Sobre Hugo Cardoso

Membro da fantástica colheita de 1978. Utilizador de . Adepto do SLB, LA Lakers e Colorado Avalanche. Entusiasta de Retro Gaming, Cinema e BD. Colecionador de Estátuas na escala 1/6. Fã #1 de Muttley, o podengo.

Suicide Squad 2

Confesso que a aventura original e Birds of Prey foram grandes desilusões, mas a realidade é que a adição de James Gunn ao projeto revitalizou o meu interesse. O primeiro acto apresenta-nos a nova Task Force X, que continua a ser liderada por Rick Flag e conta com BloodSport, Harley Quinn, Peacemaker, King Shark, Polka-Dot Man e Ratcatcher 2.

A narrativa decorre em Corto Maltese, para uma missão que visa destruir um edifício que alberga o obscuro projeto Starfish. Os momentos cómicos são recorrentes, complementados com ação frenética, bem ao estilo de James Gunn, que apostou forte em algumas personagens secundárias do universo DC.

A cena inicial na praia, com Savant, Captain Boomerang, Blackguard, TDK, Javelin e Mongal é absolutamente épica, com um desfecho que terá algumas ramificações no acto final. Quero igualmente destacar a participação da actriz portuguesa Daniela Belchior, que interpreta a personagem de Ratcatcher 2 , Sylvester Stallone, que dá a voz a King Shark e John Cena, que é fenomenal como Peacemaker.

Um dos vilões da narrativa é Gaius Grieves, mais conhecido como The Thinker, que lidera o projeto Starfish e será responsável por um dos maiores twists de Suicide Squad 2. Como é apanágio, os motivos reais de Amanda Waller são obscuros, o que vai colocar dilemas morais para esta equipa de vilões e anti-heróis. Gostei bastante do acto final, que contém a derradeira batalha com Starro the Conqueror e o exército de Colto Maltese.

Os efeitos especiais são muito competentes e a realização de James Gunn coloca este filme num patamar superior ao que esperava. Está longe de ser brilhante mas garante 132 minutos de pura diversão e lança algumas premissas interessantes para o futuro, dos quais destaco a série da HBO Max acerca de Peacemaker. Para terminar, recomendo que aguardem pelas duas cenas pós-créditos que estão disponíveis.

Mediano
72%

Neon Genesis Evangelion

Esta terá sido uma das franchises que mais contribuiu para o relançamento da indústria de anime, na segunda metade da década de 90. A premissa em termos de enredo coloca-nos quinze anos após um evento cataclísmico, denominado como “Second Impact”. A cidade de Tokyo-3 alberga a Nerv, uma força paramilitar, sob a alçada (aparente) das Nações Unidas e que é responsável pela defesa da Humanidade.

O seu diretor é Gendo Ikari, que tem (claramente) uma agenda oculta que será revelada ao longo dos 26 episódios. O seu filho, Shinji Ikari, converte-se no piloto do Evangelion Unit-01, após uma série inesperada de eventos, que culmina com o ataque de um Angel. À primeira vista, podemos considerar que os EVA e os Angels são essencialmente mechs, mas lentamente, vai sendo desconstruído esse conceito.

Os Evangelion combinam a componente biológica com a mecanizada, sincronizando-se com o sistema nervoso do piloto, para criar um escudo de forças, que os protegem dos ataques. No que diz respeito aos Angels, o funcionamento é distinto, dado que não requerem a existência de um piloto. O humor é uma constante, sobretudo devido à inaptidão social de Shinji, Rei Ayanami e Asuka, que continuam a ter os problemas inerentes à sua idade, apesar das responsabilidades acrescidas.

Esta é uma série intensa, com uma narrativa que integra conceitos comuns à religião cristã, judaica e até xintoísta. Nem tudo é  linear e várias das escolhas colocam em causa as crenças e os princípios das personagens. Os últimos episódios expõem as verdadeiras intenções de Gendo Ikari, assim como da SEELE, a organização secreta que controla os destinos do projeto Evangelion.

Estou deliberadamente a ocultar vários pormenores da narrativa, que considero relevantes, no sentido de maximizar a experiência de quem nunca teve oportunidade de conhecer este universo. Conforme referi, não é para todos, sobretudo devido ás questões metafísicas e religiosas inerentes, sem esquecer alguns momentos politicamente incorrectos que vão ocorrendo ao longo da narrativa.

Caso pretendam seguir esta sugestão, recomendo o Netflix, que alberga no seu catálogo a série original, assim como os filmes The End of Evangelion e Evangelion Death (True)2, que são basicamente finais alternativos para a saga de Shinki, Rei e Asuka.

Mortal Engines

Em 2009, Peter Jackson adquiriu os direitos para adaptar a obra de Philip Reeve ao cinema. Oito anos mais tarde, surge Mortal Engines, uma co-produção americana e neozelandesa que nos leva mil anos para o futuro, num futuro steampuk que ocorre após os eventos da Guerra dos Sessenta Minutos.

A civilização ocidental passou a aglomerar-se em Traction Cities, gigantescas cidades que conseguem mover-se pelo chão, a grande velocidade. No primeiro acto, vamos conhecer Hester Shaw, uma fugitiva com uma estranha cicatriz na sua face e Tom Natsworthy, um aprendiz do museu da Cidade de Londres, que se veem envolvidos numa conspiração que visa a destruição da muralha da China.

O vilão é Thaddeus Valentine, um arqueólogo que procura replicar tecnologia antiga, na tentativa de construir uma bomba quântica, a arma responsável pela Guerra dos Sessenta Minutos e que mudou a civilização como a conhecemos. Conforme mencionei, o ambiente é muito steampunk e o conceito no geral, é extremamente interessante, mas falha na componente das personagens e do próprio ritmo. São raros os momentos em que sentimos alguma preocupação para com o bem estar de Tom e Hester, que tem uma história de origem terrivelmente previsível e que pouco acrescenta à narrativa.

Os pontos mais altos são a interpretação de Hugo Weaving e a personagem de Anna Fang, uma fora da lei que é responsável pela defesa da Muralha Chinesa. O segundo acto, que acompanha a viagem dos nossos heróis é bastante fraco, valendo apenas pela introdução da personagem de Shrike, que tinha potencial para ser um antagonista relevante mas que acaba por ser terrivelmente mal aproveitado.

O acto final apresenta a batalha final, que opõe a cidade de Londres e a Muralha da China, mais conhecida por Shield Wall. As cenas de ação estão bem conseguidas e sinceramente, esta acaba por ser a parte mais interessante do filme, que falha redondamente na sua tentativa de criar um universo aliciante, que sustentasse o lançamento de dois filmes adicionais, para completar a saga. Previsivelmente, o filme foi um insucesso nas bilheteiras, o que inviabilizou a continuidade do projeto.

Mediano
66%