RIP, Muttley

Em 2014 tomámos uma das melhores decisões da nossa vida, ao adoptar um podengo. Após uma (longa) viagem à APA e, no meio de tanto animal carente, houve um que captou a nossa atenção.

O seu ar tímido, aliado a um visual que incluía um lenço no pescoço, teve um efeito arrebatador, levando a uma interação directa, que se revelou decisiva. A viagem de regresso foi serena, embora fosse evidente o seu cansaço. Recordo-me de lhe termos dado leite assim que chegámos a casa e, no decorrer das semanas seguintes, suspeitámos que pudesse ser mudo.

Na realidade, tratava-se de uma “simples” reação ao abandono e uma adaptação ao seu novo lar, que se converteria na sua casa durante doze anos e três meses. Fomos regularmente ao veterinário, garantimos as vacinas e, no espaço de alguns meses, o seu comportamento alterou radicalmente. Pudemos finalmente conhecer o “verdadeiro” Muttley, um cão brincalhão, cheio de energia e com muito amor para dar.

Lentamente, fomos ganhando a sua confiança e, com o tempo, converteu-se no meu melhor amigo e num membro da nossa família. Toda a rotina era definida em redor das suas necessidades e era uma alegria passear com ele e realizar as tarefas mais simples.

Ao longo da minha vida tive várias animais de estimação mas nunca estabeleci uma ligação tão profunda quanto esta. Talvez o facto de termos vivido num cenário de pandemia, aliado a um linfoma que lhe foi diagnosticado durante esse período, tenha reforçado este elo. Mas a realidade é que ultrapassámos todos esses desafios e conseguimos mais de doze anos na companhia do cão mais incrível que alguma vez conheci.

Os últimos meses foram complicados, dado que nunca estamos preparados para a despedida. Mas sou bastante grato pelo facto de termos tido tempo para fazer e dizer tudo o que era imprescindível. As derradeiras horas no hospital foram dolorosas mas ao mesmo tempo simbólicas, dado que ele partiu exactamente como o conhecemos: a abanar a sua cauda e a irradiar amor, mesmo quando o seu corpo já não o permitia ter o comportamento habitual.

Faz hoje um mês que partiste, meu amigo e as memórias que criámos vão acompanhar-me para o resto da vida. Apesar de termos sido nós a adoptar-te, tenho a convicção que fomos os grandes beneficiados, dado que aprendemos uma lição de vida, com a tua lealdade, coragem e resiliência.

Sei que o tempo ajuda a sarar, mas perdoa-me pelo facto de ainda não conseguir conter as lágrimas quando penso em ti. Acredito que, no futuro, vão ser substituídas por um sorriso, que tão bem representam a tua essência. Descansa em paz e que um dia nos possamos reencontrar! E de forma simbólica, no dia em que faz um mês que nos deixaste… temos um eclipse.

A minha nota final vai no sentido de adoptarem um animal. Associações como a APA são uma forma de o fazerem em segurança e garanto que mudará a vossa vida. No entanto, fica o alerta, decidam com ponderação e jamais façam o animal passar por uma nova experiência de abandono. Sejam felizes!

The Mean Machine 00

Quem acompanha este espaço, tem perfeita noção da minha paixão pelo colecionismo, mais especificamente por estátuas de franquias da minha preferência.

No entanto, o custo deste hobby tem disparado vertiginosamente, o que me fez considerar alternativas mais económicas. A solução final recaiu na impressão 3D, que me permitiu concretizar alguns projectos nos últimos meses.

Uma nova colaboração com o 3D Retro Eletro permitiu a adição da Mean Machine, o meu veículo preferido da mítica série de animação Wacky Races. A qualidade do modelo, aliada a um estilo de pintura que tenta replicar o desgaste dos materiais, deu origem a uma das minhas peças preferidas.

Como é habitual, vou partilhar uma série de fotos, em que podem vislumbrar algum do detalhe que mencionei. Esta peça mede aproximadamente 45 cm de comprimento e estará numa escala de 1/20.

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