Hellboy 2019

Após dois filmes medianos de Guillermo del Toro, a Lionsgate resolveu fazer um reboot, com um novo casting e realizador. A narrativa continua a retirar inspiração das obras publicadas pela Dark Horse Comics e mostra-nos uma visão mais violenta do mundo, em que Hellboy continua a ter dificuldade de integração.

Apesar das mudanças, parte da premissa mantem-se idêntica, com uma clara mensagem de “são as nossas escolhas que nos definem”. Desta feita, a vilã escolhida é a feiticeira imortal Nimue, que vai regressar para lançar uma praga, que visa extinguir a Humanidade e entregar o planeta aos Monstros.

Com a preciosa ajuda de Ben Daimio, um agente do M11 e Alice Monaghan, uma poderosa médium, o nosso herói vai embarcar numa aventura única, em que tentará derrotar Gruagach, a bruxa Baba Yaga e hordas de monstros que estão sob o controlo de Nimue.

Parte da narrativa está relacionada com a épica história do Rei Artur e Merlin, não esquecendo o papel fundamental da Excalibur, como única arma capaz de derrotar a magia da vilã. A nível de casting, diria que acertaram na maior parte das escolhas mas o resultado final está longe de ser brilhante.

A narrativa é pouca fluida, tem claras omissões e conta com decisões que não compreendo, retirando qualidade ao resultado final. Esperava bem mais de um projeto que conta com David Harbour, Milla Jovovich e Ian McShane, só para citar alguns dos nomes mais relevantes.

Mediano
63%

Shazam!

A adaptação de Shazam despertou a minha curiosidade, pelo facto de ser um super-herói menos conhecido do grande público mas que tem uma excelente história de origem. Confesso que as primeiras imagens não me convenceram, embora tenha gostado do trailer, o que me deixou algo relutante para a minha ida ao cinema.

O primeiro acto está muito bem conseguido, transmitindo as motivações do Dr Sivana, assim como de Billy Batson, um órfão que anseia por encontrar a sua mãe. Há momentos francamente cómicos, aliados a cenas mais sérias, permitindo à narrativa fluir de forma natural e que garante entretenimento de qualidade.

A segunda parte de Shazam! leva-nos à fase de descoberta dos poderes de Batson, que conta com a preciosa ajuda de Freddy Freeman, o seu mais recente “irmão”. Temos igualmente a interação com a família de acolhimento, que coloca os seus desafios e lições de vida ao herói, que tenta compreender como “utilizar o coração para desbloquear todo o seu potencial”.

As cenas de ação estão muito bem conseguidas e o vilão, interpretado por Mark Strong, é um excelente complemento, algo que tem falhado na grande maioria dos filmes da DC. Como habitualmente, não vou colocar spoilers mas o terceiro acto é o mais consistente, dando um fim adequado a este primeiro capítulo, com Billy a conseguir finalmente perceber o seu potencial e a aprender uma valiosa lição.

Sem deslumbrar, Shazam! é uma boa adição ao universo da DC, com um bom casting e uma excelente narrativa em termos de origens. Recomendo que no final não percam as duas cenas pós-créditos, que enquadram Black Adam, que contará com Dwayne Johnson no papel principal.

Bom
70%