O formato digital veio para ficar?

Tive o privilégio de nascer em 1978, numa era em que a ditadura já tinha terminado. Fui uma criança na década de 80 e as memórias mais marcantes foram os clubes de vídeo, o ZX Spectrum e a abertura cultural de Portugal ao mundo. Paralelamente, fui exposto a uma Famicon, proveniente de Macau e a um Phillips MSX, o que me abriu os horizontes e alimentou a minha paixão por videojogos.

Seguiu-se a década de 90 como adolescente, com a compra da minha primeira consola (Mega Drive) e, mais tarde, a introdução do mundo do PC. Pelo meio, a minha paixão pela música levou-me na direção do grunge e para os Smashing Pumpkins, para além dos clássicos Sisters of Mercy, Dire Straits e Pink Floyd.

Os 18 anos introduziram-me ao mercado de trabalho, garantindo a aquisição da primeira Playstation e promovendo a tradição de visitar regularmente a feira da Ladra, onde adquiri vários modelos de Gameboy.

Esta longa introdução serve para contextualizar a minha ligacáo aos videojogos. Se nos tempos áureos de Spectrum a minha coleção superava os 300 jogos, a realidade foi bem diferente com as consolas, o que ajudou a valorizar os poucos títulos que conseguia adquirir.

Quando celebrei os meus 26 anos, adquiri uma PS2 e fui acumulando algumas consolas, tais como a Wii, Xbox 360, Nintendo DS e NES, com uma biblioteca em crescimento constante.

Quem acompanha este espaço sabe que acabei por tomar a decisão de vender este espólio de consolas e handhelds, para me focar em construir uma biblioteca curta, que se focou inicialmente na Xbox One e mais tarde, na Nintendo Switch.

E assim chegamos a este momento, em que tenho um backlog considerável, repleto de jogos incríveis e que me garantem anos de diversão. Vivemos uma era em que o foco está constantemente no que vem a seguir, o que, na minha opinião, nos impede de maximizar a experiência. A ideia para este artigo surge precisamente em seguimento do lançamento da pré-reserva para o GTA 6. Sou completamente contra esta tendência do digital, dado que impede a preservação dos videojogos, mas compreendo que caminhamos a passos largos para este cenário.

Esta abordagem de “you will own nothing and like it” não é para mim, mas há que respeitar. A minha decisão é simples: aproveitar a biblioteca atual, adicionar alguns títulos (físicos) que me possam interessar, limitado a um máximo de três jogos por ano.

Não tenho planos de comprar consolas a curto ou médio prazo, pelos motivos acima mencionados. E no que diz respeito a entretenimento, tenho uma longa lista de videojogos, filmes, séries e livros para descobrir e revisitar.

Em suma, podem contar com muito conteúdo durante os próximos anos de vida deste espaço, com a recorrência que tem sido habitual. Para terminar, fica o desafio de partilharem a vossa opinião acerca do formato fisico vs digital.

Comentar

Este blog utiliza o Akismet para reduzir o spam. Saiba como os dados são processados.