Batman Noël

Dezembro é inequivocamente um mês de energia positiva e em que recupero parte da fé na Humanidade. É igualmente uma época em que gosto de revisitar alguns livros e filmes que se enquadram nesta temática. A nível de BD, a minha recomendação diz respeito à adaptação do clássico A Christmas Carol, de Charles Dickens.

Lee Bermejo reconverteu a obra imortal de 1843 ao universo de Gotham, fazendo de Bruce Wayne um verdadeiro Scrooge, consumido pela necessidade de derrotar o seu arqui-inimigo The Joker. A narrativa acompanha Bob, um modesto cidadão que trabalha para Joker, entregando pequenas encomendas por toda a cidade, na tentativa de proporcionar um Natal melhor ao seu filho.

Indiferente a todo este sentimentalismo, Batman vai utilizar Bob como isco, sem olhar a consequências, apesar dos avisos de Alfred e do Comissário Gordon. É neste altura que vamos ter a visita dos três fantasmas, que tentarão gerar empatia junto do nosso herói e fazê-lo reencontrar-se com a sua crença no Bem e na capacidade de redenção do ser humano.

As ilustrações de Lee Bermejo são soberbas e a narrativa, apesar de assentar na obra de Dickens, consegue ser cativante o suficiente para se converter num dos títulos clássicos de Batman.

Gosto particularmente do simbolismo inerente à tosse que assola o nosso herói ao longo da narrativa, assim como a escolha do segundo “fantasma”, que conseguem transmitir uma poderosa mensagem para esta novela gráfica de 2011.

Se são fãs da DC e particularmente do Dark Knight, não tenho dúvidas de que irão ficar amplamente satisfeitos com o resultado final de Batman Noël.

Batman: The Killing Joke

A adaptação de Killing Joke está repleta de liberdades criativas, que no global, retiram alguma qualidade ao produto final. Quem conhece a BD vai rapidamente encontrar as diferenças mas vou tentar partilhar a minha opinião, sem entrar em pormenores da narrativa.

Batman partilha com Batgirl o papel principal deste filme, numa narrativa focada na origem de Barbara Gordon. Vamos acompanhar a sua evolução enquanto heroína, assim como as suas fraquezas e receios, que serão exploradas pelo inevitável Joker.

Como habitualmente, a interpretação de Kevin Conroy (Batman) e Mark Hamill (Joker), são soberbas, mas apraz-me igualmente registrar Tara Strong (Batgirl) e Ray Wise (Comissário Gordon).

Este filme ficou envolto em alguma polémica, sobretudo na forma como Joker e Batgirl são retratados, com claras diferenças de comportamento face à história original.

Está longe de ser o meu filme preferido de Batman, embora seja uma das minhas BD de eleição, mas existe muito para apreciar nesta adaptação.

Em território nacional, recomendo o stream na HBO Portugal, que disponibiliza o trial gratuito de um mês.

Mediano
68%

Batman: Hush

Hush é sem dúvida uma das melhores histórias de Batman e apresenta-nos um estranho inimigo que aparenta conhecer todos os segredos do nosso herói.

A narrativa mostra-nos um Bruce Wayne disposto a ter uma relação com Selina Kyle, chegando ao ponto de revelar a sua identidade secreta. Tudo muda, numa missão em que Batman salva uma criança das garras de Bane, para ser traído por Catwoman, que aparenta estar a ser controlada por Poison Ivy.

O nosso herói aceita o desafio de investigar uma série de ligações e eventos inesperados, tais como a utilização Lazarus Pit, assim como a identidade secreta de Hush, que parece estar sempre um passo à frente. Numa perseguição frenética a Catwoman, Batman acaba por sofrer uma queda aparatosa, que o deixa em mau estado, sendo salvo por Thomas Elliot, um cirurgião de renome e amigo de infância de Bruce.

A narrativa envolve igualmente Amanda Waller e a Justice League, mais especificamente Lex Luthor e Superman, tornando-se evidente que Hush é o responsável por todos estes eventos. Uma vez mais, vou evitar os spoilers mas vai ocorrer uma série de eventos, que vão marcar profundamente Batman e que o levam a reconsiderar o seu código de conduta.

Nenhum filme do Dark Knight estaria completo sem uma batalha com Joker e Hush não foge à regra. O final é sem dúvida algo previsível mas funciona bem no cômputo geral da narrativa. Confesso que gostei bastante desta adaptação da DC. Aliás, contudo a dizer que nesse campo a Marvel tem muito a aprender com as suas séries e filmes de animação.

Mediano
72%