John Wick 2

Confesso que o primeiro filme me apanhou completamente de surpresa, tornando-se num “instant classic”. Nesta sequela, acompanhamos a vida de John, quatro dias após os eventos da aventura original.

A primeira cena é absolutamente soberba, elevando Wick a uma categoria de badass que está somente reservada a Deuses como “John McClane, Dirty Harry ou John Rambo”. Depois dessa descarga inicial de testosterona, temos a premissa da narrativa: o pagar de uma promessa (marker) feita a um Mafioso, de nome Santino D’Antonio.

John é forçado a assassinar a líder da Camorra, que é irmã de D´Antonio, para evitar que o código de honra seja quebrado, o que colocaria a sua cabeça a prémio. Escusado será dizer que o vai fazer sem grande dificuldade, ficando reservado o resto do filme para a sua vingança, que assume proporções ÉPICAS.

Gostei francamente de rever Keanu Reeves e Laurence Fishburne a trabalhar em conjunto, assim como a presença de Common (Cassian) e Ruby Rose (Ares), que são dois dos antagonistas mais ferozes de John Wick 2.

Contem com cenas over the top, sempre com a serenidade habitual do nosso anti-herói, que parece ser imune a balas ou tentativas de assassinato. A sua relação com Winston, o gerente responsável pelo Hotel Continental, é igualmente abordada, sendo muito interessante a cena final, em que John fica a saber que foi banido do Hotel, por ter quebrado o código de conduta (sem spoilers).

Nessa altura, é lançado o enquadramento para o terceiro filme, com Wick a fugir por Nova Iorque, na companhia do seu fiel cão, após dizer a Winston o seguinte:

“Tell them, tell them all, whoever comes, whoever it is, I’ll kill them, l’ll kill them all…”

Passengers

Num futuro distante, a Humanidade tem a capacidade de colonizar planetas distantes, utilizando a criogenia para as viagens de longa duração. É neste contexto que se inicia Passengers, que nos conta a história de Jim Preston, um mecânico que vai ser acordado do seu sono, devido a uma falha técnica.

O primeiro acto enquadra-nos na dura realidade de Jim, que se encontra sozinho, incapaz de acordar a tripulação e de regressar ao sono criogénico. Lentamente, vamos acompanhando o seu dia a dia, numa tentativa de evitar a solidão, recorrendo a vários tipos de entretenimento e a Arthur, o andróide que gere o bar. Existem segmentos francamente cómicos, bem suportados por diálogos intensos e que nos fazem sentir empatia com a situação.

Estamos perante um bom filme, que tenta retratar a claustrofobia e a capacidade de sobrevivência do ser humano, colocando o nosso “anti-herói” numa situação quase impossível. Vou evitar os spoilers, mas posso adiantar que vão existir mais duas pessoas a acordar, nomeadamente Aurora Lane (uma escritora) e Gus Mancuso, um dos membros da tripulação.

Temos uma sociedade estratificada, em que o estatuto social e a capacidade financeira permitem regalias aos 5.000 passageiros, sendo evidente a desigualdade entre Aurora e Jim, o que cria algumas situações caricatas. O filme vai-se tornando mais sério, sobretudo no acto final, com a necessidade de encontrar a anomalia que está lentamente a destruir os sistemas internos da nave, colocando em risco a segurança de todos.

No geral, gostei bastante de Passengers, pela sua abordagem leve e diferente do que tem saído ultimamente em termos de ficção científica. Está longe de ser inovador, mas tem boas interpretações de Chris Pratt e Jennifer Lawrence. Sugiro que dêem uma oportunidade a este filme, se são fãs do género.

Ghost in the Shell

A manga de Masamune Shirow teve finalmente direito a adaptação cinematográfica, contando com Scarlett Johansson no papel de Major. A narrativa apresenta-nos um futuro distante, em que acompanhamos a Secção 9, uma equipa que se dedica à captura de cyber-terroristas.

Vamos progressivamente conhecendo o passado de Major, que habita um corpo cibernético, retendo apenas o cérebro humano. Com o aparecimento de Kuze, um terrorista que elimina cientistas ligados ao projecto 2571, surgem dúvidas acerca das reais intenções deste departamento, revelando uma conspiração que pode chegar ao topo da pirâmide.

Gostei particularmente do Mundo que nos é apresentado, repleto de upgrades cibernéticos e tecnologia, mas que mantém alguns elementos tradicionais, conferindo um contraste necessário. Destaco a humanização de Batou, sobretudo com a referência à raça de basset-hound, numa homenagem simbólica à manga original.

Como seria expectável, as cenas de acção estão bem conseguidas, cumprindo a sua função. Existe um equilíbrio harmonioso entre a acção e narrativa, o que é francamente positivo, mas no geral, falta algo memorável no acto final do filme.Não estamos perante o típico vilão, nem existe uma batalha épica para definir a narrativa, o que comprova que Ghost in the Shell tenta ser algo diferente.

Pessoalmente, considero que o resultado final é mediano mas enquanto adaptação ocidental de manga, diria que é um dos melhores projectos. Como tal, apenas posso recomendar a quem é fã da obra de Masamune Shirow.