Klaus

Jesper Johansen é um jovem mimado, proveniente de uma família abastada, que não tem qualquer interesse em cumprir com sucesso o seu treino na Academia de Carteiros. A sua vida sofre uma alteração radical quando o seu Pai exige uma mudança, sob pena de ser deserdado. O desafio é complexo e implica garantir o envio de 6000 cartas, no espaço de um ano, na remota ilha de Smeerensburg.

A tarefa aparenta ser quase impossível, sobretudo a partir do momento em que Jesper confirma a realidade da aldeia, que é habitada por dois clãs distintos, Krum e Ellingboe, que se encontram em permanente conflito há várias gerações.

Com astúcia, Jesper vai lentamente conquistar a confiança dos mais jovens, lançando o rumor que podem receber um brinquedo caso escrevam uma carta a Klaus, um madeireiro que habita uma parte remota da Ilha. A narrativa é muito focada na relação entre Jesper, Klaus e Alva, que tem uma evolução significativa e atinge o seu auge no terceiro acto. Há algum humor, sobretudo na forma como Jesper manipula os jovens e os leva a realizar boas ações, com o objetivo de serem recompensados.

Klaus é o típico filme de Natal, com uma mensagem clara e que privilegia o Bem, mas tem igualmente uma carga dramática assinalável, contando a história de origem da personagem que conhecemos como o Pai Natal.

O casting é excelente, com destaque para Jason Schwartzman, J.K.Simmons, Rashida Jones e o próprio realizador, Sergio Pablos, que dá a voz a  Olaf Krum e Pumpkin Ellingboe. Esta é uma das minhas recomendações para este Natal, sobretudo se procuram um filme que combine uma mensagem positiva com uma narrativa envolvente.

Fica no entanto o alerta para a gigantesca carga emocional no derradeiro acto, que garante a redenção da personagem principal mas que nos apresenta igualmente a realidade do que é o nosso ciclo de vida.

Termino este artigo com os votos de Festas Felizes e caso sigam este conselho, fica o desafio de partilharem o vosso feedback sobre Klaus na caixa de comentários. HoHoHo!

Bom
77%

Inside Job – Part 1

Shion Takeuchi é o criador deste projeto, que narra as aventuras da organização secreta Cognito Inc, liderada por J.R. Scheimpough. Ao longo desta primeira temporada vamos conhecer as personagens principais e as suas motivações. Os episódios são muito focados em conspirações, sempre num tom satírico, que colocam a equipa em situações de risco constante, com uma premissa constante de humor.

Regan e Rand Ridley são respectivamente filha e pai, com uma relação terrivelmente disfuncional. Rand foi dispensado da Cognito e a sua filha assume o seu lugar, em parceria com Brett Hand, um jovem “yes man” que tem uma abordagem pouco convencional na gestão da equipa, que é composta por Glenn Dolphman, um super soldado híbrido, Magic Myc, um habitante da Terra Ôca, o Dr. Andre Lee e Gigi Thompson, a responsável pelas Relações Públicas.

A agenda oculta de alguns membros vai ser revelada ao longo dos dez episódios, que tem em ROBOTUS um dos antagonistas principais. A narrativa foca-se na relação profissional de Brett e Regan, que terão de unir esforços para ultrapassar as inúmeras crises. Existem episódios hilariantes, em que vamos conhecer a Sociedade Reptiliana e a Base Lunar, entre muitos outros.

A primeira parte desta temporada termina com uma alteração no comando da Cognito Inc, que abre novas perspectivas para os derradeiros dez episódios, que deverão ser disponibilizados  no início de 2022. Se procuram entretenimento e diversão, Inside Job é uma excelente escolha, que conta igualmente um excelente casting de voz, onde se destacam Lizzy Caplan, Christian Slater e Tisha Campbell.

007: No Time to Die

O vigésimo quinto filme da saga James Bond começou a ser desenvolvido em 2016 e passou por diversos impasses. Para complicar ainda mais, a pandemia surgiu, alterando por completo as datas de lançamento, lançando igualmente algumas dúvidas acerca do sucesso deste projeto.

Spectre esteve longe de me convencer, apesar da excelente interpretação de Christopher Waltz e, como sabem, não sou o maior fã de Daniel Craig como o agente secreto 007. Dito isto, No Time to Die é uma abordagem diferente, mostrando o nosso herói numa fase em que se retirou do mundo da espionagem, tentando levar uma vida a dois com Madeleine Swann. A sequência inicial do filme está muito bem conseguida, lançando a premissa que carregará a maior parte da narrativa.

Lyutsifer Safin é um vilão imponente e que aparenta ser um desafio para James Bond, que irá tentar localizar o paradeiro de Valdo Obruchev, um cientista que foi raptado de um laboratório secreto dado MI6. A CIA, no papel de Felix Leiter, solicita a ajuda não oficiosa de Bond, que o colocará numa competição direta com o seu sucessor, Nomi, que é igualmente a nova agente 007.

A cena de ação em Cuba, que conta com a participação de Paloma (Anna de Armas) é, para mim, o ponto mais alto de No Time to Die, reintroduzindo na narrativa Stavro Blofeld. Adicionalmente, a missão passa a ser a eliminação do projeto Héracles, algo que assombra Q, por motivos que serão explicados no terceiro acto deste filme.

Os 163 minutos desta aventura tem pontos interessantes, mas é assolado por decisões que retiram qualidade à narrativa. Como é habitual, vou evitar os spoilers mas fiquei francamente desiludido com o acto final, que desvirtua por completo a personagem de James Bond, numa tentativa clara de surpreender o espectador. Gostaria igualmente que o vilões tivessem sido aproveitados de forma mais competente, sobretudo quando estamos a referir-nos a um fim de ciclo com Daniel Craig.

No Time to Die tinha um potencial enorme, que na minha opinião, foi desperdiçado, resultando num produto final que fica muito aquém das minhas expectativas. Dito isto, fico a acompanhar de forma paciente o novo casting e qual o futuro desta franchise, que de acordo com os rumores, pode passar para o controlo da Disney ou Amazon, o que seria absolutamente terrível.

Mediano
70%