The Clone Wars

Em 2008, foi lançado um filme de animação acerca do universo Star Wars, que narra as aventuras dos Jedi, nos três anos que antecedem o Episódio III das prequelas. Pessoalmente, sou um grande fã deste projeto, que durante sete temporadas apresenta de forma detalhada a guerra dos Clones, introduzindo detalhadamente as diversas fações envolvidas.

Nas primeiras temporadas, o maior foco está na batalha entre a República e os Separatistas mas, é precisamente nesse período, que são introduzidas duas personagens particularmente marcantes, por motivos distintos: Hondo Ohnaka, o líder dos piratas de Outer Rim e Cad Bane, o caçador de recompensas mais feroz da Galáxia.

A narrativa explora igualmente os bastidores da política no Senado, e as ligações aos sindicatos do crime, liderados pelo clã Hutt. Mandalor é igualmente um pólo relevante, sobretudo pela posição neutral, em conformidade com as crença de Satine Kryze. Existe uma evolução progressiva na narrativa, com ações que resultam em consequência trágicas para algumas das personagens e muita informação sobre a origem de Anakin, Obi-Wan e da Ordem Jedi.

No que diz respeito a vilões, temos igualmente várias sub-narrativas, que se focam em Nute Gunray, Death Watch, Asajj Ventress, Mother Talzin e Savage Opress, com informação relevante, que complementa e contextualiza alguns eventos que culminam na derradeira temporada, com a ordem 66.

Vou evitar os habituais spoilers, deixando deliberadamente uma personagem fora deste artigo, que é bastante relevante nas prequelas. Na minha opinião, Clone Wars é um dos melhores produtos do novo Universo Star Wars, proporcionando cenas de ação épicas, que opõe os Jedi aos Sith, para além de introduzir Ahsoka Tano, a padawan de Anakin Skywalker.

Pessoalmente, a grande vantagem da animação é a capacidade de nos mostrar, sem restrições, a verdadeira escala da “Galáxia Distante” onde decorre esta narrativa. Caso tenham oportunidade, invistam tempo nesta série, que é fundamental para os fãs de Star Wars, na minha modesta opinião.

Street Fighter: The Animated Series

A InVision Entertainment foi o estúdio responsável pela adaptação de Street Fighter enquanto série televisiva. A narrativa é no mínimo questionável mas detalha as aventuras do Coronel Guile, o líder duma taskforce internacional, que tem o objetivo de derrotar a organização criminosa de Shadaloo.

A equipa, como já devem ter adivinhado,  tem o nome de Street Fighter e é composta por Blanka, Ryu, Ken, Chun-Li, Honda e Cammy. Ao longo de duas temporadas,  os nossos heróis vão envolver-se em batalhas constantes com Sagat, Vega, Zangief e o seu líder, General M. Bison. Ao bom estilo dos anos 90, existe um código de honra pelo qual os nossos heróis se regem: disciplina, justiça e compromisso, algo que nos é relembrado de forma constante.

A narrativa tenta explorar algumas ligações ao jogo e ao filme, mais especificamente a transformação de Blanka e a busca de vingança por parte de Chun-Li, embora falhe redondamente nessa perspectiva. A inclusão de Dhalsim acaba por ser interessante, assim como o humor presente na relação (pouco) profissional entre  Cammy e Guile, embora insuficiente para transformar esta série em algo memorável.

O meu episódio preferido da primeira temporada  é “Strange Bedfellows”, com a participação de Akuma, que resulta numa parceria improvável entre Guile e M.Bison. Os argumentistas sentiram uma clara necessidade de aumentar o nível na temporada seguinte, introduzindo personagens adicionais, das quais destaco Dee Jay, Fei Long, T-Hawk, Satin Hammer e a equipa Delta Red, a antiga unidade de Cammy.

A qualidade individual dos episódios é superior, com particular relevância para um crossover com o universo de Final Fight, também da CAPCOM, no episódio 25, em que Ken e Ryu unem esforços com o Mayor Haggar, Guy e Cody, para resgatar Jessica das garras do terrível gangue Mad Gear.

No global, considero esta série mediana, embora ganhe alguns pontos no factor nostalgia. A animação está longe de ser brilhante e a narrativa é redutora, bem ao estilo dos anos 90. Mas confesso que há algo majestoso em ouvir “Sonic Boom”, “Shoryuken”, “Hurricane Kick” ou “Spinning Bird Kick”.

Ghost In The Shell: SAC 2045 T.1

No ano de 2045, a Humanidade tenta recuperar de um crash financeiro que é apelidado de Simultaneous Global Default. Paralelamente, as quatro nações mais poderosas do Mundo mantêm a economia activa, através de uma constante guerra sustentável.

É com esta premissa que Major, Saito e Batou disponibilizam os seus serviços como mercenários, através da equipa GHOST, que utiliza os seus implantes cibernéticos e tecnologia para garantir o sucesso das missões.

Após o primeiro episódio, a equipa acaba por ser capturada pela US Delta Force, que é comandada pelo misterioso John Smith. Torna-se evidente que esta missão foi uma cilada, servindo apenas para que a equipa GHOST seja persuadida a aceitar um novo objetivo: o salvamento de Patrick Huge, um conhecido CEO.

Os primeiros episódios são algo monótonos, mas cumprem a função narrativa. A equipa realiza várias simulações em realidade virtual, para garantir o sucesso da missão, seguindo posteriormente para Beverly Hills, o local onde vai ocorrer a extração.

A operação está longe de correr bem, demonstrando que Huge é mais do que um milionário, evidenciando habilidades únicas, que colocam a equipa à prova. Após a conclusão da missão, Major e os restantes membros são levados para uma instalação secreta, onde tomam conhecimento de Gary Harts, um Sargento do Exército que possui o mesmo skillset do CEO.

Existe pouca informação recolhida acerca deste fenómeno, que é classificado como Post Humans, uma raça híbrida, que retém características humanas, conseguindo manipular tecnologia e prever os movimentos, com precisão matemática.

A pedido do Primeiro Ministro Tate, a equipa integra uma nova divisão, que trabalha em parceria com John Smith e Chief Aramaki, com a missão de deter os onze membros dos Post Humans que se encontram em liberdade pelo Mundo.

A prioridade passa por deter os três alvos que se encontram em território japonês, dando início aos derradeiros episódios desta temporada, que termina num ponto crítico, em que Togusa desaparece misteriosamente, durante a investigação de um vírus criado para recuperar memórias perdidas.

SAC 2045 é um projeto interessante, que se baseia em animação computadorizada, algo que não foi bem recebido pelo fãs de Ghost in the Shell. Apesar das personagens serem comuns, a narrativa decorre no futuro, mostrando uma realidade completamente distinta do anime e da manga.

Diria que não é para todos, e embora esta primeira temporada não me tenha convencido, ainda mantenho a ideia que posso ser agradavelmente surpreendido.