The Centurions

Os anos 80 estão repletos de desenhos animados épicos, que marcaram a minha geração. Um dos maiores casos de popularidade foi sem dúvida The Centurions, que nos transportou para o século XXI, numa era em que os ciborgues tentam conquistar o planeta Terra. O conceito e design ficou a cargo de Norio Shioyama, que teve a colaboração de duas lendas dos comics books, mais precisamente Jack Kirby e Gil Kane.

Os protagonistas são o vilão Doc Terror, que com a ajuda do seu braço direito, Hacker, tenta derrotar a equipa de elite composta por Max Ray, Jake Rockwell e Ace McCloud. A premissa assenta numa estação espacial, denominada como Sky Vault, que tem a tecnologia necessária para tele-transportar armaduras para os fatos (exo-suits) que os nossos heróis possuem.

Crystal Kane é o quarto elemento da equipa, que controla as operações na estação, garantindo o sucesso das mesmas. Cada um dos Centuriões tem uma especialidade, que se foca nos elementos Terra, Água e Ar. A narrativa é um produto da sua era, assentando na lógica de “monster of the week”, embora existam episódios com continuidade, a partir da segunda metade da temporada.

Adicionalmente, teremos a introdução de dois novos Centuriões, Rex Charger e John Thunder, com o objetivo de criar diversidade e cativar novos espectadores. O exército de ciborgues sofre igualmente vários upgrades, dos quais destaco os drones traumatizers, strafers, groundbourgs, cybervore panther, e shark.

Contem com 65 episódios, repletos de ação e com muito humor, que garantem o entretenimento e despertaram a minha nostalgia. Recordo-me perfeitamente das manhãs de domingo, em que consumia desenhos animados de forma ininterrupta. Honestamente, continuo a ser um fã desta série e recomendo que invistam tempo a revisitá-la. Caso nunca tenham assistido, fica a sugestão, embora reconheça que possa não agradar aos mais novos, que estão habituados a outra animação e narrativa.

Estou convicto que no final vão poder encarar o lema “PowerXtreme” com um sorriso nos lábios.

Day Shift

Bud Jablonski tem um negócio de limpeza de piscinas, que é uma fachada para a sua verdadeira ocupação: caçar vampiros. Esta premissa pressupõe o típico b-movie, com uma pitada de humor e algumas cenas gore, sendo precisamente isso que ocorre, durante os 114 minutos de Day Shift.

J.J. Perry é o realizador deste filme, que garante entretenimento, sem nunca se levar demasiado a sério. O primeiro acto introduz o nosso herói, numa cena épica, que será fundamental para o desenvolvimento da narrativa. Após derrotar dois vampiros, Jablonski recolhe os dentes caninos, para posterior venda no mercado negro. É nesta altura que somos enquadrados acerca do seu passado, que resultou na expulsão do Sindicatos de Caçadores, por desrespeito ás regras.

Com a preciosa ajuda do seu ex-parceiro, Big John Elliot, o nosso herói consegue uma vaga no turno diurno, com o objetivo de pagar algumas dívidas e impedir a mudança da sua família para a Florida. Conforme mencionei no parágrafo inicial, o humor é uma constante, o que viabiliza o clássico parceiro inexperiente, que tem uma obsessão por seguir as regras.

O elenco é liderado por Jamie Foxx, mas conta igualmente com Dave Franco, Karla Souza e Meagan Good, sem esquecer a participação especial de Snoop Dogg, Scott Adkins e Peter Stormare. Como é apanágio, vou evitar os spoilers mas se procuram duas horas de diversão, sem grande densidade narrativa, Day Shift é uma escolha incontornável.

Este filme está disponível via Netflix e até ao momento não existem planos para uma sequela. 

Mediano
68%

The Flash

A DCU revelou-se um fracasso, apesar de alguns projectos bem sucedidos, mais especificamente Wonder Woman e Aquaman. Com a entrada de James Gunn, este filme de Flash marca o fim de uma era, com o reboot da franquia.

Confesso que a minha expectativa para este filme era muito baixa, mas tentei ser optimista e dar uma oportunidade a Ezra Miller, do qual não sou fã. A premissa incide em regressar ao passado e evitar que a sua mãe seja assassinada, algo não é do agrado de Bruce Wayne, que alerta para as inevitáveis alterações na linha do tempo.

O primeiro acto conta com participações breves de Batman, Alfred e Wonder Woman, o que se revelou um dos pontos mais altos deste filme. Posteriormente, a ação decorre no passado, numa realidade em que Nora Allen sobrevive e Barry nunca teve poderes. É nesta fase que o filme decresce radicalmente de qualidade, centrando-se em momentos cómicos que envolvem ambos os Barry Allen, com a inevitável adição de Michael Keaton, que repete o papel de Batman, no saudoso filme de 1989.

Na minha opinião, o factor nostalgia ajuda a superar uma narrativa sofrível, com um CGI inqualificável para um projeto desta magnitude e que pouco ou nada acrescenta ao plano de reboot. As cenas de ação são medianas e o terceiro acto tem alguns momentos de fan service, que envolvem alguns actores icónicos de heróis da DC, algo que é manifestamente insuficiente para elevar este projecto a algo que consiga recomendar.

Estamos perante mais uma decisão estranha da Warner Bros, que prescinde de nomes sonantes como Cavill, Affleck, Gadot e Momoa, para investir num plano de dez anos que terá poucas probabilidades de sucesso. E no derradeiro filme que poderia e deveria inspirar-se no clássico da BD Crisis on Infinite Earths, acabamos por ter uma amálgama de ideias, em que a presença de Michael Keaton e Sasha Calle acabam por ser uma lufada de ar fresco.

A minha sugestão passa por aguardarem pela entrada deste título na HBO Max, se realmente fizerem muita questão de investir duas horas e trinta minutos neste filme.  É com muita pena que assisto ao fim desta versão da DC, que tinha potencial para ser francamente melhor, caso existisse um plano que englobasse argumentos de qualidade e que culminasse na criação da Justice League.

Mediano
60%