O Apagão

O dia 28 de abril de 2025 fica marcado na História como a data em que um “misterioso” apagão atingiu a totalidade da Península Ibérica, assim como outros países da Europa. As causas estão ainda por apurar, apesar da especulação em redor de ataque informático, evento atmosférico raro ou até um “simples” colapso inexplicável da rede eléctrica.

Eram 11 horas e 33 minutos quando o evento ocorreu. Minutos mais tarde, cheguei à estação de metro e fui confrontado com a falha. Encolhi os ombros e resolvi dirigir-me para a paragem de autocarro, no sentido de poder deslocar-me para o trabalho. Enquanto aguardava, recebo uma mensagem a informar que em minha casa a electricidade foi abaixo. Uns minutos mais tarde, um novo alerta, agora do Algarve, em que o cenário era idêntico. Rapidamente, acedo ao meu telemóvel e começam a circular notícias de que estaria a afectar Portugal, Espanha e possivelmente mais países.

Nesta fase, o cenário começa a tornar-se mais preocupante mas mantenho a decisão de seguir para o trabalho. Acabo por conseguir chegar por volta das 12:40 e o gerador encontrava-se operacional. Ao fim de pouco tempo, torna-se evidente a gravidade e demora na resolução, pelo que recebemos indicações para regressar a casa e regressar no dia seguinte, caso a electricidade já tenha sido restabelecida.

Aproveito para almoçar na cantina e inicio o meu trajeto para casa. Conforme esperado, os transportes públicos estão sobrelotados mas, de forma calma opto por circular a pé, numa Lisboa diferente do habitual. Denoto alguma apreensão com a demora na circulação mas a maioria das pessoas aproveita o sol e faz algumas piadas com a situação. Após três horas consigo chegar ao meu destino, bem disposto, embora algo cansado, após uma longa caminhada.

Desde as 14 horas que a rede móvel e de dados se encontra indisponível, mas ao chegar a casa, opto por desanuviar, iniciando uma caminhada com a família. A maioria dos vizinhos estão na rua, passeando os cães, tal como eu, e aproveitando um final de tarde bem soalheiro. Confesso que este cenário me transportou para tempos da minha infância, em que a vida era simples e sem preocupações de maior. No entanto, a curiosidade persistia, nomeadamente no que diz respeito à causa e prazos de restabelecimento de serviço.

Após este passeio, jantámos e liguei as diversas luzes com bateria que tenho por casa. Ligámos o rádio de um telemóvel antigo e fomos obtendo informação adicional, o que nos tranquilizou. Foi nessa altura que optei por ligar o meu Anbernic RG35XX Plus e iniciar o Alentejo: Tinto’s Law, um jogo que adquiri recentemente e sobre o qual irei falar num artigo futuro.

Por volta das 23:30, a electricidade foi restabelecida na minha zona e a normalidade foi restabelecida. Este é obviamente o meu relato sobre o evento, mas existem considerações interessantes a retirar desta experiência. O apagão afectou a rede eléctrica europeia, com impacto em vários países, sendo os mais afectados Portugal, Espanha e o Sul de França. Esta ocorrência expôs, de forma brutal, as fragilidades da rede, a incapacidade de resposta do SIRESP e as deficiências evidentes de comunicação por parte da Proteção Civil.

Como em tudo na vida, é fundamental aprender com os erros e espero que estas entidades tenham a capacidade de melhorar consideravelmente a sua capacidade de resposta para o futuro. Dito isto, espero que a população em geral também tenha aprendido uma lição, evitando a corrida desenfreada ao papel higiênico e água.

O dia 28 de abril fica marcado na nossa memória e vai certamente garantir uma gargalhadas, mas poderia ter atingido proporções graves, caso estas condições se mantivessem por mais horas. No entanto, gostaria de terminar com uma nota positiva, pelo que deixo um agradecimento aos profissionais de saúde e a todos aqueles que, em tempo quase record, conseguiram restabelecer a rede eléctrica.

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Hugo Cardoso

Criador / Fundador do Portal Pessoal
Membro da fantástica colheita de 1978. Utilizador de . Adepto do SLB, LA Lakers e Colorado Avalanche. Entusiasta de Retro Gaming, Cinema e BD. Colecionador de Estátuas na escala 1/6. Fã #1 de Muttley, o podengo.

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Acerca de Hugo Cardoso

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