Legend of the Galactic Heroes

Esta série passou completamente ao lado do meu radar, apesar de ter consumido anime em doses apreciáveis na década de 80 e 90. Dito isto, resolvi dar uma oportunidade a este projecto e confesso que fiquei absolutamente maravilhado.

Na minha opinião, Legend of the Galactic Heroes é a definição de uma space opera. A narrativa assenta na ascensão ao poder de Reinhard von Lohengramm, um jovem que pretende reformar política e socialmente o Império Galáctico. Apesar de ser uma série de ficção científica, o visual é claramente inspirado numa Baviera do século XVII, com uma estratificação social suportada pela nobreza, e em que as classes baixas são tratadas com total desrespeito.

Começamos por conhecer o passado do protagonista, que é separado da sua irmã Annerose, graças ao seu pai, que a vende como concubina para o Imperador. Esse momento marca o início da sua ascensão, com o claro objetivo de subir na hierarquia militar e libertar a nação da opressão autocrática em que vive. Para tal, conta com o seu amigo de infância, Kircheis, que o segue de forma fiel na sua demanda.

Os primeiros episódios servem de enquadramento, com a introdução das bases narrativas, assim como das personagens principais. Apesar de existirem inúmeros momentos de ação, com batalhas brutais, o encanto desta série está na sua fabulosa narrativa, que introduz dezenas de personagens. Temos igualmente episódios dedicados ao lore, com destaque para personagens históricas e outras que simplesmente são fundamentais para desencadear eventos que são fulcrais para o desfecho final.

Como não podia deixar de ser, todas as séries necessitam de uma rivalidade e Legend of the Galactic Heroes tem em Yang Wen Li o herói da outra facção, denominada como Free Planets Alliance. O seu génio militar vai ser responsável por inúmeras vitórias e, ao longo da narrativa, converte-se num barómetro da ambiguidade que resulta da barbárie da guerra.

Um dos pontos que assinalo é o sentido de honra de ambos os protagonistas, que apesar de lutarem por ideais distintos, optam por tomar as decisões moralmente correctas, evitando atalhos ou ações que possam ser consideradas desleais. Nota para a terceira facção, representada pelo Dominion of Fezzan, que mantém a sua neutralidade, embora faça sistematicamente jogo duplo.

Torna-se extremamente complexo abordar este projecto sem partilhar pormenores, mas recomendo sem hesitação o investimento de tempo. São 135 episódios, com cerca de 27 minutos , mas a recompensa é significativa. Conforme referi, existem largas dezenas de personagens mas os arcos narrativos de Oberstein, Oskar von Reuenthal, Mittermeyer, Kircheis, Julian Mintz, Merkatz , Walter von Schenkopp e Adrian Rubinsky são simplesmente soberbos.

No global, este é um dos melhores animes que tive a oportunidade de assistir. A narrativa tem uma conclusão, dando início uma nova realidade política e, como não podia deixar de ser, narra os eventos de uma guerra brutal e que deixa marcas profundas em todas as facções.

Se pretenderem, fica a sugestão de investir o vosso precioso tempo nesta fantástica criação de Yoshiki Tanaka. Mais recentemente, foi lançada uma nova adaptação, denominada Legend Of The Galactic Heroes: Die Neue, que vai para a quarta temporada.

Kaiju No. 8

Esta é a história de Kafka Hibino, um membro da equipa de limpeza enviada após as batalhas de Kaiju. Após diversas tentativas falhadas de entrar para a JAKDF (Japanese Anti-Kaiju Defense Force), Kafka está prestes a desistir do seu sonho. Mas com a ajuda de Reno Ichikawa, o nosso “herói” realiza os testes de aptidão pela derradeira vez, conseguindo entrar como cadete.

No entanto, carrega consigo um segredo, que apenas foi partilhado com Ichikawa. Aquando da sua estadia no hospital, foi infectado por um parasita Kaiju, que lhe garante poderes sobrenaturais. A primeira temporada narra a ascensão de Hibino na JAKDF, em que conta com o apoio de vários elementos da equipa. Existe claramente uma ligação muito forte com o Vice-Capitão, Iharu Furuhashi, que o apoia desde o primeiro momento, apesar da sua clara incapacidade física, quando comparado com os restantes membros do pelotão.

Somos introduzidos a Kaiju No.9, que consegue absorver humanos e assumir a sua aparência, convertendo-o no principal vilão desta primeira temporada. Mas o grande destaque vai para o desenvolvimento das personagens, com destaque para Kikoru Shinomiya, Reno Ichikawa e Mina Ashiro. A ação é muito bem complementada com o típico humor nipónico, convertendo esta série numa experiência divertida e com um suporte narrativo assinalável.

Sem revelar pormenores, os três últimos episódios são fulcrais para o destino de Kafka Hibino, que pretende manter a promessa realizada enquanto criança à Capitã Mina Ashiro. Se possuem uma subscrição de Crunchyroll, esta é, sem dúvida, uma série que recomendo vivamente e que já tem a segunda temporada confirmada.

Doctor Stone T.1

Esta série tem uma premissa diferente e que me cativou desde os momentos iniciais. Senku Ishigami é um jovem brilhante, que se vê petrificado, à semelhança de toda a Humanidade, acordando 3700 anos no futuro. O seu melhor amigo, Taiju Oki, junta-se a ele, para iniciarem a restauração da raça humana. Tomamos igualmente conhecimento que este evento apenas colocou os habitantes num estado de hibernação, o que cria as condições necessárias para poderem iniciar a complicada tarefa de reverter a petrificação.

No entanto, o mundo regrediu para uma sociedade ao nível da Idade da Pedra, em que não existe tecnologia e o conhecimento foi perdido. Senku toma a decisão de reanimar Yuzuriha Ogawa, uma jovem por quem o seu amigo Taiju tem uma paixão secreta. No entanto, acabam por ser perseguidos por um leão, o que leva a uma decisão inesperada, em que libertam Tsukasa Shishio, um jovem que detém uma força sobre-humana mas que tem ideais opostos aos de Senku.

Esta diferença vai criar uma rivalidade, que sustenta a narrativa de Doctor Stone. Tsukasa pretende criar um mundo em que apenas os mais fortes são reanimados, com o intuito de evitar a proliferação da tecnologia e criar um mundo puro, de acordo com os seus valores. Senku pretende restaurar a glória da Humanidade e viajar para as estrelas, naquele que entende ser o destino da nossa espécie.

Assim sendo, e com muito humor à mistura, vamos acompanhar esta batalha. Pelo caminho, são forjadas alianças e são realizados sacrifícios, no sentido de derrotar o exército de Tsukasa Shishio. Confesso que gostei imenso desta primeira temporada, que é composta por 24 episódios. A abordagem científica, em que é explicado como obter determinados materiais, é extremamente cativante e ajuda a dinamizar uma narrativa, que é muito fluida e repleta de ação.

As personagens introduzidas são excelentes, com destaque para Gen, Chrome, Kaseki e Taiju. Em suma, se procuram um anime divertido, com desenvolvimento de personagens e uma componente de mistério, esta é, na minha opinião, uma escolha acertada.