Doctor Who T.14

Após os eventos do especial de Natal, o novo Doutor dá início ás suas aventuras, contando com a jovem Ruby Sunday como a sua companheira de viagem. Os primeiros episódios garantem entretenimento e humor, lançando a premissa narrativa associada à identidade da mãe de Ruby.

No entanto, à medida que vamos avançando nos episódios, a qualidade começa a decair, terminando num fecho de temporada que, na minha opinião, fica bastante abaixo das minhas expectativas. Parece-me relevante salientar que existem ideias interessantes, nomeadamente a entidade “One Who Waits”, assim como o misticismo que envolve Ruby e a introdução de Rogue, um caçador de recompensas.

Mas, à semelhança de tantos outros projetos recentes, os argumentistas caem no erro de introduzir uma agenda inclusiva, que nada acrescenta à narrativa e que ofusca quase por completo os bons episódios que compõem esta temporada. Ncuti Gatwa tem bastante carisma, algo que faltou a Jodie Whitaker, mas que deve ser espontâneo e, na minha opinião, existem vários momentos forçados que não ajudam ao desenvolvimento da narrativa ou da personagem.

Dito isto, e como sou um optimista por natureza, vou dar uma nova oportunidade a Russell T. Davies. Diria que os fãs da série original e mesmo do reboot de 2004 estão algo alienados desta visão, que tem potencial para converter Gatwa num digno sucessor de Tennant, Smith e Capaldi, que foram de longe os melhores desta era moderna.

Caso pretendam acompanhar esta temporada, a mesma encontra-se disponível via Disney +. Para terminar, convido-vos a partilhar a vossa opinião e contrapor alguns dos argumentos que mencionei.

Doctor Who: Christmas Special 2023

O sexagésimo aniversário desta franquia foi assinalado com pompa e circunstância, trazendo de volta o mítico David Tennant e Catherine Tate. Este especial é composto por três episódios, que culminam com a entrada em cena do décimo-quinto Doutor, Ncuti Gatwa.

O primeiro episódio, intitulado “The Star Beast”, apresenta-nos uma criatura de nome Meep, que aparenta estar a ser perseguido por duas facções militares. O Doutor regressa a Londres, onde reencontra Donna, que continua sem qualquer memória das suas aventuras passadas. Escusado será dizer que uma sequência de eventos vai colocar este duo no centro da ação, culminando numa decisão inesperada do nosso herói, de forma a evitar que a nave espacial destrua a cidade.

O Doutor continua a ter uma crise existencial, incapaz de perceber o motivo pelo qual reverteu a sua aparência para a décima versão da sua existência. A narrativa culmina com um impasse, que catapulta o Doutor e Donna para uma zona desconhecida do espaço. O segundo episódio, Wild Blue Yonder,  decorre a bordo de uma nave especial, que aparenta estar abandonada. A TARDIS desaparece misteriosamente e o duo vê-se na necessidade de explorar a nave, que é habitada por duas estranhas criaturas, que conseguem mudar de forma e aparência.

Uma vez mais, sem colocar spoilers, será feita uma ponte para o derradeiro episódio, The Giggle, que reintroduz O Toymaker na narrativa, numa clara homenagem aos quatro episódios de 1966. Patrick Neil Harris tem uma interpretação notável. colocando à prova o Doutor, que inadvertidamente regenera para sua décima quinta versão. De forma original e interessante, a vitória é alcançada e temos uma conclusão inesperada para Donna e o Décimo Doutor, que poderá um dia ser aproveitado em termos narrativos.

No global, este especial de Natal é interessante, embora esteja longe de ser memorável. Diria que o regresso de Tate e Tennant são os momentos mais marcantes e  que o primeiro episódio me parece ser o mais forte. Dito isto, pouco se viu do novo Doutor, pelo que será complexo partilhar uma opinião do que poderemos ter após a era de Jodie Whittaker.