F9

Dominic Toretto está de regresso para uma nova aventura, que se encontra ligada ao seu passado. Como habitualmente, o foco principal é a família, mais especificamente o regresso do seu irmão Jakob. Passaram dois anos desde o embate com Cypher e tudo aparenta estar a correr bem, até ao momento que Mr Nobody envia um vídeo em que se confirma a fuga da hacker, graças á intervenção do seu irmão.

A partir desse momento e ao bom estilo da franquia, vamos ter cenas de testosterona pura, que envolvem acrobacias impossíveis com veículos e inclusivamente uma ida ao espaço. Esta saga foca-se no entretenimento, atingindo o expoente máximo neste nono filme, combinando algum humor com ação constante.

A narrativa é francamente previsível e as interpretações são dentro da linha habitual. F9 conta com o elenco tradicional (Vin Diesel, Michelle Rodriguez, Tyrese Gibson, Ludacris, Jordana Brewster), complementado com Charlize Theron, Helen Mirren e Kurt Russell.

Sem entrar em detalhe, temos igualmente o regresso de três personagens relevantes, num filme que garante diversão durante 143 minutos. Na minha opinião, F9 é um dos filmes mais fracos da saga, assente numa narrativa fraca e que tem um terceiro acto muito apressado e com um desfecho pouco satisfatório.

Dito isto, ficamos a um filme da conclusão da saga, que deverá ser disponibiilizado em 2024 e que conta com Brie Larson e Jason Momoa.

Mediano
62%

Zombie Tidal Wave

Após o sucesso da saga Sharknado, Ian Zering está de regresso para enfrentar algo diferente: uma ameaça zombie. A ação decorre em Emrys Bay, uma zona paradisíaca que se vê infestada por mortos-vivos, que aparentam estar a emergir dos destroços de um navio.

Hunter Shaw, Ray McCray e a sua afilhada Jada são atacados a bordo do seu barco. Após conseguirem libertar-se do zombie, constatam que Jada foi mordida, sendo necessário regressarem a terra e obter cuidados médicos. Esta é a premissa que suporta a propagação do vírus na ilha, com a agravante de existir um tsunami que traz hordas de zombies para terra.

Zombie Tidal Wave é o típico “filme série Z”, que é tão mau que se converte em algo bom. A narrativa e as interpretações são algo secundário, sendo relevante o ridículo das cenas de ação e os métodos utilizados para ultrapassar a crise. Nesse aspecto, este projeto é inferior a Sharknado, mas garante entretenimento para quem se identifica com este género.

Para os restantes, diria que é um filme a evitar, pelos motivos acima indicados. A personagem de Hunter Shaw não atinge o nível de Fin Shepard mas consegue ser “competente” ao longo desta aventura. À data de publicação deste artigo, não existe confirmação de uma sequela.

Mau
50%

Nope

Jordan Peele é o responsável por um dos projetos mais interessantes de 2022. Nope retira, na minha opinião, clara inspiração de filmes como Encontros Imediatos do Terceiro Grau, Signs e Evangelion. Ao longo da narrativa existem várias referências a momentos de cultura pop, com uma homenagem evidente a Akira, que curiosamente foi um dos projetos recusados pelo realizador.

Ao longo de cinco capítulos (Ghost, Clover, Gordy, Lucky e Jean Jacket) vamos conhecer as personagens principais, assim como a premissa do filme. O primeiro acto introduz uma sitcom, denominada Gordy´s Home, que termina com um ataque brutal de um dos animais. Esta introdução será fundamental para o desenrolar da narrativa, que se centra no drama pessoal da família Haywood.

Otis Haywood Senior é atingido mortalmente por uma moeda projectada do céu, que alegadamente terá sido resultado de um acidente com um drone. OJ Jr. fica encarregue do negócio, que consiste em domesticar cavalos para utilização no meio cinematográfico de Hollywood. Lentamente, vamo-nos apercebendo da natureza bizarra de Nope, que introduz um rancho próximo dos Haywood, mais conhecido por Jupiter´s Claim.

O dono desse rancho é o actor sobrevivente do ataque na sitcom Gordy´s Home, Ricky “Jupe” Park, que pretende adquirir a propriedade do clã Haywood, por motivos que serão desvendados ao longo do filme. Após um ataque à sua propriedade, os irmãos resolvem adquirir cameras de vigilância, com o objetivo de documentar e rentabilizar o conteúdos nas redes sociais ou na televisão.

Ao bom estilo de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, as quebras de electricidade identificam a presença da entidade, que se encontra escondida nas nuvens. As primeiras aparições dão a entender uma semelhança evidente com o clássico OVNI mas, lentamente, vamos ter consciência de algo mais complexo. Gosto particularmente da incorporação da música na narrativa, assim como os momentos de tensão que antecedem os ataques.

No que diz respeito a interpretações, o elenco é curto mas de qualidade. Daniel Kaluuya e Keke Palmer são os actores principais, mas tenho igualmente de destacar a presença de Steve Yeun, Michael Wincott e Brandon Perea, que são absolutamente fantásticos. Nope é claramente um projeto que vai dividir opiniões, deixando a  interpretação dos eventos para o espectador.

É sem dúvida um filme que recomendo, especificamente pela fotografia e interpretação. Adicionalmente, faz uma homenagem aos elementos secundários da indústria cinematográfica, para além das inúmeras referências a vários momentos chave da cultura pop das ultimas décadas. Caso pretendam, fica igualmente o desafio de iniciarmos uma partilha de ideias acerca deste fantástico projeto de Jordan Peele.

Mediano
71%