Ready Player One

Em 2011, foi publicado o primeiro livro de Ernest Cline, que se tornou rapidamente num êxito colossal. Um pouco mais tarde, os direitos para uma adaptação cinematográfica foram adquiridos, sendo actualmente facto consumado que Steven Spielberg é o realizador escolhido.

Mas enquanto não chegamos a Março de 2018, parece-me importante destacar e sugerir que leiam esta fantástica aventura. Ready Player One é uma ode à cultura pop dos últimos trinta anos e conta a história do OASIS, uma realidade virtual criada por James Halliday. Para ser mais preciso, a Humanidade vive numa era em que os recursos energéticos são escassos, o que proporcionou as condições ideais à integração total do OASIS no quotidiano. Em consequência, a vida profissional, escolar e social é realizada exclusivamente online, tornando esta experiência em algo imersivo e que em muitas situações, se sobrepõe à realidade.

A morte de Halliday é ponto fundamental da narrativa, dando início a um concurso, em que o vencedor herda toda a sua fortuna e controlo da plataforma de realidade virtual. Para tal, “basta” seguir uma série de pistas e superar os testes apresentados. Como é evidente, o grau de dificuldade é brutal, originando uma estagnação que dura largos anos, até ao momento em que Wade Watts, aka Parzival, consegue superar o primeiro desafio.

Toda a lógica do concurso baseia-se em conhecimento de cultura pop e geek do século XX, criando uma legião de seguidores, que são apelidados de “Gunters”. Do outro lado, temos algumas corporações, que visam alcançar o prémio e controlar o OASIS, com o intuito de prosperar financeiramente. O grande destaque vai para a Innovative Online Industries (IOI), liderada por Nolan Sorrento, que se vai tornar no principal adversário de Wade.

Como não gosto de divulgar spoilers, vou ficar por aqui em termos de narrativa. Adianto apenas que Parzival vai unir-se a Art3mis, ao seu melhor amigo Aech e aos irmãos Daito e Shoto, numa tentativa de derrotar a IOI e devolver o OASIS ao “povo”, disponibilizando a plataforma para a utilização que o seu criador pretendia.

O livro é fantástico, com vários twists e dezenas de referências a filmes, bandas, videoclips e jogos que fazem parte da nossa cultura. Está repleto de batalhas épicas, com decisões inesperadas, numa simbiose perfeita e que nos catapulta para este universo de forma inesperada. A capa do livro que adquiri fala numa fusão entre The Matrix e Willy Wonka, observação com a qual concordo, embora reconheça algumas similaridades com Tron.

Só posso recomendar a leitura de Ready Player One e fico francamente entusiasmado com a sua adaptação ao cinema, apesar de ser improvável que supere esta fantástica obra de Cline.

O Silo

Este espaço serve para divulgar projectos e hobbies do meu interesse mas curiosamente os livros têm sido colocados de parte. Está mais do que na altura de inverter esta tendência, falando-vos acerca do Silo, escrito por Hugh Howey. A versão que adquiri aborda várias histórias, que envolvem o Xerife Holston, a escolha do novo rosto da Lei, os tumultos no Silo e a limpeza falhada de Juliette (mais não digo para evitar spoilers).

Podem igualmente adquirir as histórias “soltas”, que estão divididas em três livros, mais concretamente Shift, Dust e Wool, para além da prequela Ordem. A narrativa ocorre num futuro pós-apocalíptico, em que se cria uma comunidade estratificada, que povoa um silo com 144 níveis. A criminalidade é reduzida, embora incida essencialmente em falar acerca do mundo exterior, culminando na pena (de morte) da limpeza, em que o meliante é forçado a vestir um fato hermético e deslocar-se para fora do Silo, limpando as clarabóias e cameras.

Com o passar do tempo surgem questões pertinentes, nomeadamente a razão pelo qual o Departamento de Informática necessita de tanta energia, assim como mortes misteriosas que visam encobrir uma conspiração profunda, que tem como objetivo vetar informação importante que pode explicar o que realmente se passou no exterior.

As 524 páginas correm de forma fluida, com surpresas constantes e uma narrativa envolvente, onde paira sempre o mistério e a incerteza. O Silo está longe de ser “apenas” um livro de ficção científica mas tem a minha humilde recomendação. Estou igualmente entusiasmado com o rumor que indica estar iminente uma adaptação a Hollywood, com realização de Ridley Scott.

Aventuras Fantásticas

Ian Livingstone e Steve Jackson são os responsáveis pela criação das Aventuras Fantásticas, uma colecção de livros que marcou a minha infância. Essencialmente os autores criaram um RPG, num mundo imaginário de Titan, em que o jogador tem como objectivo derrotar feiticeiros, ogres, monstros e até mesmo robots.

A grande inovação consistia no facto de o livro funcionar como um jogo, sendo necessário a utilização de dados. Confesso que muitas das vezes fazia “batota”, optando por jogar sem essa limitação, na tentativa de explorar e terminar as aventuras.

Foram horas de puro entretenimento, sempre na esperança de terminar com sucesso a “quest”. O momento mais alto consistia em atingir a página 400, que representava o fim do jogo. Rapidamente trocava de livros com os meus amigos, sempre com a ansiedade de salvar uma donzela em perigo ou de vencer o mau da história.

Na minha estante ainda estão vários exemplares, que guardo religiosamente. Confesso que por vezes ainda me dá vontade de os desfolhar e tentar mais uma vez salvar o Mundo de Titan.