Spenser Confidential

Inspirado na obra de Ace Atkins,  este filme narra as aventuras de Spenser, um ex-polícia de Boston, que passa cinco anos na patrão após agredir o seu capitão. Os primeiros quinze minutos descrevem precisamente os pormenores que originaram esse desfecho, introduzindo Henry Cimoli, Hawk e Cissy Davis, as três personagens secundárias que irão acompanhar o nosso “herói”.

No dia a seguir à sua libertação, o Capitão John Boylan é brutalmente assassinado, alegadamente pelo Detective Graham, que aparenta ter cometido suicídio, deixando a sua filha e esposa numa situação financeira complicada. Spenser começa a investigar este caso e rapidamente descobre omissões claras, que o fazem acreditar num encobrimento ao mais alto nível.

Como podem facilmente depreender, a narrativa é simples, embora esteja repleta de ação e muito humor, o que torna este projecto numa experiência agradável. Dito isto, não esperem grandes interpretações ou desenvolvimento de personagens.

O terceiro acto do filme tem uma entrada épica em Wonderland, local em que vai decorrer a batalha final e que irá lançar a premissa para a sequela, que está programada para o final deste ano.

Caso sejam subscritores de Netflix, este é um título que pode interessar-vos, caso procurem um filme de ação, que vos entretenha durante aproximadamente 2 horas.

Mediano
68%

Tomorrow War

Um dos meus dark horses para 2021 foi precisamente este filme, que devido ao cenário de pandemia, saiu diretamente no serviço de stream da Amazon. A narrativa assenta na necessidade de derrotar um inimigo extra-terrestre, os WhiteSpikes, que invadem o planeta em 2048.

O primeiro acto decorre em dezembro de 2022, em que tomamos conhecimento de Dan Forester Jr, um professor de biologia que é preterido para um projeto de investigação. Desiludido com o resultado, segue para casa, onde decorre uma festa de Natal, que é interrompida em choque com o aparecimento de humanos, que alegam ser do ano de 2050. Somos informados da invasão e da necessidade de enviar tropas para o futuro, na tentativa de evitar a extinção da Humanidade, que está reduzida a cerca de 500 mil sobreviventes.

Apesar de todos os esforços, as forças militares enviadas apresentam uma taxa de sobrevivência de 20% e, em pouco tempo, o Governo Mundial vê-se forçado a recrutar civis. Como expectável, Dan acaba por ser selecionado, dado que tem experiência militar e acaba por seguir para uma missão de sete dias. O habitual período de treino é interrompido abruptamente, sendo necessário realizar um salto temporal imprevisto, que corre terrivelmente mal.

Uma anomalia deixa a equipa de Dan em Miami, numa zona completamente infestada de WhiteSpikes, originando o primeiro grande momento de ação de Tomorrow War. Este ponto marca o início do segundo acto e tenho de enaltecer as excelentes cenas de ação , aliadas a uma boa interpretação de Chris Pratt, Sam Richardson e Yvonne Strahovski. Existem algumas falhas narrativas, que são compensadas por personagens interessantes e com as quais criamos uma ligação forte.

O filme não acrescenta algo de inovador ao género de ficção científica e tem alguns clichés típicos de Hollywood, mas cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. Sem entrar em detalhes, o terceiro acto tem um final contido, embora abra alternativas que poderão ser utilizadas futuramente (eheh, foi propositado).

Mediano
71%

Awake

Jill Adams é uma ex-médica do Exército Americano, que tenta corrigir os erros do seu passado. O primeiro acto mostra-nos precisamente as consequências das suas decisões, dado que os seus filhos, Noah e Matilda, vivem com a avó e aparentam ter uma relação muito distante com a sua mãe.

Num Sábado em que lhe foi permitido passar tempo com as crianças, sofre um acidente de viação, que leva a uma paragem cardíaca da sua filha mais nova. Com a ajuda do Xerife, conseguem salvar Matilda mas rapidamente percebem que algo de muito estranho afetou a cidade. O acidente parece ter sido consequência  de um gigantesco impulso electromagnético, que inutilizou a maior parte dos componentes eletrónicos que servem de base à sociedade como a conhecemos.

Os satélites começam a cair na atmosfera e rede de comunicações está totalmente destruída. Para complicar ainda mais o cenário, todos os humanos deixam de ser conseguir dormir, algo que poderá levar à extinção da Humanidade em menos de duas semanas. A premissa de Awake é interessante e poderia efetivamente ser um sucesso mas a verdade é que as interpretações são francamente más e a direção da narrativa é medíocre.

As decisões tomadas por Jill não fazem sentido e a introdução de personagens secundárias  pouco acrescenta em termos de narrativa. O que deveria ser um cenário de apocalipse mais parece uma trip ácida de terceira qualidade, motivo pelo qual não consigo recomendar Awake. Aliás, posso afirmar com total convicção que este é o pior filme que vi este ano.

Diria que é bem mais produtivo passar estes 96 minutos a dormir (sim, piada fácil).

Mau
40%