X-Men 97

Beau DeMayo é o responsável pelo regresso da mítica série de animaçáo dos X-Men, que emitiu o seu último episódio no longínquo ano de 1997.

O primeiro episódio ocorre um ano após a tentativa de assassinato do Professor Xavier e reintroduz Peter Gyrich na narrativa. A equipa de mutantes é composta por Jean Grey, Storm, Rogue, Wolverine, Jubilee, Morf, Beast e Gambit, ficando a liderança a cargo de Cyclops.

Lentamente, vamos sendo reintroduzidos ás Sentinelas, que continuam a ser controladas por Trask. Esta temporada inclui uma série de histórias icónicas dos comics, com destaque para a saga da Goblin Queen, assim como Mutant Extinction e até um pouco de Days of Future Past.

Adicionalmente, teremos algum enquadramento acerca do Império Shi’ar e da sua ligação ao Professor Xavier. É algo complexo escrever acerca desta série sem partilhar spoilers, mas posso adiantar que teremos momentos penosos, sobretudo no ataque a Genosha, que serão fundamentais para a conclusão do arco narrativo.

Quero apenas destacar o episódio Motendo, que conta com Mojo e que é uma homenagem fantástica aos videojogos dos X-Men. Existem igualmente inúmeros cameos, de personagens icónicas da Marvel e o regresso de dois vilões ićonicos, cujo nome permanece no anonimato.

Pode ser a nostalgia a falar, mas este é, na minha opiniáo, o melhor conteúdo da Marvel desde a saga Infinity War/Engame. A fasquia fica bem alta para a segunda temporada, que termina com a introdução de mais um vilão ÉPICO.

House of M

Brian Michael Bendis e Olivier Coipel são os responsáveis por este incrível arco narrativo, que inspirou parcialmente a série Wandavision. O ano é 2005 e após os eventos de Avengers Disassembled, a equipa tem de lidar com a situação de Scarlet Witch, que se converteu numa ameaça. O Professor Xavier informa Magneto que irá convocar uma reunião com os Vingadores, dado que não sabe durante quanto tempo irá conter os poderes da sua filha, que persiste em criar mundos paralelos para esconder a sua mágoa.

O Doctor Strange tem igualmente sessões regulares com Wanda, no plano astral, no sentido de a acalmar, embora partilhe da mesma opinião do Professor X. Os X-Men, agora liderados por Emma Frost, pretendem assassinar Wanda, algo que não é bem aceite pelos Avengers, mesmo após os eventos que resultam na morte de alguns dos seus membros. Após uma discussão acesa, acordam ir para Genosha, para confrontar Wanda e terminar com a ameaça.

Pietro (Quicksilver) tem conhecimento das intenções e alerta Magneto, que se mostra indiferente, dado que não consegue encontrar uma alternativa que possa ajudar a sua filha a ultrapassar a dor. Na chegada a Genosha, os Avengers e os X-Men são envoltos numa luz branca que os transporta para uma realidade alternativa, em que aparentemente todos os seus desejos se concretizarem. Ao longo de vários painéis, vamos tomando conhecimento deste novo universo, em que Spider-Man é casado com Gwen Stacy, acontecendo o mesmo com Cyclops e Emma Frost. Carol Danvers é a super-heroína mais adorada no Mundo, Wolverine é o líder de uma força elite da SHIELD e o Capitão America é apenas um veterano sénior, sem qualquer lembrança dos seus tempos de super-herói.

Nesta realidade, o homo superior (mutante) é a espécie dominadora, relegando o homo sapiens para um papel secundária na sociedade. Genosha converteu-se na capital da nação mutante, elevando Magneto e a sua House of M para uma posição de poder e domínio político. O único herói com as memórias intactas do verdadeiro passado é Wolverine, que irá iniciar uma missão de contactar a resistência, liderada por Luke Cage. Adicionalmente, alguns dos membros da Resistência são precisamente os Vingadores assassinados por Scarlet Witch, elevando o nível dramático da narrativa. Ao longo desta narrativa, os heróis nunca conseguem localizar o professor Xavier, que aparenta ter falecido num evento que marcou a ascensão de Genosha.

Não vou partilhar spoilers, mas posso divulgar que Layla Miller, aka Butterlfly, será uma personagem relevante para o desfecho final deste arco narrativo. A arte de Olivier Coipel é fabulosa e House of M mudou de forma significativa o universo Marvel, sobretudo com a célebre frase “No More Mutants”.  Gostei particularmente da componente psicológica desta aventura, que deixa marcas nos heróis, sobretudo no que diz respeito á “realidade alternativa” que deixaram para trás e que representava o seu conceito de felicidade absoluta.

O livro termina com Hank Pym a alertar para o facto de cada ação gerar uma reação oposta, referindo-se obviamente ao misterioso desaparecimento do gene mutante. E precisamente nesse momento uma colossal onda vermelha de energia atinge a órbita do Planeta Terra, antecipando algo de relevante mas essa será um tema a abordar possivelmente num artigo futuro.

X-Men

O Netflix tem disponível uma adaptação anime de X-Men, em que vamos acompanhar os eventos que ocorrem um ano após a morte de Jean Grey. A equipa volta a reunir-se, a pedido do Professor Charles Xavier, para uma missão numa zona específica do Norte do Japão, que aparenta estar protegida por um poderoso campo de forças.

Os primeiros dois episódios focam-se na reação à perda de Jean, sobretudo no que diz respeito a Cyclops. Lentamente a narrativa vai evoluindo, sendo possível identificar um estranho vírus, que está a criar uma mutação extrema nos habitantes locais, que possuem o gene X.

A premissa principal desta mini série de doze episódios passa por encontrar a origem e os responsáveis pela mutação. Sem colocar grandes spoilers, os X-Men vão resgatar Emma Frost e Armor, que são prisioneiras numa instalação que está sob o controlo dos U-Men. Lentamente vai ser revelado que o Inner Circle está envolvido nesta trama, o que irá gerar algumas implicações e desconfianças de Scott relativamente a Emma Frost, que acaba por se juntar à equipa, assim como Armor.

Os últimos episódios revelam todos os pormenores e contam com uma batalha épica, cujo desfecho e intervenientes vou manter no anonimato. No global, esta série é mediana e tem obviamente uma grande influência de anime, visível na animação escolhida e nas proporções (exageradas) das personagens femininas.

A legendagem disponível é francamente má, apresentando dessincronização nalguns diálogos. A minha sugestão passa por abdicar das legendas e utilizar a versão audio inglesa, que tem uma boa escolha de vozes, tais como Steve Blum (Logan), Daniell Nicolet (Storm), Fred Tatasciore (Beast), Ali Hillis (Emma Frost) e Jennifer Hale (Jean Grey) , para citar alguns dos mais relevantes.

Não contem com uma adaptação brilhante ou ao nível da incrível série dos anos 90 mas sugiro que invistam tempo nesta mini série, da autoria da Madhouse.