Logan

Sou um enorme fã dos X-Men, mas sobretudo de Wolverine, que é sem sombra de dúvida o meu super-herói preferido. A Marvel conseguiu criar uma personagem cativante, que apresenta uma história rica em mistério, nunca perdendo a sua vertente selvagem, associado à Weapon X.

O casting de Hugh Jackman foi absolutamente perfeito mas faltava, até agora, um filme a solo que captasse a essência do Wolverine. Pois muito bem, Logan cumpre essa premissa com distinção, apresentando-nos um anti-herói consumido pelo tempo e com graves problemas psicológicos e físicos.

A narrativa decorre em 2029, numa realidade em que os mutantes foram irradiados da face da Terra, salvo raras excepções. Logan vive escondido entre a população, ao volante de uma limusine, que utiliza como forma de subsistência. Charles Xavier encontra-se sob o cuidado médico de Caliban (Stephen Merchant), um albino que tem o poder de sentir outros mutantes.

Vamos igualmente conhecer Laura (Dafne Keen), uma menina que foi criada com o DNA de James Hewlett e cuja personagem é claramente inspirada em X-23, uma banda desenhada que teve muito sucesso no início de 2004. A abordagem utilizada por Mangold é soberba, focando a atenção no efeito que o envelhecimento teve em Xavier e Logan, conseguindo humanizar as personagens e garantir empatia com o espectador. Quem diria que gostaríamos de ver um Professor Xavier a lutar contra a demência e um Wolverine a morrer lentamente por exposição contínua ao adamantium?

A forma como vai evoluindo a relação de amizade e cumplicidade entre este trio é quase perfeita, culminando com um acto final repleto de emotividade mas que deixa uma sensação de dever cumprido. Aliás, diria que Logan é a homenagem que Wolverine merecia por parte da Marvel, apesar de ser essencialmente uma história de vida, em detrimento de um mero filme de acção.

O facto de não existir uma cena pós créditos finais torna o fecho deste capítulo como uma metáfora a roçar a perfeição, evitando uma saída fácil para algo que é um fim de ciclo para Hugh Jackman enquanto Wolverine.

The Great Wall

A Muralha da China é uma das Sete Maravilhas do Mundo e faz parte do imaginário de várias histórias e lendas chinesas. Esta mega produção, realizada por Zhang Yimou, traz-nos a história de um grupo de mercenários, que procuram confirmar a existência de um pó negro (pólvora), com capacidades bélicas inigualáveis.

A narrativa situa-se no auge da Dinastia Song, abordando o ressurgimento dos Taotie, uma raça proveniente de um cometa e que ataca em períodos de sessenta anos, para castigar o Imperador pela sua ganância.

Matt Damon é William, um mercenário que lutou por várias bandeiras e crenças, sendo acompanhado pelo seu amigo Tovar. Ao serem capturados pelo Exército da Ordem sem Nome, os nossos anti-heróis vão ser confrontados com uma batalha sangrenta, contra um inimigo brutal e que procura ultrapassar a muralha, de forma a dizimar a Capital e o Imperador.

Visualmente, o filme tem uma excelente fotografia, assim como muito CGI, mas consegue ser competente, apresentando algum engenho e criatividade na forma como retrata o General Shao, o Estratega Wang e todo o exército. Como não podia deixar de ser, há uma notória sensação de dever e honra, com os habituais sacrifícios de cliché, aliada a excelentes coreografias de batalha.

Em suma, The Great Wall é um filme repleto de acção, com pouca preocupação com o enredo ou desenvolvimento de personagens. Está longe de ser brilhante, mas se procuram um verdadeiro “filme-pipoca” , esta é uma boa escolha.

Kong: Skull Island

O início deste filme tem como pano de fundo uma “dogfight”, entre um piloto americano (Hank Marlow) e um nipónico (Gunpei Ikari), que termina com o aparecimento de Kong, em plena Skull Island. A premissa desta aventura assenta na descoberta da ilha, por parte de uma organização do Governo Americano, de nome Monarch.

Segue-se o processo de recrutamento da expedição, que inclui cientistas, uma fotógrafa de guerra, membros do exército americano, liderados pelo Tenente Coronel Preston Packard e o Capitão James Conrad, um batedor das Forças Especiais Britânicas.

Temporalmente, a acção decorre imediatamente após a guerra no Vietnam, sendo notória a tentativa de obter um feel “Apocalypse Now”. Assim que a equipa entra na Ilha, temos o primeiro confronto com Kong, que consegue dizimar as forças americanas, assim como os helicópteros, eliminando o único meio de transporte disponível para a extracção.

Segue-se uma verdadeira luta pela sobrevivência, em que vai lentamente vamos descobrindo o papel de Kong no ecossistema da Ilha. A abordagem utilizada é muito semelhante a Godzilla, funcionando com uma forma de equilíbrio natural entre as várias espécies.

Os nossos heróis vão encontrar uma tribo local, assim como um sobrevivente da Segunda Grande Guerra, que lhes dará a conhecer os Skullcrawler, uma raça que vive no subsolo e que foi despertada pelas cargas sísmicas e explosões realizadas pelas forças militares.

No último acto da narrativa, temos a batalha final entre Packard, Kong e o Skullcrawler, assim como a tentativa de chegar à parte norte da Ilha, onde podem ser resgatados por um transporte aéreo. No global, estamos perante um filme competente, fluido e com excelentes cenas de acção. Em termos de interpretações, destaque para John C. Reilly e Samuel L. Jackson, que conferem aquele toque extra de classe.

Recomendo apenas que aguardem pelo final dos créditos, dado que existe uma cena que sugere uma sequela, mas focada em Godzilla (temos igualmente imagens de Rodan, Mothra e King Ghidorah).