O Tetracampeonato

O SLB foi fundado em 1904 e desde essa altura que várias gerações de jogadores tentaram alcançar, sem sucesso, o almejado tetracampeonato. No jogo frente ao Vitória de Guimarães tínhamos a oportunidade de fazer História e a equipa deu uma resposta incrível, fazendo uma exibição irresistível, que terminou com quatro golos sem resposta, na primeira parte.

O Estádio da Luz esgotou, com mais de 64.000 adeptos a puxar fervorosamente pela equipa, que necessitava de ganhar para poder festejar de imediato o trigésimo sexto campeonato. A tensão foi quebrada com a entrada avalassadora e 90 minutos depois o País pôde começar as festividades. Parece-me importante enquadrar esta conquista, sobretudo se pensarmos no período de Vietnam do SLB (1994 a 2004), em que acumulámos derrotas e batemos no fundo.

Fico incrivelmente contente pelas gerações mais antigas, que podem finalmente assistir a um marco histórico na vida do clube, assim como pelas velhas glórias, que mereciam esta conquista. Rui Vitória tem o perfil certo para liderar o Sport Lisboa e Benfica, embora nem sempre compreenda algumas das suas decisões técnicas e tácticas.

Luis Filipe Vieira e a restante estrutura mudaram de facto o SLB, tornando-o num clube moderno, com visão desportiva e empresarial. Estamos nitidamente à frente dos rivais, mas não podemos estagnar. Há que ser exigente, reforçar a equipa e ser mais competitivos a nível europeu.

Por último, uma palavra para os nossos rivais. Futebol é uma festa, em que apenas uma equipa pode conquistar o título. É fundamental respeitar os adversários e encontrar na derrota a motivação para regressar mais forte. Dito isto, saudações desportivas e vamos preparar a final da Taça de Portugal.

E Pluribus Unum!

Ghost in the Shell

A manga de Masamune Shirow teve finalmente direito a adaptação cinematográfica, contando com Scarlett Johansson no papel de Major. A narrativa apresenta-nos um futuro distante, em que acompanhamos a Secção 9, uma equipa que se dedica à captura de cyber-terroristas.

Vamos progressivamente conhecendo o passado de Major, que habita um corpo cibernético, retendo apenas o cérebro humano. Com o aparecimento de Kuze, um terrorista que elimina cientistas ligados ao projecto 2571, surgem dúvidas acerca das reais intenções deste departamento, revelando uma conspiração que pode chegar ao topo da pirâmide.

Gostei particularmente do Mundo que nos é apresentado, repleto de upgrades cibernéticos e tecnologia, mas que mantém alguns elementos tradicionais, conferindo um contraste necessário. Destaco a humanização de Batou, sobretudo com a referência à raça de basset-hound, numa homenagem simbólica à manga original.

Como seria expectável, as cenas de acção estão bem conseguidas, cumprindo a sua função. Existe um equilíbrio harmonioso entre a acção e narrativa, o que é francamente positivo, mas no geral, falta algo memorável no acto final do filme.Não estamos perante o típico vilão, nem existe uma batalha épica para definir a narrativa, o que comprova que Ghost in the Shell tenta ser algo diferente.

Pessoalmente, considero que o resultado final é mediano mas enquanto adaptação ocidental de manga, diria que é um dos melhores projectos. Como tal, apenas posso recomendar a quem é fã da obra de Masamune Shirow.