Locke & Key T.2

Após os eventos da primeira temporada, os Locke acreditam que a sua vida irá regressar à normalidade. Rapidamente chegamos à conclusão que Dodge não foi derrotada, tendo assumido a aparência de Gabe para aproximar-se de Kinsey. Ao longo dos episódios vão surgir novas chaves, que permitem adquirir força sobre-humana, aprisionar ecos e transformar humanos em demónios.

Erin e Duncan vão ter um papel relevante nesta segunda temporada, servindo de apoio na batalha com Gabe e Eden. Tomamos igualmente conhecimento que com a utilização de “whispering iron” é possível forjar novas chaves, algo que será relevante para o arco narrativo principal. Josh Bennett é outra personagem introduzida nesta temporada, um antepassado do Capitão Frederick Gideon, que tem ligações profundas à família Locke.

A Black Door volta a ser um elemento relevante e que será explorado em termos narrativos. Saliento igualmente que o tom desta temporada é mais dark, com perdas assinaláveis para os Locke, que irão moldar os eventos do derradeiro episódio, em que somos confrontados com vários “impasses narrativos”.

Conforme mencionei anteriormente, há uma maior participação de Erin, Duncan e Nina, com o consequente desenvolvimento de personagens. Gostei igualmente da ligação dos Locke com o Capitão Gideon, que sem colocar spoilers, será previsivelmente uma parte fundamental da próxima temporada, que deverá estrear no segundo semestre de 2023.

Em conclusão, considero que existe uma evolução positiva em termos narrativos, embora existam alguns momentos previsíveis. O duo de vilões composto por Gabe e Eden cumpre o seu papel, embora nem sempre façam sentido as suas motivações. No que diz respeito aos Locke, Bode é a personagem que perde mais relevância, algo que espero venha a ser retificado na terceira e derradeira temporada.

Locke & Key T.1

Baseado na obra de Joe Hill e Gabriel Rodriguez, Locke & Key conta-nos a história de uma família que tenta ultrapassar a perda de Rendell Locke, que foi assassinado por um dos seus alunos, Sam Lesser.

De forma subtil, vamos conhecendo os membros da família e a forma como escolheram lidar com a dor. Nina Locke, a mãe, resolve mudar-se de Seattle para Matheson, para recuperar a casa de família dos Locke e vender, para obter o lucro necessário para recomeçar noutro local.

Bode, o filho mais novo, vai explorar a mansão e começa a encontrar uma série de chaves, que aparentam ter propriedades mágicas. Para tornar a narrativa ainda mais interessante, surge uma mulher (Dodge) no poço da casa, que aparenta ter uma agenda própria no que diz respeito a estas chaves.

Bode explica aos seus irmãos, Tyler e Kinsey, a utilidade das chaves encontradas e mais tarde, também a sua mãe acaba por ter conhecimento. O facto mais curioso é que os adultos não conseguem manter qualquer lembrança sobre as chaves, por motivos que acabam por não ser revelados nesta primeira temporada.

Ao longo dos episódios seguintes, vão sendo encontradas mais chaves, com propriedades perigosas e Dodge consegue libertar-se do poço, ficando com a grande maioria dessas chaves para si. Com a ajuda da chave da mente e das lembranças, os jovens Locke conseguem criar contexto para os eventos do passado e decidem lutar contra esta estranha entidade, que pretende obter a Omega Key, que lhe permite abrir um portal para uma dimensão paralela, habitada por demónios.

Em termos de personagens, a narrativa está bem conseguida, com alguns momentos repletos de humor. Gostei francamente do grupo de fãs de Savini e a sua interação com Kinsey Locke, que será relevante para o desfecho da temporada. Adicionalmente, discordo de algumas decisões tomadas, mas vou manter este artigo livre de spoilers. No derradeiro episódio, ficamos num gigantesco impasse, como deve ser, que lança uma premissa interessante para os eventos futuros.