Temos apresentado selecções de elevado nível nos últimos anos, embora sem resultados dignos de assinalar. Por esse motivo, as escolhas de Fernando Santos não me inspiraram particular confiança, pelos motivos que descrevi no artigo em questão.
Ficámos inseridos num grupo acessível, mas que nos causou muitas dificuldades, resultando em três empates, com exibições muito pouco convincentes. O futebol apresentado era defensivo e muito dependente de iniciativas individuais dos jogadores mais criativos, o que não antevia nada de positivo para o embate com a Croácia.
A realidade é que ultrapassámos os croatas, os polacos e os galeses, atingindo a final de Paris, frente à anfitriã França. E foi nessa altura que a selecção escreveu a sua página mais importante até à data. Num jogo épico, sofremos uma pressão asfixiante durante 70 minutos, perdemos CR7 ainda na primeira meia hora e sofremos um remate ao poste nos descontos do tempo regulamentar. A entrada de Éder para o lugar de Renato Sanches revela-se decisiva, com um golo aos 109 minutos, num remate fantástica a mais de 20 metros da baliza.
Portugal sagra-se campeão europeu, pela primeira vez, com o futebol menos atractivo dos últimos 20 anos. Fernando Santos foi o grande mentor de algo em que poucos acreditaram mas merece todo o meu respeito. Enquanto equipa, fomos quase perfeitos, mas parece-me justo destacar Raphael Guerreiro, Rui Patrício, Pepe e Renato Sanches, que foram absolutamente decisivos em determinados jogos.
A recepção foi apoteótica e merecida para esta selecção. No entanto, continuo a acreditar que podemos jogar mais e melhor, sobretudo com a enorme qualidade nos jovens que estão a despontar nos clubes portugueses. Dito isto, força Portugal e obrigado por este título inesquecível.
Hugo Cardoso
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