básicos da Humanidade. A Vought International é o conglomerado financeiro, responsável pela gestão de imagem e dos serviços destes heróis pelo território americano.

É sem dúvida uma visão cínica da sociedade, procurando explorar o conceito de que o poder corrompe. A premissa inicial da narrativa passa pela responsabilização das ações destes super-heróis, que são venerados pelo status quo. Hugh Campbell é um jovem cuja namorada é acidentalmente assassinada por A-Train, um dos membros dos The Seven, claramente inspirado na Justice League, da DC.

Incapaz de lidar com a sua perda, Hugh acaba por conhecer Billy Butcher, um membro da CIA, que o recruta para a sua equipa, no sentido de iniciar uma investigação para expor a verdade acerca dos super-heróis e da Vought. Ao longo dos primeiros episódios, vamos conhecer os restantes membros da equipa (The Boys), mais especificamente Mother’s Milk e Frenchie.

A sub-narrativa apresenta-nos os restantes membros dos Seven: Translucent, The Deep, Queen Maeve, Black Noir e Homelander, o líder. Lentamente, vamos compreendo as escolhas morais dúbias e o abuso de poder da equipa, que acaba por receber um novo membro, Starlight, que se irá converter no interesse amoroso de Hugh Campbell.

Sem entrar em grandes detalhes, posso igualmente adiantar que existem manobras de bastidores no sentido de que as Forças Armadas contratem os serviços da Vought, para que os seus super-heróis possam ser utilizados como armas. Essa investigação vai permitir aos The Boys entrar em contacto com Kimiko, uma jovem asiática que tem super-poderes e que pode ser a chave para anular os planos da Vought.

O humor negro acaba por ser uma constante nesta primeira temporada, que explora temas como as drogas, a religião e as escolhas sexuais, ao longo de oito episódios de elevada qualidade. Eric Kripke é o responsável pela adaptação da série e faz um trabalho muito competente, numa série que recomendo vivamente a todos os leitores. A segunda temporada estará disponível na Amazon Video, em Julho de 2020, embora possam existir atrasos, face á situação global de pandemia.