Ready Player Two

Tive finalmente oportunidade de ler a sequela de um dos meus livros preferidos e acompanhar a derradeira aventura de Wade Watts e os High Five.

Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas posso adiantar que a narrativa decorre nove dias após os eventos do primeiro livro. Essencialmente, Parzival descobre um segundo tesouro virtual do lendário James Halliday, dando início a mais uma demanda “sagrada”.

Nos capítulos seguintes, a narrativa avança bastante mais no tempo, por motivos que não vou partilhar neste artigo. No entanto, é relevante mencionar que a tecnologia vai avançar significativamente com o ONI (OASIS Neural Interface), que permite imersão total, com a utilização do tacto, olfacto, paladar e toque.

Preparem-se para uma visão diferente dos nossos heróis, em que somos apresentados aos seus receios, projectos secretos e decisões que irão afectar o rumo da Humanidade. O segundo tesouro de Halliday converte-se numa obsessão de Wade e irá levá-lo por um caminho que, ironicamente, o forçará a sacrifícios que colocam em causa as suas convicções morais.

A segunda metade do livro foca-se na demanda pelos Seven Shards, que são essencialmente sete artefactos que permitem criar uma arma para derrotar o vilão desta aventura. Temos as habituais referências à cultura pop dos anos 80 e 90, com especial incidência para os filmes de John Hughes, o universo de Tolkien e o mítico Prince.

Ready Player Two é claramente inferior ao primeiro livro, como seria expectável, mas não deixa de ser uma boa leitura. Apesar de existir um desfecho, Ernest Cline deixa em aberto uma possível trilogia, que acompanharia os eventos que resultam desta aventura.

Caso pretendam iniciar um debate sobre este tópico, fica o convite para utilizarem a caixa de comentários abaixo.

“Two-Face was right. You either die a hero, or you live long enough to see yourself become the villain.”

20.000 Léguas Submarinas

Julio Verne é, sem margem para dúvida, um dos escritores mais reconhecidos do século XIX. A sua imaginação é lendária, dando vida a obras de ficção que ainda hoje são uma referência no género.

20.000 Léguas Submarinas narra as aventuras do Nautilus, uma embarcacão movida a electricidade e que pode ser comparada a um submarino da era moderna. Os capítulos iniciais introduzem o Professor Aronnax e o seu fiel criado, Conseil, que irão embarcar no Abraham Lincoln, com a missão de capturar ou eliminar uma estranha criatura marinha. Para tal, irão contar com o auxílio de Ned Land, um exímio entusiasta do arpão.

Após várias semanas de tranquilidade, encontram finalmente o Nautilus, que facilmente derrota o Abraham Lincoln, deixando-o incapacitado e à deriva. Ned, Aronnax e Conseil são atirados borda fora, mas acabam resgatados pela tripulação do Nautilus, convertendo-se em hóspedes permanentes do Capitão Nemo.

Esta é a premissa do livro, que se foca na distância percorrida pelos nossos três protagonistas, a bordo desta embarcação única. A escrita de Julio Verne é detalhada, repleta de informação náutica e histórica, que varia entre a fauna e flora, passando pelo funcionamento do próprio Nautilus e culminando com um desfecho aberto, que pode ser interpretado de forma única por cada um dos leitores.

Considero muito curioso, talvez a roçar o irónico, que no meio de tanta descrição e detalhe, pouco seja revelado acerca da identidade do Capitão Nemo, assim como da sua tripulação.

No entanto, esta é uma leitura que recomendo sem hesitação, sobretudo para quem é fá de uma boa aventura.

Rendez-Vous com RAMA

No distante ano de 1973, Arthur C. Clarke publicou esta história de ficção científica, que decorre no ano 2130, quando um misterioso objeto cilíndrico entra no nosso sistema solar. Após inúmeras análises e testes, os cientistas concluem que se trata de uma nave especial, de origem desconhecida. Assim sendo, o comandante Bill Norton é destacado para pilotar a Endeavour até ao objeto, que é apelidado de Rama, em homenagem ao deus hindu da Proteção.

Ao longo dos capítulos vamos acompanhando a exploração da nave, que tem um ecossistema próprio e desafia várias das leis de Newton, graças ao seu invulgar comportamento. Adicionalmente, é confirmado que Rama é um cilindro perfeito, com vinte quilómetros de diâmetro e cinquenta de largura.

O autor consegue manter sempre um manto de mistério, através de uma escrita inteligente e muito descritiva, que nos mantém sempre na esperança que exista um encontro com uma entidade alienígena. Gostei igualmente do conceito do comité dos Planetas Unidas, uma espécie de ONU intergaláctica, que tem como função proteger os planetas do nosso sistema solar.

Rendez-Vous com RAMA é um clássico do género e que recomendo sem hesitação. É um livro que aborda a exploração espacial e a forma como o ser humano lida com o desconhecido. O desenvolvimento narrativo dos membros da tripulação e as suas diferentes crenças é um mais valia narrativa, aumentado a nossa empatia para com a missão e  com o desfecho desta aventura, que é certamente invulgar.

Caso pretendam debater alguma temática específica, convido-vos a partilhar a vossa opinião na caixa de comentários.