Ghost in the Shell: Arise T.1

No ano 2027, uma boa parte da humanidade utiliza implantes cibernéticos para melhorar as suas capacidades físicas e cognitivas. A narrativa decorre maioritariamente na cidade de New Port City e acompanha a jovem Motoko Kusanagi, membro da Organização Federal 501.

Após a violenta explosão de uma bomba, Kusanagi é contratada por Daisuke Aramaki para investigar o caso, que aparenta ter ligações à Organização 501. Inesperadamente, irá contar com o apoio de Batou e do Detective Togusa, que investiga o assassinato em série de várias prostitutas, que de algum foram aparentam estar ligadas ao caso em questão.

Ao longo dos episódios, torna-se evidente a perda de memória de Kusanagi, que aparenta ter sido comprometida por um vírus. A sua investigação acaba por revelar uma gigantesca conspiração no interior da Organização 501, originando a sua saída, embora consiga manter os seus implantes cibernéticos.

Após este evento, Aramaki convida a nossa heroína a integrar uma nova unidade, denominada de Secção 9, cujas aventuras ocupam os restantes três episódios desta primeira temporada. A narrativa avança para 2028 e foca-se no grupo terrorista Qhardi, que planeiam um ataque cibernético contra algumas figuras relevantes do Governo.

Arise é essencialmente a génese da Secção 9, em que vamos acompanhar a evolução do relacionamento entre os vários elementos da equipa. É extremamente focado em ataques cibernéticos e conspirações governamentais, culminando com o sexto episódio, em que Kusanagi tem de encontrar o responsável pelo vírus Fire-Starter.

Diria que é uma série interessante para os fãs de Ghost in the Shell mas está muito longe de ser memorável.

Ghost in the Shell

O Netflix converteu-se definitivamente no meu repositório de anime. Desta vez, a escolha recaiu no clássico de 1995, baseado na manga de Masamune Shirow.

A narrativa decorre em 2029, acompanhando a mais recente missão da Section 9, que tenta capturar um hacker de nome Puppet Master, que se converteu numa ameaça à segurança do Japão. A investigação da Major Kusanagi resulta na recuperação de um corpo, criado pela empresa Megatech Body. De forma inesperada, a equipa depara-se com um “fantasma” no cérebro cibernético, o que levanta uma série de questões e dúvidas acerca da sua origem.

Rapidamente são visitados pelo Chief Nakamura, responsável da Section 6, que reclama o corpo, alegando que esse fantasma é do terrorista Puppet Master. Seguem-se algumas cenas de ação, que vou evitar detalhar, mas essencialmente o corpo acaba por ser reativado, adquirindo consciência própria, o que leva a um pedido de asilo político.

Torna-se difícil abordar a narrativa sem dar spoilers, mas posso adiantar que estamos perante uma conspiração governamental, em que nem tudo é o que aparenta. Há uma clara vertente filosófica, em que se aborda o conceito de ser vivo e o direito à vida.

O terceiro acto é fenomenal, terminando com uma solução curiosa e que converte Ghost in the Shell numa das referências de anime. Existem temas profundos que são abordados na narrativa, que é fortemente influenciada pelo cyberpunk. Foi um prazer revisitar este projeto e constatar o quão pioneiro foi este e outras referências do género.

Se tiverem oportunidade, recomendo sem hesitação que invistam 82 minutos do vosso tempo neste filme.

Bom
75%

Ghost in the Shell

A manga de Masamune Shirow teve finalmente direito a adaptação cinematográfica, contando com Scarlett Johansson no papel de Major. A narrativa apresenta-nos um futuro distante, em que acompanhamos a Secção 9, uma equipa que se dedica à captura de cyber-terroristas.

Vamos progressivamente conhecendo o passado de Major, que habita um corpo cibernético, retendo apenas o cérebro humano. Com o aparecimento de Kuze, um terrorista que elimina cientistas ligados ao projecto 2571, surgem dúvidas acerca das reais intenções deste departamento, revelando uma conspiração que pode chegar ao topo da pirâmide.

Gostei particularmente do Mundo que nos é apresentado, repleto de upgrades cibernéticos e tecnologia, mas que mantém alguns elementos tradicionais, conferindo um contraste necessário. Destaco a humanização de Batou, sobretudo com a referência à raça de basset-hound, numa homenagem simbólica à manga original.

Como seria expectável, as cenas de acção estão bem conseguidas, cumprindo a sua função. Existe um equilíbrio harmonioso entre a acção e narrativa, o que é francamente positivo, mas no geral, falta algo memorável no acto final do filme.Não estamos perante o típico vilão, nem existe uma batalha épica para definir a narrativa, o que comprova que Ghost in the Shell tenta ser algo diferente.

Pessoalmente, considero que o resultado final é mediano mas enquanto adaptação ocidental de manga, diria que é um dos melhores projectos. Como tal, apenas posso recomendar a quem é fã da obra de Masamune Shirow.