A Quiet Place 2

Há cerca de três anos fui agradavelmente surpreendido com uma narrativa cativante, centrada na família Abbott e que terminou num impasse colossal.

Esta sequela começa por dar algum enquadramento acerca da chegada destas estranhas criaturas ao nosso Planeta, retomando posteriormente aos eventos que ocorrem no derradeiro ato do primeiro filme.

Evelyn tenta garantir a sobrevivência da sua família, mas um incidente que envolve o seu filho Marcus, força-a a realizar uma inesperada viagem à cidade, para obter antibióticos. Paralelamente, existe o reencontro com Emmett, um amigo de longa data e sobrevivente, que será fundamental para esta aventura.

Gosto particularmente do primeiro ato, que combina perfeitamente a componente de narrativa e ação. As interpretações continuam a ser francamente boas e o facto de existir um orçamento superior permite a integração de cenas mais ousadas em termos de CGI e uma expansão do mundo que conhecemos.

Concluímos que a invasão foi global e tomamos conhecimento de uma fraqueza relevante das criaturas, que será explorada no ato final do filme. Pelo meio, somos confrontados com uma sociedade em colapso, em que apenas sobrevivem os grupos mais fortes, que pilham e subjugam os mais indefesos.

O terceiro ato transporta-nos para uma zona que não foi afetada pelas criaturas, algo que muda radicalmente com a chegada de Emmett e Regan. O desfecho final é aberto, estando previsto um terceiro filme, que continuará a detalhar a batalha da família Abbot. Com a ajuda de Emmet e uma nova forma de expansão da frequência sonora, a probabilidade de sucesso aumenta significativamente, abrindo uma série de oportunidades para a terceira aventura.

Para concluir, aproveito para recomendar este filme, que está muito bem conseguido e beneficiou da adição do fabuloso Cillian Murphy, que complementa muito bem Emily Blunt e Millicent Simmonds.

Bom
78%

Black Widow

O cenário de pandemia atrasou significativamente o lançamento da quarta fase de MCU, assim como a primeira aventura isolada  de Natasha Romanoff, mais conhecida por Black Widow. Este é o vigésimo quarto filme lançado pela Marvel, que ocorre após os eventos de Civil War e vai centrar-se no passado da nossa heroína, que está repleto de fantasmas e arrependimento.

Os primeiros quinze minutos são fantásticos, apresentando as personagens de Alexei Shostakov e Melina Vostokoff, que são agentes russos infiltrados no Ohio. Para tornar o seu disfarce ainda mais real, fazem-se acompanhar de Natasha e Yelena Belova, para simular uma típica família americana. Após serem descobertos, temos uma soberba cena de ação que retrata a fuga para Cuba, onde vão ser recebidos pelo General Dreykov,  o vilão desta aventura.

Yelena e Natasha são separadas nessa fase, sendo levadas para o Red Room, onde vão concluir o seu treino. Tomamos igualmente conhecimento dos eventos de Budapeste, algo que tem sido mencionado desde o primeiro filme dos Avengers e a missão que garantiu a entrada de Black Widow na SHIELD.  Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas posso adiantar que este filme é repleto de ação, com cenas surreais, bem ao estilo de Missão Impossível e que são bem complementados pelo humor de personagens como Red Guardian e Yelena Belova.

Contem com vários twists na narrativa e o aparecimento de Taskmaster, que é uma personagem icónica na BD mas que sofre uma adaptação inesperada na MCU, o que vai certamente criar algum ruído no feedback dos fãs. A primeira luta entre Black Widow e Taskmaster é fenomenal, assim como a forma como Natasha acaba por derrotar Dreykov.

O ato final , sem surpresa, está carregado de ação, com a libertação das Black Widow da base de Dreykov, que eram controladas através de lavagem cerebral e uma feromona, assim como a obtenção de um drive com a localização das restantes agentes espalhadas pelo Planeta. O filme termina com Natasha a obter um Quinjet, para retomar os eventos que correm após Civil War, com a libertação dos Avengers que estão prisioneiros.

Há uma cena pós créditos, que lança a premissa para a próxima série da Marvel, Hawkeye, que envolve a Condessa Valentina Allegra de Fontaine e Yelena Belova. No global, Black Widow é um filme competente, repleto de ação e com personagens cativantes, mas que, no global, não avança ou acrescenta algo de relevante para o futuro imediato da MCU. É no entanto uma aventura que não devem perder, sobretudo para os fãs de Natasha Romanoff.

Bom
75%

War for The Planet of the Apes

Já salientei em diversas ocasiões que o meu backlog de filmes, séries e jogos é extenso mas isso não me impede de ir partilhando conteúdo, sempre que possível. Desta vez, consegui (finalmente) desbloquear a agenda para ver o terceiro filme do reboot da saga Planeta dos Macacos.

A narrativa transporta-nos dois anos após os eventos de Dawn of the Planet of the Apes, em que Caesar e a sua tribo são perseguidos por um grupo de elite militar, denominada Alfa Omega,. Após um raid nocturno, a esposa e filho de Caesar são assassinados por The Coronel, o líder dessa força militar, dando início a uma derradeira missão de vingança.

Caesar segue na direção do quartel general dos Alfa Omega, na companhia de Cornelius, Rocket, Maurice e Luca. Ao longo da viagem, numa paragem por uma cidade abandonada, encontram um militar, que acaba por ser assassinado, numa ação de auto-defesa. Ao explorarem a sua casa, encontram uma menina, Nova, que é incapaz de falar, algo que estará relacionado com o vírus Simian Flu e que contextualiza os eventos que ocorrem nos filmes originais, em que a raça humana regrediu na sua capacidade de comunicação e inteligência.

Como é habitual, vou revelar o mínimo possível em termos de narrativa, mas posso adiantar que Caesar e o seu grupo vão encontrar Bad Ape, um macaco sobrevivente do Jardim Zoológico e que consegue possui o dom da fala. Numa missão de patrulha, Luca morre e Caesar é capturado, acabando por ser levado para o acampamento, onde encontra a sua tribo, que claramente não conseguiu escapar da floresta, após os eventos do primeiro acto do filme.

Na tentativa de quebrar o espírito da tribo, The Coronel tortura Caesar, tentando que terminem um gigantesco muro, que terá um propósito muito específico. Os símios optam por uma estratégia interessante, sustentada nas ações de Maurice, Nova e Bad Ape, que permanecem escondidos na proximidade do complexo militar.

Após uma missão de resgate bem sucedida, segue-se a revolta da tribo, que coincide com um ataque humano ás instalações militares de The Coronel. A batalha está muito bem conseguida e termina com um sacrifício inesperado, que permite a fuga de grande parte dos macacos aprisionados.

O filme termina com um diálogo poderoso entre Caesar e Maurice, que abre algumas opções para um quarto filme, que está claramente nos planos da Disney, a acreditar nos rumores mais recentes. No global, gostei do filme, que peca apenas por ser demasiado extenso. O CGI é fabuloso e o casting fenomenal, com destaque para o incrível Andy Serkis, que conta com o apoio de Steve Zahn, Woody Harrelson e Judy Greer.

Mediano
73%