Primeval – New World

Primeval – New World é um spinoff da série original da ITV, cuja acção se vai desenrolar nos Estados Unidos.  Há alguns meses atrás dei a minha opinião acerca de Primeval e lamentei o facto de não terem aproveitado o potencial da série, sobretudo pela dificuldade em garantir a continuidade das temporadas e com a constante saída de elementos importantes do elenco.

Nesta nova versão, existe uma tentativa inicial de ligar os eventos com a narrativa do original, que é rapidamente abandonado no segundo episódio e retomado no penúltimo. Evan Cross é um milionário americano, perito em desenvolver software para contratos militares, que vive angustiado com a morte da sua esposa. Rapidamente compreendemos que a mesma foi atacada por um dinossauro, resultante de uma anomalia, justificando a obsessão de Cross com o tema.  Utilizando os seus amplos recursos, vai criar uma equipa que tenta devolver as criaturas ao seu tempo e esta é essencialmente a premissa da série.

A escassez de ideias, a redundância do enredo (embora melhore para o final), os clichés  e sobretudo a inexistência de ligação entre muitos dos episódios na maioria dos casos, faz com que Primeval – New World seja apenas mais uma série que poucos recordarão no futuro. Sem surpresa, a segunda temporada foi cancelada e não estão previstas novas aventuras para a equipa composta por Cross, Dylan, Mac e Toby.

Primeval

Sou um fã das séries britânicas, sobretudo as que estão direccionadas para a ficção científica, pelo que Primeval me pareceu uma escolha interessante. A premissa é simples e envolve o aparecimento de anomalias, que estão ligadas ao Passado, o que leva à criação de uma equipa liderada por Nick Cutter, que tem como missão explorar e identificar a causa do fenómeno. No fundo, as anomalias são portais temporais para tempos antigos, ou pelo menos assim o julgamos nas primeiras duas temporadas. A vilã é Helen Cutter, a ex-mulher de Nick, que se julgava morta há vários anos mas que se torna uma espécie de fundamentalista, disposta a tudo para acabar com a raça humana.

Se na primeira parte da temporada inicial os episódios são muito ao estilo monster of the week a segunda traz-nos o enredo e algumas alterações muito interessantes em termos de direcção. Começamos a ser confrontados com alterações no futuro, viagens no tempo e conspirações aos mais diversos níveis. Confesso que gostei bastante das duas primeiras temporadas mas Primeval padece de um mal que no meu entender condena a série ao insucesso: as constantes mudanças no elenco. E esta é altura em que faço o habitual aviso acerca dos spoilers.

Não faz qualquer sentido a morte de Stephen Hart e muito menos a de Nick Cutter, que eram claramente o núcleo duro da equipa. As temporadas seguintes mantêm Abby e Connor Temple mas nunca conseguem atingir os níveis de qualidade do início, o que é curioso tendo em conta que o orçamento é muito superior nas temporadas 3 a 5. Danny Quinn é uma adição interessante à equipa, sobretudo pela sua conduta pouco convencional e pelo meio, temos mais um desaparecimento (Sarah Page), desta vez sem que tenhamos sequer uma explicação. Pelo que consegui pesquisar, a série teve sempre muita dificuldade em ser renovada, o que afastou alguns actores do projecto e condiciona a qualidade do produto final.

Houve uma última tentativa com a introdução de Alexander Siddig (Dr. Bashir de DS9) e reconheço que a série evoluiu mas sem nunca deslumbrar. A temporada 5 tem apenas 6 episódios e termina totalmente em aberto, sendo pouco provável que exista continuidade, sobretudo se pensarmos que já passaram três anos. Em suma, Primeval poderia ter sido marcante, até porque combina vários conceitos de outras séries mas a constante mudança de actores e a dificuldade em renovar as temporadas leva a que seja uma série interessante mas que não posso recomendar.