Sou um fã das séries britânicas, sobretudo as que estão direccionadas para a ficção científica, pelo que Primeval me pareceu uma escolha interessante. A premissa é simples e envolve o aparecimento de anomalias, que estão ligadas ao Passado, o que leva à criação de uma equipa liderada por Nick Cutter, que tem como missão explorar e identificar a causa do fenómeno. No fundo, as anomalias são portais temporais para tempos antigos, ou pelo menos assim o julgamos nas primeiras duas temporadas. A vilã é Helen Cutter, a ex-mulher de Nick, que se julgava morta há vários anos mas que se torna uma espécie de fundamentalista, disposta a tudo para acabar com a raça humana.
Se na primeira parte da temporada inicial os episódios são muito ao estilo monster of the week a segunda traz-nos o enredo e algumas alterações muito interessantes em termos de direcção. Começamos a ser confrontados com alterações no futuro, viagens no tempo e conspirações aos mais diversos níveis. Confesso que gostei bastante das duas primeiras temporadas mas Primeval padece de um mal que no meu entender condena a série ao insucesso: as constantes mudanças no elenco. E esta é altura em que faço o habitual aviso acerca dos spoilers.
Não faz qualquer sentido a morte de Stephen Hart e muito menos a de Nick Cutter, que eram claramente o núcleo duro da equipa. As temporadas seguintes mantêm Abby e Connor Temple mas nunca conseguem atingir os níveis de qualidade do início, o que é curioso tendo em conta que o orçamento é muito superior nas temporadas 3 a 5. Danny Quinn é uma adição interessante à equipa, sobretudo pela sua conduta pouco convencional e pelo meio, temos mais um desaparecimento (Sarah Page), desta vez sem que tenhamos sequer uma explicação. Pelo que consegui pesquisar, a série teve sempre muita dificuldade em ser renovada, o que afastou alguns actores do projecto e condiciona a qualidade do produto final.
Houve uma última tentativa com a introdução de Alexander Siddig (Dr. Bashir de DS9) e reconheço que a série evoluiu mas sem nunca deslumbrar. A temporada 5 tem apenas 6 episódios e termina totalmente em aberto, sendo pouco provável que exista continuidade, sobretudo se pensarmos que já passaram três anos. Em suma, Primeval poderia ter sido marcante, até porque combina vários conceitos de outras séries mas a constante mudança de actores e a dificuldade em renovar as temporadas leva a que seja uma série interessante mas que não posso recomendar.
Hugo Cardoso
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