Godzilla x Kong – The New Empire

Três anos após a batalha com MechaGodzilla, Godzilla é forçado a proteger novamente a superfície, derrotando Titanus Scylla, em Roma.

Na Hollow Earth, Kong continua a procurar sobreviventes da sua espécie, sem grande sucesso. Adicionalmente, continuamos a acompanhar Jia, a única sobrevivente dos eventos em Skull Island, que começa a ter alucinações ou premonições, o que leva a sua mãe adoptiva, Dra Ilene Andrews, a abordar Bernie Hayes, que continua a tentar provar as suas teorias na internet.

Godzilla move-se para o covil do Titan Tiamat, para absorver radiação, o que leva a crer que irá existir uma nova batalha com um Titã. A narrativa de New Empire é simples e foca-se no Skar King, um símio que habita as profundezas da Hollow Earth e conseguiu domar o Titã Shimo, que foi responsável pela Era Glaciar que o planeta viveu há sensivelmente 12.000 anos.

Vamos acompanhar a aventura de Kong, assim como a profecia que envolve Jia, que aparenta ser capaz de despertar Mothra. As sequências de acção estão muito bem conseguidas e visualmente o filme cumpre a sua função, mas fica calmamente aquém das minhas expectativas.

Sou um fã dos primeiros dois filmes, assim como da série Monarch, que exploram de forma muito interessante o lore inerente aos Titãs.

Se procuram um filme de acção, sem grandes consequências, The New Empire é uma escolha competente. Não vou revelar spoilers mas já existe confirmação de Supernova, que deverá chegar aos cinemas em março de 2027.

66%

Monarch: Legacy of Monsters T.1

A Apple TV+ tem, na minha opinião, desenvolvido algumas das melhores séries de ficção dos últimos tempos. Monarch é um desses exemplos, focando-se na génese da organização criada para estudar os MUTO (Massive Unidentified Terrestrial Organism), vulgarmente designados como Titãs.

A narrativa centra-se em décadas distintas, acompanhando as aventuras do Capitão Lee Shaw, Bill Rand e a Dra Keiko, assim como as dos seus descendentes, May, Kate e Kentaro. Para além da ligação aos filmes, destaco a narrativa, que desenvolve de forma sublime as personagens, que são assombradas por perda e necessidade de encontrar uma explicação plausível para o fenómeno dos Titãs.

Vamos ter confronto em fações distintas da Monarch, assim como episódios em que Godzilla vai fazer a sua (aguardada) aparição. De forma lenta, mas sustentada, vamos tendo progressão na narrativa, que culmina num derradeiro episódio épico, em que temos a introdução de outro Titã bem conhecido.

Destaque para o elenco, mais especificamente Kurt e Wyatt Russell, Mari Yamamoto e Joe Tippett, que elevam esta série para um patamar francamente elevado. Torna-se sempre complexo abordar estes tópicos sem divulgar spoilers mas se gostam do universo de Godzilla, este é um projeto a seguir. São abordados inúmeros conceitos, na tentativa de formalizar uma teoria que explique a existência dos Titãs, assim como o verdadeiro papel de Godzilla em todo este mistério.

A segunda temporada deverá estrear ainda no decorrer deste ano e promete responder a várias questões pertinentes que nos são apresentadas nos momentos finais do episódio 10.

Godzilla Minus One

A Toho Studios, em parceria com a Robot Communications, lançou este projecto independente, com um orçamento de 15 milhões de dólares. Takashi Yamazaki fez um trabalho extraordinário, com a utilização de efeitos práticos, que convertem este filme numa experiência muito agradável.

Optei por ver a versão a preto e branco, que me parece a mais fiel à visão do realizador. A narrativa decorre no ano de 1945, introduzindo o piloto kamikaze Shikishima, que aterra na Ilha Odo, para reparações. Uma estranha criatura, que faz parte do folclore local, ataca o local, dizimando os engenheiros e toda a infraestrutura militar.

O piloto regressa a casa com claros remorsos pelo facto de ter ficado sem reação aquando do ataque e tem dificuldade em reintegrar-se na sociedade. Para complicar ainda mais a situação, fica a saber que os seus pais faleceram durante o bombardeamento inimigo, o que agrava o seu estado de espírito. Quando tudo parece perdido, conhece uma jovem, de nome Noriko Ōishi, que é responsável por um bebê órfão, com os quais vai criar uma relação platônica.

Tomamos igualmente conhecimento da operação Crossroads, que envolve inúmeros testes nucleares, que serão responsáveis pela mutação de Godzilla, convertendo-o numa ameaça para todo o território japonês. A narrativa é previsível mas coloca o nosso herói num novo confronto com Godzilla, que irá representar o seu arco de redenção.

O ataque à cidade de Ginza é, na minha opinião, o ponto mais alto do filme, lançando a premissa para o terceiro e derradeiro acto narrativo, em que uma série de cidadãos se unem na tentativa de derrotar o monstro. Vou obviamente evitar os spoilers, mas recomendo sem hesitação este projecto para quem é fã dos filmes originais de Godzilla. Conforme referi na introdução, o orçamento é reduzido e tem como suporte efeitos especiais muito práticos, que conferem um aspecto visual antiquado mas que funciona na perfeição.

Minus One foi sem dúvida uma agradável surpresa, sobretudo se considerarmos que foi lançado  praticamente na mesma altura de um dos grandes blockbusters de Hollywood, Godzilla x Kong: The New Empire.

Bom
72%