Star Trek: Discovery T.2

A segunda temporada está muito bem conseguida, essencialmente pelo facto de ter (finalmente) uma identidade própria. A narrativa tem o dom de transportar as personagens mais relevantes da primeira temporada, adicionando elementos como o Controlo e a Secção 31, para uma missão de pesquisa relacionada com sete misteriosos sinais que apareceram no espaço.

O Capitão Pike é o escolhido para liderar este missão, abandonando a USS Enterprise para o efeito. Há uma preocupação em desenvolver as personagens e contar mais acerca da sua história, como forma de justificar algumas acções que irão ser tomadas.

Como habitualmente, não gosto de colocar spoilers, motivo pelo qual vou ser muito superficial na análise. Apesar de discordar de algumas decisões, a realidade é que a segunda metade desta temporada é extremamente bem conseguida, criando o crescente de emoção e mistério necessário para a batalha final, que lança os eventos para a terceira temporada.

A presença de Spock acaba por ter um efeito positivo na narrativa, assim como saúdo a adição de Leland e Jet Reno, que conferiram uma dinâmica muito interessante enquanto antagonista e membro da tripulação.

A presença de Ash, Saru e Georgiou são fundamentais enquanto complemento para Michael, que assume finalmente o seu papel de personagem principal da série. Discovery está ainda longe de ser um êxito mas a melhoria significativa nesta temporada deixa-me com esperança que estejamos a ir na direcção certa.

Star Trek T.3

A terceira temporada de Star Trek foi lançada em 1968 e, na minha opinião, é a claramente a mais competente da série original. Vamos continuar a acompanhar a missão de cinco anos da USS Enterprise, repleta de novas culturas e adversários dignos de respeito.

Persiste a clara influência da mitologia, com destaque para episódios como Elaan of Troyius ou Requiem for Methuselah, para citar os mais icónicos. A relação entre Kirk, Bones e Spock continua a evoluir, bem complementado por Sulu e Scotty, que ganham um papel mais relevante nesta derradeira temporada.

A série continua sem ter uma narrativa interligada, ao bom estilo da época, sendo clara a aposta no modelo “monster of the week”, que acaba por funcionar excepcionalmente bem. O mais curioso é que foi muito agradável revisitar a série original e constatar que envelheceu de forma positiva, como um bom vinho.

O último episódio, Turnabout Intruder, é um claro exemplo do que referi nos parágrafos anteriores, aliando uma narrativa de qualidade a elementos básicos de ficção científica. Star Trek é a primeira série do género que concilia personagens cativantes com mensagens subliminares sobre temas muito reais, que visam educar o público alvo.

Só posso recomendar que invistam tempo nesta série de culto, que marcou gerações e que merece toda a vossa atenção.

Star Trek: Discovery T.1

O sucesso originado pelo reboot da franchise no cinema levou a que a CBS apostasse em Discovery, que assenta numa visão mais sombria da Federação, com a evidente componente de acção, que é uma constante ao longo da primeira temporada.

A introdução das personagens é longa e assenta na tentativa de unificação do império Klingon, por T’Kuvma, que tem uma nave com a capacidade de se camuflar. De forma completamente aleatória, a USS Shenzhou acaba por detectar essa nave, alertando a Federação e criando um impasse que ficará conhecido com a Guerra das Estrelas Binárias.

Dezenas de naves entram em conflito, gerando inúmeras baixas em ambos os lados e as acções de Burnham levam a que sua Capitã acabe por falecer, ás mãos de T´Kuvma. A narrativa avança alguns meses e vamos acompanhar o percurso de Burnham, que foi expulsa da Federação e condenada por motim.

Misteriosamente, a USS Discovery, comandada pelo Capitão Lorca vai solicitar os serviços de Burnham, com o intuito de ajudar com um projecto secreto, que assenta na utilização de esporos para navegar pelo espaço a velocidades quase instantâneas.

Existem muitas missões paralelas e os eventos que parecem não ter qualquer relação correlativa vão fazer sentido no final da temporada. Em termos de personagens, Discovery é francamente diferente, apesar de manter alguns dos seus clichés. Um dos pontos mais criticados é o seu posicionamento na timeline do universo Star Trek, algo que continua a ser debatível, embora seja esta a cronologia oficial:

  • Star Trek: Enterprise (2151-2161)
  • Star Trek Discovery (2255)
  • Star Trek (2265-2269)
  • Star Trek: The Animated Series (2269-2270)
  • Original Star Trek movies (2273-2293)
  • Star Trek: The Next Generation (2364-2370)
  • Star Trek: Deep Space Nine (2369-2375)
  • Star Trek: Voyager (2371-2378)

Como habitualmente, os meus artigos de opinião não divulgam spoilers mas no geral considero esta temporada uma lufada de ar fresco, embora discorde de algumas decisões.

A tecnologia utilizada é vastamente superior em comparação com a série original, assim como a fisionomia dos Klingons, o que poderia fazer sentido caso outras espécies tivessem seguido o mesmo caminho, algo que não ocorre (exemplo: Vulcans e Andorians).

Foi um risco a direcção tomada nos derradeiros cinco episódios mas a realidade é que funcionou, restando saber se voltaremos a tocar nalguns temas que ficam claramente por resolver. O trailer para a segunda temporada já foi disponibilizado na Comic Con e confirma a presença do Capitão Pike, assim como a premissa principal da narrativa, que vai envolver Spock.

Qual é a vossa opinião acerca desta nova série? São Trekkies tradicionalistas ou acreditam no sucesso do projecto?