A década de 80 introduziu alguns dos comics mais icónicos da história, destacando-se títulos como Days of Future Past, The Watchmen, Swamp Thing, The Dark Knight Returns e The Killing Joke.
Em 1989, Neil Gaiman lançou uma série, em que o protagonista é Lord Morpheus, mais conhecido como The Sandman. O conceito inovador, centrado no mundo dos sonhos e complementado com mitologia e criaturas antropomórficas elevou a narrativa a um lugar de destaque, convertendo este projeto num sucesso, que manteve o estatuto de obra prima ao longo dos anos.
A premissa assenta numa raça denominada como The Endless, dos quais fazem parte Dream, Destiny, Death, Desire, Despair, Delirium (ou Delight) e Destruction (também conhecido por The Prodigal). A sua missão é servir a Humanidade, embora exista uma agenda oculta, que iremos descobrindo ao longo dos 75 capítulos que compõem a obra de Neil Gaiman.
A Netflix é a responsável pela adaptação, que tem o cunho pessoal do autor e é produzida pela Warner Bros e DC. Ao longo de dez episódios vamos acompanhar a odisseia de Lord Morpheus, que se vê aprisionado pelo aristocrata britânico Roderick Burgess, em 1915. Curiosamente, a sua intenção original passava por encarcerar a Morte, no sentido de ressuscitar o seu filho, que faleceu durante a Primeira Grande Guerra Mundial. No entanto, o poder proveniente do elmo, rubi e areia de Morpheus acaba por servir o seu intuito, conferindo-lhe fortuna e glória, para além de uma longevidade invulgar para o ser humano.
A derradeira traição ocorre por parte da sua amante, que rouba os três items, desaparecendo sem qualquer rasto. Morpheus permanece aprisionado até 2021, altura em que consegue finalmente libertar-se e iniciar a sua missão de recuperar a sua fonte de poder e salvar o reino dos Sonhos, normalmente designado por Dreaming. A parte mais interessante é sem dúvida a evolução desta entidade, que aprende da pior forma que tudo muda, mesmo para um membro dos The Endless.
A sua bússola moral é Lucienne, a bibliotecária do Dreaming que é fundamental na preservação do reino e contribui para a evolução que vamos assistido na conduta de Lord Morpheus. A introdução de Matthew, The Raven, Johanna Constantine. John Dee e o enigmático Corinthian conferem a esta série uma profundidade narrativa impressionante, que vai sendo complementada com a presença de alguns Endless, com destaque para Death e Desire.
A progressão da história é constante, atingindo o apogeu com o aparecimento de Unity Kinkaid e Rose Walker, que representam um vortex capaz de destruir a barreira existente entre o mundo Real e o dos Sonhos. Tenho igualmente de destacar o episódio seis, em que vamos conhecer a história de Hob Gadling e o episódio 11, que é essencialmente um bónus com duas mini-histórias, que não estão relacionadas com a narrativa principal.
Esta é sem dúvida uma adaptação fabulosa da obra de Neil Gaiman, com um elenco incrível (Tom Sturridge, Boyd Holbrook, Patton Oswalt, Vivienne Acheampong, Jenna Coleman, Gwendoline Christie, David Thewlis) e que recomendo sem hesitação. Diria que, em conjunto com Watchmen, são as duas melhores séries provenientes do universo DC.
Apesar do sucesso, está por confirmar a possibilidade de uma segunda temporada, algo que seria francamente interessante para continuarmos a acompanhar a saga de The Sandman.