The Great Flood

Gu An-na é uma engenheira de software que se dedica ao desenvolvimento de inteligência artificial. O seu marido faleceu recentemente num acidente de viação, o que a leva a focar-se no seu trabalho e em Shin Ja-in, o seu filho de seis anos.

O primeiro acto introduz um mundo à beira do colapso, em que a população vive em complexos de apartamentos bastante altos, de forma a evitar as inundações que fustigam a área. Lentamente, vamos obtendo pequenos detalhes, que nos permitem formar o puzzle e compreender exactamente a situação.

Sem revelar pormenores, adianto que An-na vai ter de lutar pela sobrevivência, dado que o prédio vai ser violentamente afectado por uma onda. O Darwin Center envia Son Hee-jo para a resgatar, dado que o seu trabalho é fundamental para garantir a sobrevivência da raça humana, por motivos que não vou revelar.

A premissa de The Great Flood é muito interessante, mas confesso ter ficado desiludido com o facto de terem revelado demasiado cedo o que está efetivamente a acontecer. Diria que estamos perante uma simbiose entre um drama e um disaster movie, em que os protagonistas tentam desesperadamente encontrar uma saída para algo que aparenta ser insuperável.

As interpretações são competentes e a narrativa é fluida, convertendo este filme numa experiência agradável. Parece-me ser relevante salientar que moderem a vossa expectativa, até porque o desfecho deixa em aberto a possibilidade de uma sequela.

Caso estejam interessados, podem assistir em território nacional através da Netflix.

Mediano
64%

Thrash

O mais recente “fenómeno” da Netflix é essencialmente uma luta pela sobrevivência, em que acompanhamos três histórias paralelas.

O estado da Carolina do Norte vai ser afectado por uma gigantesca tempestade, que atinge a categoria 5, convertendo-se num furacão. A pequena cidade de Annieville está na rota de colisão com este gigantesco evento da Natureza, o que leva a uma ordem de evacuação para os residentes.

Esta é a premissa original de Thrash, que nos introduz de seguida as personagens principais desta aventura: Lisa, uma jovem grávida que é apanhada pela tempestade quando tenta abandonar Annieville, Dakota, que aparenta sofrer de agorafobia, o Dr Dale Edwards, um biólogo marinho que é tio de Dakota e Dee, Ron e Will, três jovens que estão numa família de acolhimento.

Sem revelar spoilers, vamos acompanhara sequência de eventos que levam à destruição do dique e ao vazamento de um camião de desperdício animal, que vai transformar as águas da cidade num viveiro de tubarões de cabeça chata.

A narrativa é bastante simples e Thrash, apesar de ser uma produção low budget, consegue criar um ambiente de ansiedade e angústia, que gera empatia para com o destino destas personagens. Na minha opinião, o ponto mais polémico será a abordagem do terceiro acto, que segue na direção de um Sharnado, com algumas cenas completamente ridículas e que destoam do rumo traçado inicialmente.

No entanto, considero que este é um filme em que vale investir 86 minutos. Sugiro que entrem com expectativas baixas, dado que não existem interpretações deslumbrantes ou efeitos especiais épicos. Mas na sua essência, Thrash cumpre a função de entretenimento, abrindo espaço para uma potencial sequela, que até ao momento, não está confirmada.

Mediano
60%

Eternauta T.1

Baseado na obra de Hector Oesterheld e Francisco Lopez, vamos acompanhar, ao longo de seis episódios, as aventuras de Juan Salvo, um ex-militar que sofre de stress pós-traumático.

A narrativa decorre em Buenos Aires, numa noite igual a tantas outras, em que subitamente começa a nevar. No entanto, quem é tocado pelos flocos, tem morte imediata, escalando rapidamente para um cenário caótico e de medo. Juan, encontra-se na residência dos Favalli e, em conjunto com Alfredo, Omar e Lucas, vão iniciar uma luta pela sobrevivência.

A primeira metade da temporada explora a componente psicológica e o instinto humano de sobrevivência, oferecendo pequenas dicas sobre o que poderá estar a ocorrer. Tano Favalli obtém confirmação que os polos magnéticos estão a inverter e, a meio da temporada, somos confrontados com a explicação para as estranhas luzes no céu.

Como é apanagio, estou a evitar detalhes que possam revelar a narrativa, mas recomendo Eternauta, para quem aprecia uma boa história de aventura. Estamos perante uma produção argentina, com um orçamento limitado, mas que consegue proporcionar uma experiência francamente positiva, assente em personagens cativantes e com as quais nos podemos identificar.

A segunda temporada já se encontra confirmada, embora ainda não tenha data de lançamento anunciada. Fica no entanto a minha recomendação para esta inesperada série, que se encontra disponível via Netflix.