Kraven

A minha adolescência foi fortemente marcada pela banda desenhada, mais especificamente os X-Men e Homem-Aranha. Conforme já referi algumas vezes, era frequente comprar BD usada, quando passava o verão na praia da Costa da Caparica.

Esta curta introdução serve para enquadrar o meu entusiasmo por este filme, que seria a introdução do meu vilão preferido de Peter Parker. Kraven é o sexto filme da SSU (Sony’s Spider-Man Universe), que se revelou um fracasso de proporções épicas até ao momento.

O primeiro acto introduz a premissa narrativa, mostrando a forma como Sergei Kravinoff obtém os seus poderes e a sua decisão de abandonar a família, que tem uma ligação estreita ao tráfico de drogas. Apesar do seu afastamento, Sergei mantém uma ligação ao seu irmão, Dmitri, que será explorada ao longo da narrativa.

Aaron Taylor-Johnson tem uma interpretação competente, mas que se revela insuficiente para elevar este projecto a um patamar relevante. A narrativa é extremamente simples, desenvolvendo pouco as personagens e focando-se excessivamente nas cenas de acção.

Russell Crowe é uma lufada de ar fresco, mas está igualmente condicionado por uma personagem genérica, com o típico protótipo de pai russo. E o vilão, Rhino, é reduzido a uma batalha no terceiro acto, que nada acrescenta ao resultado final de um filme que se revelou uma desilusão, à semelhança de todo o SSU.

Na minha opinião, este é o filme menos fraco deste universo, mas que dificilmente merece o investimento de tempo da vossa parte. Existe uma cena final pós-créditos, que introduz uma personagem relevante para uma potencial sequela, que não irá existir.

Mediano
65%

The Fantastic Four: First Steps

A aquisição da 20th Century Fox permitiu finalmente a integração dos Fantastic Four na MCU. O primeiro acto introduz a Terra-828, no ano de 1964, em que Reed Richards e sua família já se estabeleceram como os heróis que protegem o planeta.

Confesso que gostei da forma como esta introdução foi realizada, focando-se em desenvolver as personagens em detrimento da história de origem que todos conhecem. A Future Foundation é o organismo que visa desmilitarizar o planeta, permitindo à Humanidade focar-se no desenvolvimento da nossa espécie.

O status quo vai ser quebrado com a chegada de uma estranha personagem, que se apresenta como o Arauto de Galactus, uma entidade cósmica, que marcou o planeta para extinção. A nossa equipa de super-heróis viaja até ao espaço, numa derradeira tentativa de encontrar uma solução pacífica mas vê-se confrontada com uma decisão impossível: a vida do seu recém nascido filho, Franklin, pela sobrevivência do planeta Terra.

No que fiz respeito a detalhes narrativos, vou ficar por aqui mas parece-me importante salientar a qualidade do casting, em que se destaca Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Ebon Moss-Bachrach e Joseph Quinn. Para quem é fã dos comics, estamos perante uma adaptação fantástica, que capta a essência da primeira família da Marvel.

Vou igualmente realçar o fan service, com pormenores deliciosos tais como a presença de Mole-Man, a forma como Subterranea é utilizada no terceiro acto e o inevitável tributo a Jack Kirby. Existem obviamente algumas adaptações, tais como a introdução de Shalla-Bal em detrimento de Norrin Radd, mas a existência deste universo paralelo acaba por justificar de forma competente as alterações. Acredito piamente que Doomsday vai realizar o reset à MCU, introduzindo os X-Men, Spiderman e Fantastic Four na mesma linha temporal.

O acto final tem a batalha final entre os super-heróis e Galactus, que está francamente bem conseguido a nível de CGI. Temos igualmente um momento marcante, em que são revelados alguns dos poderes de Franklin Richards, algo que poderá a ser explorado em maior detalhe no futuro próximo.

Em suma, First Steps é um filme competente, que acompanha as melhorias registadas com Thunderbolts, o que me faz ter muita esperança para a próxima fase da MCU. Existem duas cenas finais pós-créditos, embora a mais relevante seja a primeira.

Bom
74%

Transformers One

Para quem cresceu na década de 80, a ver os míticos Transformers G1, este era sem dúvida um projecto a acompanhar de perto. Josh Cooley é o realizador desta prequela, que nos mostra as origens de Cybertron, Optimus Prime e Megatron.

A premissa assenta numa era em que os habitantes de Iacon tentam encontrar a Matrix of Leadership, que foi perdida na batalha com os Quintessons. O primeiro acto introduz Orion Pax, um robot que trabalha nas minas e que procura encontrar um rumo para a sua vida, sentindo que o seu potencial lhe permite chegar mais longe.

Somos igualmente confrontados com a estratificação social de Cybertron, em que a casta guerreira é a dominante, delegando as tarefas de manutenção para os robots que são incapazes de se transformar. Orion Pax convence o seu amigo D-16 a participar na  Iacon 5000, uma corrida em que apenas os Transformers podem concorrer. Após um resultado inesperado, os nossos heróis são felicitados por Sentinel Prime, o líder de Cybertron.

A partir desta fase, a narrativa começa a desenvolver, revelando uma (previsível) conspiração que vai colocar Orion, D-16, D e Elita-1 no centro de uma batalha que mudará para sempre o planeta. A animação é excelente, suportada por um casting de vozes fenomenal, onde se destacam Chris Hemsworth, Brian Tyree Henry, Scarlett Johansson, Keegan-Michael Key, Steve Buscemi, Laurence Fishburne e John Hamm.

O terceiro acto explica os motivos pelo qual os Autobots e Decepticons são formados, lançando a base para uma sequela, que dificilmente verá a luz do dia. Lamentavelmente, os resultados de bilheteira ficaram aquém do esperado, o que coloca sérias reservas para a continuação deste projecto.

Se são fãs dos Transformers, esta é uma recomendação com o selo de qualidade do Portal Pessoal.

Mediano
70%