The Great Flood

Gu An-na é uma engenheira de software que se dedica ao desenvolvimento de inteligência artificial. O seu marido faleceu recentemente num acidente de viação, o que a leva a focar-se no seu trabalho e em Shin Ja-in, o seu filho de seis anos.

O primeiro acto introduz um mundo à beira do colapso, em que a população vive em complexos de apartamentos bastante altos, de forma a evitar as inundações que fustigam a área. Lentamente, vamos obtendo pequenos detalhes, que nos permitem formar o puzzle e compreender exactamente a situação.

Sem revelar pormenores, adianto que An-na vai ter de lutar pela sobrevivência, dado que o prédio vai ser violentamente afectado por uma onda. O Darwin Center envia Son Hee-jo para a resgatar, dado que o seu trabalho é fundamental para garantir a sobrevivência da raça humana, por motivos que não vou revelar.

A premissa de The Great Flood é muito interessante, mas confesso ter ficado desiludido com o facto de terem revelado demasiado cedo o que está efetivamente a acontecer. Diria que estamos perante uma simbiose entre um drama e um disaster movie, em que os protagonistas tentam desesperadamente encontrar uma saída para algo que aparenta ser insuperável.

As interpretações são competentes e a narrativa é fluida, convertendo este filme numa experiência agradável. Parece-me ser relevante salientar que moderem a vossa expectativa, até porque o desfecho deixa em aberto a possibilidade de uma sequela.

Caso estejam interessados, podem assistir em território nacional através da Netflix.

Mediano
64%

Tower Of God T.1

Esta adaptação da manhwa de S.I.U. tem uma temporada inicial muito interessante e que acompanha as aventuras de Twenty-Fifth Bam.

O mundo introduzido é distópico e assenta numa gigantesca Torre, que alberga inúmeros desafios. Bam passou a sua curta vida habitando as cavernas por debaixo da estrutura, na companhia de Rachel. Após o seu misterioso desaparecimento, decide entrar na Torre, com o objetivo de subir até ao topo.

Esta é a premissa de Tower of God, que assenta numa competição em que apenas os mais astutos conseguem desvendar os segredos da Torre.

Lentamente, Bam vai recrutando aliados para a sua causa, que se sentem atraídos pela sua genuinidade e inocência. Tomamos igualmente conhecimento do Shinsu, um elemento mágico que é utilizado e dominado por alguns das espécies que habitam a Torre. Os testes são focados na força física, trabalho em equipa e inteligência, com o objetivo de qualificar apenas os mais fortes para o piso seguinte.

Existem designações distintas, mais especificamente os Regulars, que são os concorrentes escolhidos para a tarefa, os Irregulars, que são anomalias raras que conseguem entrar na Torre e os Rankers, que essencialmente são Regulars que alcançaram o topo e servem King Jahad, o líder das Ten Great Families, que habitam o último piso.

O anime está bem conseguido e introduz várias personagens interessantes, das quais destaco Khun, Anaak e Rak Wraithraiser. O enquadramento deste universo é realizado de forma lenta e subtil, precisamente com o intuito de nos surpreender, no final da temporada, com um momento que irá alterar a dinâmica da narrativa.

Mas essa será uma análise a realizar no artigo acerca da segunda temporada. No imediato, fica a minha recomendação para este surpreendente anime.

O formato digital veio para ficar?

Tive o privilégio de nascer em 1978, numa era em que a ditadura já tinha terminado. Fui uma criança na década de 80 e as memórias mais marcantes foram os clubes de vídeo, o ZX Spectrum e a abertura cultural de Portugal ao mundo. Paralelamente, fui exposto a uma Famicon, proveniente de Macau e a um Phillips MSX, o que me abriu os horizontes e alimentou a minha paixão por videojogos.

Seguiu-se a década de 90 como adolescente, com a compra da minha primeira consola (Mega Drive) e, mais tarde, a introdução do mundo do PC. Pelo meio, a minha paixão pela música levou-me na direção do grunge e para os Smashing Pumpkins, para além dos clássicos Sisters of Mercy, Dire Straits e Pink Floyd.

Os 18 anos introduziram-me ao mercado de trabalho, garantindo a aquisição da primeira Playstation e promovendo a tradição de visitar regularmente a feira da Ladra, onde adquiri vários modelos de Gameboy.

Esta longa introdução serve para contextualizar a minha ligacáo aos videojogos. Se nos tempos áureos de Spectrum a minha coleção superava os 300 jogos, a realidade foi bem diferente com as consolas, o que ajudou a valorizar os poucos títulos que conseguia adquirir.

Quando celebrei os meus 26 anos, adquiri uma PS2 e fui acumulando algumas consolas, tais como a Wii, Xbox 360, Nintendo DS e NES, com uma biblioteca em crescimento constante.

Quem acompanha este espaço sabe que acabei por tomar a decisão de vender este espólio de consolas e handhelds, para me focar em construir uma biblioteca curta, que se focou inicialmente na Xbox One e mais tarde, na Nintendo Switch.

E assim chegamos a este momento, em que tenho um backlog considerável, repleto de jogos incríveis e que me garantem anos de diversão. Vivemos uma era em que o foco está constantemente no que vem a seguir, o que, na minha opinião, nos impede de maximizar a experiência. A ideia para este artigo surge precisamente em seguimento do lançamento da pré-reserva para o GTA 6. Sou completamente contra esta tendência do digital, dado que impede a preservação dos videojogos, mas compreendo que caminhamos a passos largos para este cenário.

Esta abordagem de “you will own nothing and like it” não é para mim, mas há que respeitar. A minha decisão é simples: aproveitar a biblioteca atual, adicionar alguns títulos (físicos) que me possam interessar, limitado a um máximo de três jogos por ano.

Não tenho planos de comprar consolas a curto ou médio prazo, pelos motivos acima mencionados. E no que diz respeito a entretenimento, tenho uma longa lista de videojogos, filmes, séries e livros para descobrir e revisitar.

Em suma, podem contar com muito conteúdo durante os próximos anos de vida deste espaço, com a recorrência que tem sido habitual. Para terminar, fica o desafio de partilharem a vossa opinião acerca do formato fisico vs digital.