The Last of Us

As adaptações de videojogos continuam a ser o calcanhar de Aquiles de Hollywood, que parece incapaz de recriar os universos únicos destes IP. Dito isto, fiquei relutante ao tomar conhecimento deste projecto, que conta a história de Joel Miller e Ellie, dois sobreviventes num mundo pós-apocalíptico, repleto de clickers, que são uma espécie de zombies, controlados por esporos.

A narrativa é muito orgânica, desenvolvendo as personagens de forma quase perfeita, num misto de flashbacks e eventos actuais. Todas as suas inseguranças e receios são expostos de forma constante, reforçando uma ligação que vai ficando mais sólida à medida que a narrativa vai progredindo. O passado de Joel acaba por ser decisivo na forma como se torna protector em relação a Ellie, com decisões altruístas que são francamente inesperadas face ao seu sentido de auto-preservação.

Como habitualmente, gosto de evitar os spoilers, mas tenho de destacar dois episódios, que são do melhor que vi em TV nos últimos anos. Estou a referir-me ao episódio 3, em que conhecemos a história de Bill and Frank e o episódio 5, em que vamos acompanhar a saga de Henry e Sam.

A segunda temporada deverá ser disponibilizada no segundo semestre de 2025 e estou curioso para confirmar o caminho seguido. Caso optem por manter-se fiéis ao material original, teremos mudancas drásticas e que podem alterar por completo a dinâmica daquela que é facilmente a melhor adaptação de um videojogo.

Para concluir, quero apenas destacar a presença de Anna Torv e Gabriel Luna, no papel de Tess e Tommy, que conseguem elevar a fasquia no que diz respeito a interpretações marcantes.

Esta é sem dúvida, uma série a não perder!

Spawn T.2

A familiarização da premissa narrativa permite que esta segunda temporada se foque em Terry Fitzgerald, que descobre alguns dos negócios obscuros de Jason Wynn. Por acréscimo, a sua esposa, Wanda, torna-se num alvo, levando à intervenção de Spawn.

Paralelamente, o beco em que Al Simmons tem vivido com os sem abrigo é tomado por um barão da droga, que vai eliminando sem piedade os seus oponentes. Todos estes eventos chamam a atenção da imprensa, mais concretamente Lisa Wu, que vai investigar os eventos macabros que teem ocorrido em Rat City.

Sem colocar spoilers, o nosso protagonista vai ser mais activo na batalha com Wynn, que tenta eliminar Wanda e Cyan, o que se revela um erro crasso. Todd McFarlane mantém o tom sombrio e violento que caracteriza Spawn, que se encontra numa encruzilhada em que necessita de optar pelo Bem ou Mal.

Caso mantenha o seu intuito de castigar os responsáveis pela sua morte, irá continuar a enviar almas para Malebolgia, que tem como objetivo entrar no mundo dos Humanos.

Watchmen

Na minha opinião, Alan Moore e Dave Gibbons são os responsáveis por uma das melhores novelas gráficas de sempre. Onze anos após a estreia da adaptação cinematográfica, o universo de Watchmen está de regresso para a derradeira aventura.

A narrativa retoma 34 anos após os eventos que levam ao desaparecimento de Rorschach. O local escolhido é Tulsa, onde encontramos uma sociedade em que a força policial utiliza máscaras, para proteger a sua identidade e garantir a segurança das suas famílias.

O primeiro episódio faz a introdução de temas como o racismo e a supremacia caucasiana, na figura da Sétima Cavalaria, mostrando uma sociedade violenta e que pouco aprendeu com a sua História mais recente. De forma a evitar spoilers, vou abordar muito superficialmente a narrativa mas posso adiantar que vamos acompanhar a investigação da Detective Angela Abar à morte do Chefe da Polícia, Judd Crawford.

À medida que vamos avançando na história, surgem detalhes curiosos, que envolvem o avô de Angela e a Trieu Industries, que adquiriu a Veidt, após o aparente falecimento de Ozymandias. Vamos igualmente conhecer em pormenor a génese dos Minutemen  e a estranha odisseia que ocorre numa das luas de Júpiter.

Todos os eventos estão intrinsecamente interligados, culminado num desfecho inesperado e que deixa (deliberadamente) algumas questões por responder. Destaque para o fantástico casting, em que sobressaem  Regina King, Don Johnson, Tim Blake Nelson, Tom Mison, Jeremy Irons, Jean Smart e Louis Gosset Jr.

Esta minisérie de nove episódios complementa de forma muito interessante os eventos do filme, fechando o arco narrativo associado a personagens como Dr Manhattan, Silk Spectre e Ozymandias. Existe uma ritmo saudável entre ação e história, que converte este projeto num dos grandes destaques deste género. Na minha opinião, é claramente uma série a não perder.