The Last Kids on Earth T.1

Baseado na obra literária de Max Brallier, The Last Kids on Earth narra uma aventura épica de quatro jovens, na pacata cidade de Wakefield, que se encontra infestada por zombies.

A primeira temporada é composta exclusivamente por um episódio, de 67 minutos, que serve especificamente para nos enquadrar na história. Jack é um jovem de 13 anos e o protagonista principal, que irá contar com a ajuda do seu melhor amigo, Quint Baker, perito em ciência e gadgets. Inesperadamente, acabam por ter a ajuda de Dirk Savage, o bully local, perito na arte de luta e June Del Toro, a grande paixão de Jack e a editora do jornal da escola.

Contem com muitos momentos cómicos e constantes referências a cultura pop, relacionadas com jogos, música e zombies. A vilã desta primeira fase é uma entidade de nome Rezzoch, que aparenta ser a responsável pelo desaparecimento de todos os adultos e que pretende destruir o planeta, por motivos que desconhecemos.

Não esperem por algo revolucionário, mas a realidade é que The Last Kids on Earth é uma série envolvente, que tem um tom bastante leve e que irá certamente apelar aos meus jovens. Caso estejam interessados, podem acompanhar as aventuras de Jack e Companhia via Netflix.

Jingle Jangle

Tendo em conta a quadra que atravessamos, vou manter a tendência de partilhar filmes de Natal. A escolha de hoje recai em Jingle Jangle, o mais recente projeto da Netflix, que retrata a vida de Jeronicus Jangle, um inventor e criador de brinquedos. O primeiro acto mostra-nos um jovem inventor, entusiasmado com a entrega de uma peça, que lhe permite criar Don Juan Diego, um toureiro matador.

Jeronicus rejubila ao constatar que esta criação tem vida própria, mas abstrai-se da sua personalidade altamente egocêntrica e que irá convertê-lo no vilão deste conto. Don Juan é incapaz de lidar com o conceito de produzirem réplicas suas, convencendo o aprendiz Gustafson a furtar o livro de ideias do seu mentor e escapar.

A narrativa avança trinta anos e constatamos que o nosso inventor perdeu a sua esposa e afastou a filha, em consequência da traição de Gustafson. A glória de tempos anteriores desvaneceu, dando lugar a uma  loja de penhores, gerida por um Jeronicus derrotado e que prometeu nunca mais inventar seja o que for.

Tudo muda quando a sua neta, Journey, faz uma visita à loja e descobre o Buddy 3000, um brinquedo concebido e criado pela sua mãe, Jessica Jangle. Com relutância, Jeronicus vai abrindo o coração à sua neta, que o ajuda a resolver a equação da “raiz quadrada do possível”. Pelo meio, vamos ter alguns momentos musicais e alguma magia de Natal, numa narrativa que assenta na redescoberta da “magia” pela invenção de brinquedos.

Existem igualmente alguns momentos de humor, que são bem enquadrados numa narrativa fluida e que tem em Forest Whitaker a sua âncora. Destaco igualmente a interpretação de Madalen Mills, Ricky Martin e Kieron L. Dyer, nos papéis de Journey, Don Juan e Edison, respectivamente.

No global, este filme foi uma agradável surpresa, que recomendo sem hesitação. Tem obviamente os clichés habituais, mas consegue captar a nossa atenção, graças a uma panóplia de personagens interessantes e a uma narrativa consistente.

Bom
75%

Batman Noël

Dezembro é inequivocamente um mês de energia positiva e em que recupero parte da fé na Humanidade. É igualmente uma época em que gosto de revisitar alguns livros e filmes que se enquadram nesta temática. A nível de BD, a minha recomendação diz respeito à adaptação do clássico A Christmas Carol, de Charles Dickens.

Lee Bermejo reconverteu a obra imortal de 1843 ao universo de Gotham, fazendo de Bruce Wayne um verdadeiro Scrooge, consumido pela necessidade de derrotar o seu arqui-inimigo The Joker. A narrativa acompanha Bob, um modesto cidadão que trabalha para Joker, entregando pequenas encomendas por toda a cidade, na tentativa de proporcionar um Natal melhor ao seu filho.

Indiferente a todo este sentimentalismo, Batman vai utilizar Bob como isco, sem olhar a consequências, apesar dos avisos de Alfred e do Comissário Gordon. É neste altura que vamos ter a visita dos três fantasmas, que tentarão gerar empatia junto do nosso herói e fazê-lo reencontrar-se com a sua crença no Bem e na capacidade de redenção do ser humano.

As ilustrações de Lee Bermejo são soberbas e a narrativa, apesar de assentar na obra de Dickens, consegue ser cativante o suficiente para se converter num dos títulos clássicos de Batman.

Gosto particularmente do simbolismo inerente à tosse que assola o nosso herói ao longo da narrativa, assim como a escolha do segundo “fantasma”, que conseguem transmitir uma poderosa mensagem para esta novela gráfica de 2011.

Se são fãs da DC e particularmente do Dark Knight, não tenho dúvidas de que irão ficar amplamente satisfeitos com o resultado final de Batman Noël.