O Silo T.2

A aventura da Xerife Nichols continua, agora que conseguiu finalmente sair para o exterior do Silo. Vou tentar tecer as minhas considerações, sem revelar demasiados pormenores, o que pode ser algo complicado. Essencialmente, a nossa protagonista chega a um outro silo, em que se vai deparar com uma realidade inesperada.

Lentamente, vamos recebendo pequenas peças do puzzle, que nos vão permitir compreender a linha temporal que levou aos eventos actuais. Nesta segunda temporada, a narrativa alterna entre Juliette e a luta pela manutenção da ordem no Silo, que continua a ser liderado por Bernard Holland. A adição de Solo, o único sobrevivente do silo em que se encontra Juliette, é fundamental para compreendermos algumas decisões, assim como final épico desta temporada, que culmina numa cena absolutamente fantástica.

A Mecânica, liderada por Knox e Shirley, vai adoptar uma postura muito agressiva, na tentativa de obter a verdade acerca do que existe fora do Silo. A ambição de Sims acaba, ironicamente, por traí-lo, colocando-o numa situação precária, que favorece Lukas Kyle, que se converte no aprendiz de Bernard. Existe toda uma narrativa, que explica uma pequena parte do passado e da origem dos Silos, algo que será certamente explorado na terceira temporada.

Os eventos que levam ao confronto entre a Mecânica e Bernard está muito bem conseguido, assim como o mistério em redor de Salvador Quinn, cujo código acaba por ser decifrado por Lukas Kyle, num dos derradeiros episódios desta temporada. Conforme mencionei anteriormente, terminamos num impasse, mas obtemos informação relevante, confirmando-se a existência de 50 silos, que são comandados por uma entidade que será relevada em episódios futuros.

Esta é, sem dúvida, uma das melhores séries da actualidade, garantindo uma narrativa fantástica, excelentes interpretações e uma sequência de eventos que nos deixa sempre entusiasmados com o episódio seguinte. Estão confirmadas mais duas temporadas, com o objectivo de apresentar a conclusão desta aventura.

E caso ainda não o tenham feito, recomendo novamente a leitura da obra literária de Hugh Howie.

O Silo T.1

Há oito anos atrás tive a oportunidade de partilhar o livro que deu origem a esta série. Nessa altura, os rumores apontavam para um filme, com realização de Ridley Scott, algo que lamentavelmente nunca chegou a concretizar-se. No entanto, a Apple TV+ resolveu adquirir os direitos e lançar esta primeira temporada, que conta com um elenco de renome e faz jus à obra de Hugh Howey.

Ao longo de dez episódios vamos acompanhar as aventuras de Juliette Nichols, uma das engenheiras responsáveis pela manutenção do gerador do Silo. Essencialmente, esta sociedade sobreviveu a um evento catastrófico e habita esta estrutura há várias décadas, sem qualquer informação do mundo exterior. De forma de controlar as massas, qualquer objeto do passado (relíquias) é proibido e a procriação é rigorosamente controlada, de forma a manter a sustentabilidade da sociedade.

O Governo é eleito de forma democrática e existe um Xerife, que mantém a ordem, seguindo de forma quase religiosa um documento que é vulgarmente designado como o Pacto. Os primeiros dois episódios centram-se em Holston Becker, o Xerife , que tenta descobrir o motivo que levou a sua esposa a optar pela Limpeza, que representa essencialmente uma sentença de morte e implica a saída para o exterior com um fato hazmat, que é incapaz de proteger da radiação existente.

Holston conclui a sua investigação e acredita que existe uma gigantesca conspiração, com o objetivo de passar uma mensagem errada do que existe no exterior e opta igualmente por sair, o que resulta na sua morte. Mantendo a tradição do Silo, deixou a sua recomendação para o cargo, que irá despoletar uma série de eventos que serão fundamentais para o desfecho da temporada.

De forma relutante, Juliette Nichols aceita a nomeação para Xerife e reabre a investigação acerca do assassinato de George Wilkins, um colecionador de relíquias com quem teve uma relação. Essa decisão gera  uma resposta agressiva por parte do Judicial, na figura de Sims, que pretende remover Nichols da função e manter o status quo.

Sem colocar spoilers, posso adiantar que a narrativa é muito envolvente, criando empatia com a personagem principal, que tenta a todo o custo descobrir a verdade. O elenco, conforme referi, é de renome, contando com Rebecca Ferguson, Rashida Jones, Will Patton, Ian Glen, David Oyelowo, Common, Tim Robbins, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez e Chinaza Uche.

Para quem leu o livro, posso igualmente salientar que esta primeira temporada termina sensivelmente a meio, no momento em que Juliette Nichols opta por sair para realizar a Limpeza. A segunda temporada está confirmada para 2024, embora ainda não tenha data de lançamento prevista.

O Silo

Este espaço serve para divulgar projectos e hobbies do meu interesse mas curiosamente os livros têm sido colocados de parte. Está mais do que na altura de inverter esta tendência, falando-vos acerca do Silo, escrito por Hugh Howey. A versão que adquiri aborda várias histórias, que envolvem o Xerife Holston, a escolha do novo rosto da Lei, os tumultos no Silo e a limpeza falhada de Juliette (mais não digo para evitar spoilers).

Podem igualmente adquirir as histórias “soltas”, que estão divididas em três livros, mais concretamente Shift, Dust e Wool, para além da prequela Ordem. A narrativa ocorre num futuro pós-apocalíptico, em que se cria uma comunidade estratificada, que povoa um silo com 144 níveis. A criminalidade é reduzida, embora incida essencialmente em falar acerca do mundo exterior, culminando na pena (de morte) da limpeza, em que o meliante é forçado a vestir um fato hermético e deslocar-se para fora do Silo, limpando as clarabóias e cameras.

Com o passar do tempo surgem questões pertinentes, nomeadamente a razão pelo qual o Departamento de Informática necessita de tanta energia, assim como mortes misteriosas que visam encobrir uma conspiração profunda, que tem como objetivo vetar informação importante que pode explicar o que realmente se passou no exterior.

As 524 páginas correm de forma fluida, com surpresas constantes e uma narrativa envolvente, onde paira sempre o mistério e a incerteza. O Silo está longe de ser “apenas” um livro de ficção científica mas tem a minha humilde recomendação. Estou igualmente entusiasmado com o rumor que indica estar iminente uma adaptação a Hollywood, com realização de Ridley Scott.