Alex Ross é uma figura incontornável da BD, com trabalhos lendários na Marvel e DC. O artigo de hoje é dedicado a Kingdom Come, que na minha opinião é a sua obra mais icónica. Estamos perante uma narrativa Elseworld, focado num universo alternativo, em que os super-heróis foram substituídos por uma nova geração de vigilantes, com poderes meta-humanos.
Magog é o expoente máximo desta nova vaga, que não tem pudor em assassinar Joker, pelos crimes cometidos num ataque que originou a morte de Lois Lane e inúmeros outros jornalistas do Daily Planet. A narração fica a cargo de Norman McCay, um pastor que recebe visões apocalípticas do futuro e que será a testemunha de The Spectre.
Lentamente, vamos sendo apresentados à série de eventos que originaram o desaparecimento de Super-Homem. Ficamos a saber que um ataque liderado por Magog corre terrivelmente mal, originando a morte de Captain Atom, com a consequente contaminação nuclear de uma boa parte das colheitas do EUA.
Wonder Woman consegue convencer Clark a regressar ao activo na Justice League, com o intuito de doutrinar e inserir valores morais nesta nova geração de heróis. A tentativa de recrutar Batman corre terrivelmente mal, dado que existe claramente um ressentimento de Bruce, que tenta convencer Clark da necessita de utilizar uma estratégia, em detrimento da força.
Após a visita de Super-Homem, o Dark Knight opta por reactivar a sua rede de agentes, que são conhecidos por The Outsiders. Este grupo consiste em heróis de segunda e terceira geração, contando com a liderança de Batman, Green Arrow e Blue Beetle.
Para tornar ainda mais complexa a narrativa, descobrimos igualmente que os vilões (Lex Luthor, Catwoman, The Riddler, Vandal Savage) criaram a Mankind Liberation Front, com o objetivo de inviabilizar que esta nova geração de meta-humanos lidere o Mundo.
Esta é a premissa principal de Kingdom Come, que vai explorar as ações da Justice League, que tentam educar a nova geração, recorrendo a táctica totalitaristas, que os colocam em conflito directo com Batman e os Outsiders. Inevitavelmente o derradeiro acto do livro vai levar a uma batalha entre estas três facções, que defendem ideias opostas, originando o evento apocalíptico que Norman McCay irá testemunhar, em conjunto com The Spectre.
Apesar de ser um título de 1996, vou evitar os spoilers mas recomendo vivamente a leitura de Kingdom Come. Para além da incrível arte de Alex Ross, a narrativa é envolvente, com lições morais relevantes e actuais, elevando este livro a um patamar de referência no universo da DC.
Hugo Cardoso
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