The Defenders

O universo Marvel que foi criado na Netflix é fascinante e The Defenders continua a explorar a temática da organização criminosa The Hand, levando-nos finalmente a conhecer as suas verdadeiras intenções. Os primeiros episódios são dedicados a enquadrar a narrativa, envolvendo inicialmente de forma indireta todos os heróis, que acabam por formar uma equipa disfuncional mas focada em salvar a cidade de Nova Iorque.

Vamos igualmente conhecer os cinco dedos da Mão, que é liderada por Alexandra (Sigourney Weaver), assim como os segredos para a aparente imortalidade dos seus membros. A narrativa central assenta na necessidade de capturar Danny Rand, que aparenta ser a chave necessária para desbloquear algo místico que The Hand pretende obter.

Com o objetivo comum de travar a destruição de Nova Iorque, Jessica Jones, Luke Cage, Daredevil e Iron Fist juntam forças, com a ajuda de Stik, o velho mestre de Matthew, que está infimamente ligado à história de K´un Lun e Danny Rand.

Pessoalmente, gostei bastante desta série, dado que combina múltiplas personagens das séries da Marvel, num puzzle que lentamente vai sendo construído e que, de forma inteligente, lança algumas premissas interessantes  para a terceira temporada de Daredevil e a segunda de Luke Cage e Iron Fist.

Vou evitar os spoilers mas posso adiantar que o antagonista principal é uma personagem importante do universo Marvel, infimamente ligado a Daredevil e que as coreografias de luta estão extremamente bem conseguidas. Por último, salientar o quão bem funciona a disfuncionalidade entre os membros da equipa, que apresentam visões e princípios opostos, mas que no final acabam por unir esforços para derrotar a Mão, após uma batalha épica nas catacumbas de Midland Circle.

Daredevil T.2

A primeira temporada de Daredevil é, na minha opinião, a melhor de todas as séries de super-heróis, o que coloca sem dúvida a fasquia muito elevada. Talvez por esse motivo esta segunda temporada introduza a história de Frank Castle e Elektra, em detrimento do clássico embate entre vilão e herói.

Os primeiros seis episódios são quase dedicados na totalidade a Castle, explicando o seu ódio pelos gangs de Hell´s Kitchen e colocando os seus ideais e princípios em confronto com os de Matt Murdock.

A narrativa vai evoluindo, com o embate físico entre ambos os heróis e o consequente aprisionamento de Frank, que vai ser representado por Murdock & Nelson. Os episódios que estão associados ao julgamento são francamente muito bons e fazem a ponte para o aparecimento de Elektra, criando a  narrativa paralela para esta temporada.

Contem igualmente com a introdução de uma sociedade secreta, conhecida por “The Hand”, que tem ligações à Yakuza, assim como o regresso de algumas caras conhecidas da primeira temporada. De forma progressiva, vamos tendo conhecimento da sua história com Matt e as motivações de Elektra, nomeadamente os reais motivos por detrás do seu aparecimento e fazemos a ligação com a narrativa de Castle, o que melhora qualitativamente esta segunda temporada.

No entanto, o grande trunfo é mesmo o julgamento de Castle, com a sua condenação e consequente aprisionamento no mesmo estabelecimento onde se encontra Kingpin. Digo com frequência que um bom vilão representa 50% do necessário para uma série de sucesso e Wilson Fisk é uma personagem épica.

Apesar de entrar em apenas quatro episódios, o seu impacto é inegável, permitindo um final de temporada espectacular. Como sempre, vou evitar colocar spoilers, mas recomendo vivamente que acompanhem as aventuras de Matt Murdock.

Daredevil T.1

A Marvel produz filmes excelentes mas tem tido dificuldade em transpor esse sucesso para as séries de TV. Por esse motivo, encarei este projecto com alguma desconfiança mas não tenho qualquer pudor em admitir que me enganei redondamente. Daredevil é até à data o melhor produto da Marvel, no que diz respeito a séries, disponibilizando um excelente elenco, com  elevado desenvolvimento de personagens, acção na medida certo, um retrato muito fiel de Hell´s Kitchen.

No meio de tanta qualidade, é complicado destacar actores, mas tenho de salientar Charlie Cox, Vincent D´Onofrio e Helden Hensen, que representam os grande pilares da narrativa. A série está repleta de personagens épicas, com participações curtas mas fundamentais na transformação de Matt Murdock e Wilson Fisk. Esta primeira temporada quase que representa a génese da criação do herói e vilão, mostrando os dois lados e a visão de cada um deles (que grande trocadilho).

Para os fãs da Marvel e não só, apenas posso recomendar Daredevil. Estamos perante uma série que tenta ser fiel à banda desenhada, mantendo uma coerência e realidade q.b, com o intuito de nos envolver neste universo. E posso garantir-vos que vão conseguir fazê-lo na perfeição. A segunda temporada estará disponível a partir de Abril 2016, no sítio do costume (Netflix), mantendo a lógica de disponibilizar todos os episódios de uma assentada.