Mortal Kombat 2

Cinco anos após o título original, vamos regressar a Outworld. O primeiro acto introduz Shao Kahn e a história de origem da Princesa Kitana. Ficamos a conhecer o reino de Edenia, a Rainha Sindel e a dura realidade de perder o torneio em dez edições consecutivas.

No que diz respeito ao Earthrealm, os Deuses escolhem Johnny Cage, um actor que teve os seus dias de glória nos anos 90. Apesar da insistência de Raiden, Liu Kang, Jax Briggs e Cole Young, o mesmo recusa a participação, algo que se revela inconsequente, dado que é transportado para uma batalha com Kitana, que defende o reino de Outworld.

Vou evitar partilhar pormenores adicionais, mas teremos diversas baixas na equipa, que acaba por tentar um resgate desesperado, na tentativa de salvar a Terra. Por outro lado, o plano de Shao Kahn resulta, convertendo-o num ser imortal, o que diminui drasticamente as possibilidade de sucesso.

No segundo acto teremos o regresso de personagens do primeiro filme (sem spoilers) e a introdução de personagens como Baraka, Quan Chi e Jade. Honestamente, a narrativa é bastante previsível mas o fan service é assinalável, tendo alcançado um ligeiro lucro em termos de receitas de bilheteira. Mas, de acordo com os rumores, teremos efetivamente um terceiro filme, que deverá encerrar a saga de Mortal Kombat, pelo menos no futuro imediato.

Considero este filme inferior ao original, mas para os fãs do videojogo, diria que é quase uma opção incontornável e que garante entretenimento. Tendo em conta o seu orçamento, alguns dos efeitos especiais são questionáveis mas contribuem para a estética de um projecto que é essencialmente para cativar os fãs desta franquia.

Mediano
68%

Mortal Engines

Em 2009, Peter Jackson adquiriu os direitos para adaptar a obra de Philip Reeve ao cinema. Oito anos mais tarde, surge Mortal Engines, uma co-produção americana e neozelandesa que nos leva mil anos para o futuro, num futuro steampuk que ocorre após os eventos da Guerra dos Sessenta Minutos.

A civilização ocidental passou a aglomerar-se em Traction Cities, gigantescas cidades que conseguem mover-se pelo chão, a grande velocidade. No primeiro acto, vamos conhecer Hester Shaw, uma fugitiva com uma estranha cicatriz na sua face e Tom Natsworthy, um aprendiz do museu da Cidade de Londres, que se veem envolvidos numa conspiração que visa a destruição da muralha da China.

O vilão é Thaddeus Valentine, um arqueólogo que procura replicar tecnologia antiga, na tentativa de construir uma bomba quântica, a arma responsável pela Guerra dos Sessenta Minutos e que mudou a civilização como a conhecemos. Conforme mencionei, o ambiente é muito steampunk e o conceito no geral, é extremamente interessante, mas falha na componente das personagens e do próprio ritmo. São raros os momentos em que sentimos alguma preocupação para com o bem estar de Tom e Hester, que tem uma história de origem terrivelmente previsível e que pouco acrescenta à narrativa.

Os pontos mais altos são a interpretação de Hugo Weaving e a personagem de Anna Fang, uma fora da lei que é responsável pela defesa da Muralha Chinesa. O segundo acto, que acompanha a viagem dos nossos heróis é bastante fraco, valendo apenas pela introdução da personagem de Shrike, que tinha potencial para ser um antagonista relevante mas que acaba por ser terrivelmente mal aproveitado.

O acto final apresenta a batalha final, que opõe a cidade de Londres e a Muralha da China, mais conhecida por Shield Wall. As cenas de ação estão bem conseguidas e sinceramente, esta acaba por ser a parte mais interessante do filme, que falha redondamente na sua tentativa de criar um universo aliciante, que sustentasse o lançamento de dois filmes adicionais, para completar a saga. Previsivelmente, o filme foi um insucesso nas bilheteiras, o que inviabilizou a continuidade do projeto.

Mediano
66%

Mortal Kombat

A adaptação cinematográfica dos anos 90 resultou em dois filmes pouco memoráveis, coincidindo com a falência da Midway. Essa infeliz conjugação de eventos deixou a franchise num hiato, no que diz respeito à sétima arte, mas permitiu a sua consolidação no reino dos videojogos.

O ano passado foi lançado o filme de animação, Scorpion´s Revenge, que se revelou uma agradável surpresa, abrindo caminho para o projeto live action. É notória a convergência de ideias, sobretudo no que diz respeito à história de Hanzo Hasashi, que é assassinado por Bi-Han, do clã Lin Kuei.

O primeiro acto apresenta-nos as principais personagens da narrativa, separando claramente vilões e heróis. Contem por isso com os clássicos Rayden, Shang Tsung, Sonya Blade, Jax, Kung Lao, Mileena, Cabal, Kano e Goro, assim como a adição de Cole Young, que foi criado especificamente para este filme.

Vou evitar, como habitualmente, os spoilers, mas posso adiantar que há muito fan service e frases específicas dos jogos ao longo dos 110 minutos. A premissa é a habitual: a Terra (Earthrealm) perdeu 9 torneios consecutivos, estando à mercê da invasão de Shang Tsung caso some mais uma derrota. O Deus responsável pela Terra, Lord Rayden, vê-se forçado a recorrer a um improvável grupo de heróis, treinando-os para encontrar o seu poder oculto (arcana).

Vamos lentamente tomando conhecimento do lore de Mortal Kombat, com a explicação dos motivos que levam à escolha dos heróis para o torneio. Adicionalmente, vamos aprofundar a ligação de Cole a Hanzo Hasashi e acompanhar a forma como os diversos heróis vão superar os seus fantasmas e aprender a trabalhar em equipa, para travar os planos de escravidão da Humanidade.

As cenas de ação estão bem coreografadas e, no geral, o universo de Mortal Kombat é retratado de forma competente. Gostaria de ter visto mais detalhe acerca do NetherRealm mas, tendo em conta o desfecho, diria que teremos essa oportunidade numa sequela, algo que ainda está pendente de confirmação.

Para terminar, diria que este filme é claramente direcionado a fãs da franchise, apresentando uma visão interessante do universo. É curiosa a decisão da narrativa não ser focada no torneio, mas sim numa tentativa  de “batota” por parte de Shang Tsung. O filme não tem uma cena pós-créditos, mas faz uma alusão clara a uma das personagens mais icónicas de Mortal Kombat.

Mediano
72%