Reminiscence

No futuro, a cidade de Miami foi parcialmente coberta de água, com temperaturas extremas durante o dia. Adicionalmente, a sociedade vive maioritariamente no período noturno, sustentada por uma hierarquia social em que os ricos possuem as terras habitáveis.

Nick Bannister e a sua empregada, Watts, operam um negócio que consiste em revisitar memórias passadas. Adicionalmente, essa tecnologia permite-lhes igualmente ajudar as autoridades com investigações, o que será relevante para a narrativa.

Sem divulgar pormenores, a aventura inicia quando uma cliente, Mae, solicita uma viagem ao passado para encontrar as chaves de casa. Durante essa regressão, ficamos a saber que a estranha cliente é uma cantora num clube nocturno, o que inicia uma ligação invulgar com Nick.

Ao longo do primeiro ato, acompanhamos a relação de ambos, até ao dia em que Mae desaparece misteriosamente. A partir desse momento, Nick inicia uma investigação, que o vai levar a conclusões inesperadas, colocando em causa tudo aquilo em que acredita. Vamos ter a inclusão de um barão da droga, Saint Joe, que aparenta ter ligações a Mae, assim como uma conspiração que envolve personagens inesperadas, mas que são lentamente introduzidas na narrativa.

Reminiscence está longe de ser brilhante mas tem os seus momentos e, na minha opinião, consegue garantir entretenimento. A minha principal crítica está na duração (excessiva) , embora o elenco e as interpretações sejam competentes.

Mediano
70%

Logan

Sou um enorme fã dos X-Men, mas sobretudo de Wolverine, que é sem sombra de dúvida o meu super-herói preferido. A Marvel conseguiu criar uma personagem cativante, que apresenta uma história rica em mistério, nunca perdendo a sua vertente selvagem, associado à Weapon X.

O casting de Hugh Jackman foi absolutamente perfeito mas faltava, até agora, um filme a solo que captasse a essência do Wolverine. Pois muito bem, Logan cumpre essa premissa com distinção, apresentando-nos um anti-herói consumido pelo tempo e com graves problemas psicológicos e físicos.

A narrativa decorre em 2029, numa realidade em que os mutantes foram irradiados da face da Terra, salvo raras excepções. Logan vive escondido entre a população, ao volante de uma limusine, que utiliza como forma de subsistência. Charles Xavier encontra-se sob o cuidado médico de Caliban (Stephen Merchant), um albino que tem o poder de sentir outros mutantes.

Vamos igualmente conhecer Laura (Dafne Keen), uma menina que foi criada com o DNA de James Hewlett e cuja personagem é claramente inspirada em X-23, uma banda desenhada que teve muito sucesso no início de 2004. A abordagem utilizada por Mangold é soberba, focando a atenção no efeito que o envelhecimento teve em Xavier e Logan, conseguindo humanizar as personagens e garantir empatia com o espectador. Quem diria que gostaríamos de ver um Professor Xavier a lutar contra a demência e um Wolverine a morrer lentamente por exposição contínua ao adamantium?

A forma como vai evoluindo a relação de amizade e cumplicidade entre este trio é quase perfeita, culminando com um acto final repleto de emotividade mas que deixa uma sensação de dever cumprido. Aliás, diria que Logan é a homenagem que Wolverine merecia por parte da Marvel, apesar de ser essencialmente uma história de vida, em detrimento de um mero filme de acção.

O facto de não existir uma cena pós créditos finais torna o fecho deste capítulo como uma metáfora a roçar a perfeição, evitando uma saída fácil para algo que é um fim de ciclo para Hugh Jackman enquanto Wolverine.