O Tricampeonato

Como certamente sabem, este espaço é dedicado a outros temas, mas ocasionalmente é importante fazer o balanço de mais uma época desportiva. O ano passado conquistámos o título, com muito mérito de Jorge Jesus, que teve à sua disposição o plantel mais limitado dos últimos anos.

O defeso foi inesperado, com a saída de Maxi Pereira para o FCP e de JJ para o SCP, criando as condições necessárias para que Rui Vitória assumisse o comando técnico da equipa. Na teoria, gostei da mudança, dado que sustenta aquilo que é o futuro do futebol em terras lusas: potenciar as camadas jovens e os talentos, aliando alguns veteranos de qualidade. Ficou claro com o escasso aproveitamento de Cancelo, Semedo, Lindelof, Bernardo Silva e Guedes, para citar apenas alguns,  que Jorge Jesus não seria a pessoa indicada para liderar este projecto.

Na minha opinião, a saída foi mal gerida por ambos os lados, com trocas de palavras que foram lamentáveis e desnecessárias. Parece-me importante agradecer os seis anos de conquistas, embora não esqueça os vários erros cometidos por JJ, que nos custaram campeonatos.

Dito isto, vou focar-me na era Rui Vitória, que iniciou com uma pré-temporada terrivelmente mal planeada, onde nos focámos em fazer receita, descurando a preparação física e o novo modelo de jogo. Saiu-nos bastante caro essa decisão, com a derrota na Supertaça, que deu a moral necessária ao rival de Lisboa.

A derrota com o Arouca agravou ainda mais a desconfiança dos adeptos, sobretudo pelo facto da equipa não apresentar um fio de jogo e ter muita dificuldade em definir um onze base. As jornadas foram passando, de forma penosa, culminando com uma derrota em casa por 3×0, frente ao SCP, que fazia antever uma temporada condenada ao insucesso. Do outro lado da segunda circular inicia-se um ataque constante ás capacidades de Rui Vitória, assim como a alguns dirigentes, que visam destabilizar ainda mais o balneário.

Em retrospectiva, acredito que este tenha sido o momento decisivo da temporada. Novembro traz um SLB que começa a apresentar um futebol de maior qualidade, tomando balanço na boa campanha na fase de grupos da Champions, surgindo igualmente um miúdo de nome Renato Sanches, que dá nova vida ao meio campo encarnado. As exibições começam a melhorar substancialmente, com várias goleadas e até Março temos um verdadeiro rolo compressor, que une adeptos e jogadores na missão de atingir o trigésimo quinto título.

São recuperados sete pontos ao líder, com a cereja no topo do bolo a ser a vitória (feliz) em Alvalade, que deixa a equipa de Rui Vitória isolada no comando da prova. Pelo meio, ficam as lesões de Luisão, Júlio César, Lisandro, Nélson Semedo, Gaitan e a recuperação de Sálvio, que nunca atingiu o nível competitivo que nos habituou. A equipa caiu em termos exibicionais, após a eliminatória com o Bayern, mas consegue sempre manter um espírito incrível, sobrevivendo a adversários extra motivados para nos retirar pontos.

A consagração ocorre em casa, com uma vitória por 4×1, originando mais uma festa épica, que se espalhou por Portugal e por vários cantos deste Mundo, como é apanágio. Quero terminar, felicitando os jogadores do rival de Lisboa, que foram extraordinários e mereciam ser igualmente campeões. No entanto, uma instituição como o SCP merece outros dirigentes, que não confundam rivalidade com ódio. Rui Vitória é sem dúvida o grande vencedor desta temporada, conseguindo ultrapassar a desconfiança de adeptos e sócios, cumprindo a promessa do tricampeonato, com o bónus de bater o record de José Mourinho, com 88 pontos.

Agora há que festejar, repor as energias e preparar mais uma final da Taça da Liga, que pode resultar no oitavo troféu em três temporadas. Como sempre, muito respeito pelo adversário e humildade na abordagem ao jogo. E PLURIBUS UNUM.

Como o SLB não se resume apenas ao futebol, os meus parabéns à equipa de hóquei, que se sagrou bicampeã nacional e reconquistou a Liga Europeia, a segunda da História.

O Bicampeonato

Jorge Jesus tem certamente um estilo único e é inegável que trouxe títulos para o Sport Lisboa e Benfica mas durante estes seis anos ainda não me tinha convencido a 100%. Passo a explicar: o seu primeiro ano foi de futebol espectáculo mas é importante relembrar que tinha uma das melhores equipas do Benfica a nível interno dos últimos 20 anos. Na temporada seguinte, fomos goleados no Dragão e eliminados de forma inglória da Taça de Portugal e da final da Liga Europa pelo FCP e Braga respectivamente. Seguiram-se dois anos em que entregámos os campeonatos a Vítor Pereira, com claro demérito do nosso treinador e equipa técnica.

A redenção foi alcançada na temporada transacta, com a vitória em todas as competições nacionais e mais uma final europeia perdida de forma indiscritível. E assim chegamos a 2014/2015, com a perda de seis titulares (Oblak, Siqueira, Garay, Enzo, Markovic e Rodrigo), entre outros jogadores importantes, uma pré-temporada repleta de derrotas e um início de campeonato complicado e sem futebol de qualidade. E é precisamente neste campo que dou total mérito ao treinador, dado que foi o grande responsável por este bicampeonato ao criar uma equipa forte, com personalidade e eficaz na maioria dos jogos. Jardel fez um temporada brilhante, Pizzi foi o joker que surgiu em 2015 e Jonas a peça que faltava para ligar a equipa ofensivamente. Pelo meio, fomos adicionando algumas pérolas para lapidar (Cristante, Mukhtar, Gonçalo Guedes, Jonathan Rodriguez) e integrando alguns talentos como Samaris e Talisca.

Em suma, com um plantel muito limitado, com claras carências a nível qualitativo em várias posições, conseguimos ser a equipa mais consistente, graças ao trabalho de Jorge Jesus. Não me esqueço que deveríamos estar a festejar o quarto título consecutivo mas aprendemos com os erros e o futuro é promissor. Nesta fase, espero que o treinador renove contrato, embora considere que a actual estrutura é capaz de suportar uma mudança sem grande danos. O mais importante é criar um plantel com mais soluções e garantir a permanência de referências como Maxi Pereira, Salvio e Gaitan.

No imediato, ainda existem dois jogos contra o Marítimo, sendo que um deles vale a vitória na Taça da Liga, competição que considero relevante e importante. Agora é tempo de festejar, descansar e manter a atitude competitiva nos 100%, sem facilitar ou menosprezar o adversário.