Passengers

Num futuro distante, a Humanidade tem a capacidade de colonizar planetas distantes, utilizando a criogenia para as viagens de longa duração. É neste contexto que se inicia Passengers, que nos conta a história de Jim Preston, um mecânico que vai ser acordado do seu sono, devido a uma falha técnica.

O primeiro acto enquadra-nos na dura realidade de Jim, que se encontra sozinho, incapaz de acordar a tripulação e de regressar ao sono criogénico. Lentamente, vamos acompanhando o seu dia a dia, numa tentativa de evitar a solidão, recorrendo a vários tipos de entretenimento e a Arthur, o andróide que gere o bar. Existem segmentos francamente cómicos, bem suportados por diálogos intensos e que nos fazem sentir empatia com a situação.

Estamos perante um bom filme, que tenta retratar a claustrofobia e a capacidade de sobrevivência do ser humano, colocando o nosso “anti-herói” numa situação quase impossível. Vou evitar os spoilers, mas posso adiantar que vão existir mais duas pessoas a acordar, nomeadamente Aurora Lane (uma escritora) e Gus Mancuso, um dos membros da tripulação.

Temos uma sociedade estratificada, em que o estatuto social e a capacidade financeira permitem regalias aos 5.000 passageiros, sendo evidente a desigualdade entre Aurora e Jim, o que cria algumas situações caricatas. O filme vai-se tornando mais sério, sobretudo no acto final, com a necessidade de encontrar a anomalia que está lentamente a destruir os sistemas internos da nave, colocando em risco a segurança de todos.

No geral, gostei bastante de Passengers, pela sua abordagem leve e diferente do que tem saído ultimamente em termos de ficção científica. Está longe de ser inovador, mas tem boas interpretações de Chris Pratt e Jennifer Lawrence. Sugiro que dêem uma oportunidade a este filme, se são fãs do género.

Ghost in the Shell

A manga de Masamune Shirow teve finalmente direito a adaptação cinematográfica, contando com Scarlett Johansson no papel de Major. A narrativa apresenta-nos um futuro distante, em que acompanhamos a Secção 9, uma equipa que se dedica à captura de cyber-terroristas.

Vamos progressivamente conhecendo o passado de Major, que habita um corpo cibernético, retendo apenas o cérebro humano. Com o aparecimento de Kuze, um terrorista que elimina cientistas ligados ao projecto 2571, surgem dúvidas acerca das reais intenções deste departamento, revelando uma conspiração que pode chegar ao topo da pirâmide.

Gostei particularmente do Mundo que nos é apresentado, repleto de upgrades cibernéticos e tecnologia, mas que mantém alguns elementos tradicionais, conferindo um contraste necessário. Destaco a humanização de Batou, sobretudo com a referência à raça de basset-hound, numa homenagem simbólica à manga original.

Como seria expectável, as cenas de acção estão bem conseguidas, cumprindo a sua função. Existe um equilíbrio harmonioso entre a acção e narrativa, o que é francamente positivo, mas no geral, falta algo memorável no acto final do filme.Não estamos perante o típico vilão, nem existe uma batalha épica para definir a narrativa, o que comprova que Ghost in the Shell tenta ser algo diferente.

Pessoalmente, considero que o resultado final é mediano mas enquanto adaptação ocidental de manga, diria que é um dos melhores projectos. Como tal, apenas posso recomendar a quem é fã da obra de Masamune Shirow.

Guardians of the Galaxy Vol.2

A primeira aventura dos Guardiões da Galáxia foi memorável, chegando ao ponto de ser um dos melhores filmes da Marvel até ao momento. Como tal, a fasquia para esta sequela era francamente elevada, mas James Gunn consegue apresentar mais uma aventura épica, consolidado com um argumento sólido e que privilegia o humor, muito à semelhança do original.

A narrativa gira em torno de Ego, o alegado Pai de Starlord, que regressa ao fim de muitos anos para se reunir com Peter. Paralelamente, também vamos acompanhar a vingança dos Sovereign, mais concretamente de Ayesha, que tenta punir a todo o custo um furto realizado por Rocket na sequência inicial do filme.

Segue-se uma curta cena, em que temos o privilégio de conhecer Stakar Ogord (Sylvester Stallone), o líder dos Ravagers, responsável pela ostracização de Yondu. A narrativa está repleta de referências ao anos 80, apresenta um humor contagiante e reparte a acção em duas aventuras paralelas, que funcionam muito bem, complementando o acto final de forma soberba.

Saliento que há muita informação e easter-eggs neste filme, que tentam lançar o Volume 3, mas sobretudo Infinity Wars. Existe igualmente a preocupação de desenvolver as personagens, nomeadamente a ligação de Drax e Mantis, a relação entre Gamora e Nebula e a necessidade de Yondu se redimir e conquistar o respeito dos Ravagers.

O último acto é fantástico, com uma batalha épica, repleta de drama, mas com humor necessário para terminar com uma nota extremamente positiva. Apesar de ser um filme diferente do original, o Volume Dois dos Guardiões da Galáxia é sem dúvida o melhor que vi em 2017. Acredito no entanto, que vá receber algumas críticas dos fiéis à banda desenhada, porque existe uma adaptação extrema no que concerne a Ego, Ogord e Ayesha, para citar alguns exemplos.

Recomendo que aguardem pelo fim dos créditos finais, onde terão acesso a cinco cenas, com destaque para a menção a Adam Warlord (Hell Yeah, não podia haver Infinity Wars sem ele) e a aparição dos The Watchers, numa cameo de Stan Lee.