The Legend of Vox Machina T.1

Esta série foi financiada via kickstarter, sendo baseada em Critical Role, da primeira campanha de Dungeons & Dragons. Ao longo de doze episódios, vamos acompanhar as aventuras de Vox Machina, um peculiar grupo de heróis, que tenta melhorar  a sua reputação. Os primeiros dois episódios centram-se num pedido do Conselho de Tal’Dorei, que pretende saber o motivo pelo qual estão a ser destruídas várias cidades do reino. A equipa aceita o desafio e rapidamente constata que se trata de Brimscythe, um poderoso dragão azul, que se converterá num desafio inesperado e que irá mudar a perpectiva dos membros.

Após derrotarem o dragão, torna-se evidente que existem forças ocultas a trabalhar nas sombras, algo que será explorado nos restantes episódios da temporada. Os Briarwoods (Lady Delilah  e Lord Sylas) são convidados para avaliar uma potencial aliança entre os vários reinos, mas a sua  ligação ao passado de Percy vai alimentar a narrativa desta primeira temporada. Tomamos conhecemos que ambos foram responsáveis pelo assassinato do clã De Rolo e que planeiam algo tenebroso, que irá mudar o equilíbrio do poder em todo o Reino.

A animação é de qualidade e o casting de voz mantém-se fiel ao jogo, com a adição de nomes sonantes tais como David Tennant, Rory McCann, Dominic Monaghan e Gina Torres. A narrativa é envolvente, com uma simbiose aceitável de humor e ação, para além de desenvolver as personagens de forma extremamente competente. Para manter a componente do jogo, há uma espécie de “level up” de alguns membros da equipa, que vão desenvolvendo os seus poderes à medida que se colocam em situações de risco, o que é extremamente satisfatório.

Vou obviamente evitar os spoilers, mas posso adiantar que a temporada termina com um ataque inesperado, que promete elevar o grau de dificuldade para os Vox Machina. Fica a minha recomendação para esta fantástica série, que se encontra disponível via Amazon Video.

Tomorrow War

Um dos meus dark horses para 2021 foi precisamente este filme, que devido ao cenário de pandemia, saiu diretamente no serviço de stream da Amazon. A narrativa assenta na necessidade de derrotar um inimigo extra-terrestre, os WhiteSpikes, que invadem o planeta em 2048.

O primeiro acto decorre em dezembro de 2022, em que tomamos conhecimento de Dan Forester Jr, um professor de biologia que é preterido para um projeto de investigação. Desiludido com o resultado, segue para casa, onde decorre uma festa de Natal, que é interrompida em choque com o aparecimento de humanos, que alegam ser do ano de 2050. Somos informados da invasão e da necessidade de enviar tropas para o futuro, na tentativa de evitar a extinção da Humanidade, que está reduzida a cerca de 500 mil sobreviventes.

Apesar de todos os esforços, as forças militares enviadas apresentam uma taxa de sobrevivência de 20% e, em pouco tempo, o Governo Mundial vê-se forçado a recrutar civis. Como expectável, Dan acaba por ser selecionado, dado que tem experiência militar e acaba por seguir para uma missão de sete dias. O habitual período de treino é interrompido abruptamente, sendo necessário realizar um salto temporal imprevisto, que corre terrivelmente mal.

Uma anomalia deixa a equipa de Dan em Miami, numa zona completamente infestada de WhiteSpikes, originando o primeiro grande momento de ação de Tomorrow War. Este ponto marca o início do segundo acto e tenho de enaltecer as excelentes cenas de ação , aliadas a uma boa interpretação de Chris Pratt, Sam Richardson e Yvonne Strahovski. Existem algumas falhas narrativas, que são compensadas por personagens interessantes e com as quais criamos uma ligação forte.

O filme não acrescenta algo de inovador ao género de ficção científica e tem alguns clichés típicos de Hollywood, mas cumpre a função de entretenimento, estando prevista uma sequela. Sem entrar em detalhes, o terceiro acto tem um final contido, embora abra alternativas que poderão ser utilizadas futuramente (eheh, foi propositado).

Mediano
71%

Invincible T.1

Robert Kirkman é normalmente reconhecido pelo seu trabalho em The Walking Dead, embora tenha associado o seu nome a outros projetos de elevada qualidade. Recentemente, a Amazon Video adquiriu os direitos para uma série de animação, que diz respeito ao universo de Invincible.

Mark é um jovem adolescente, filho de Nolan Grayson, um famoso escritor, cuja identidade secreta é Omni-Man, um poderoso extra-terrestre, do Planeta Viltrum. Poucos dias após celebrar o seu décimo sétimo aniversário, Mark obtém os poderes do seu pai, iniciando o processo de se converter no próximo defensor do Planeta Terra.

Os primeiros episódios focam-se precisamente na evolução dos seus poderes, aliado às habituais inseguranças de um adolescente. Mark é terrivelmente ingénuo e vai aprender da forma mais dolorosa as escolhas impossíveis de um super-herói. Adicionalmente, a narrativa segue numa direção inesperada, mostrando uma faceta oculta de Nolan Grayson, que levará a um confronto brutal com o seu filho no desfecho da primeira temporada.

Nos primeiros oito episódios, somos apresentados à Global Defense Agency, uma organização liderada por Cecil Stedman, responsável por gerir as equipas de super-heróis, com destaque para os Guardians of the Globe e os Teen Team. No que diz respeito a vilões, os Mauler Twins são o principal foco da narrativa, por motivos que irei manter no anonimato (sem spoilers, recordados?).

Invincible é uma série deliciosamente violenta, que não tem pudor em demonstrar o que seria a realidade caso existissem super-heróis. Contem com incontáveis danos colaterais e decisões completamente desprovidas de empatia. O enredo é repleto de imprevistos e mudanças drásticas, mas consegue cativar-nos e envolver-nos no drama emocional que se cria em redor da família Grayson.

Destaque para o fabuloso casting, com destaque para nomes como Steven Yeun, Walter Goggins, Zachary Quinto, Mark Hamill, Zazie Beetz, Clancy Brown e J.K. Simmons. Tenho tido a oportunidade de recomendar várias séries de animação, mas neste momento estou tentado a considerar Invincible como a cereja no topo do bolo. Claramente, a não perder!