Lion King

Há quem diga que atravessamos uma era cinematográfica definida por ausência de ideias e originalidade. Para essa noção muito tem contribuído o sucesso dos filmes de super-heróis, em conjunto com vários  remakes de clássicos.

Um dos mais recentes casos é sem dúvida o Rei Leão, uma obra prima de animação da Disney, que Jon Favreau resolveu renovar, numa perspectiva foto-realística. A narrativa acompanha as aventuras de Simba, o futuro Rei de Pride Rock, que se vê envolvido numa trama que culmina com o assassinato do seu Pai (Mufasa).

Apesar do original ser de 1994, vou evitar os spoilers em termos de enredo, adiantando apenas que Simba acaba por se exilar, passando a viver na companhia de Pumbaa (javali) e Timon (suricata), o que lhe dá uma perspectiva completamente distinta da cadeia alimentar.

A banda sonora foi novamente entregue a Hans Ziemmer, Elton e Tim Rice, que já tinham trabalhado no original e a nível de vozes, destaco o regresso de James Earl Jones e a adição de Donald Glover, Seth Rogen, Chiwetel Ejiofor, Beyoncé e John Oliver.

Lion King teve um orçamento de 260 milhões e o resultado visual é deslumbrante, com cenas incrivelmente realistas e dinâmicas. O humor está igualmente presente e as vozes escolhidas complementam de forma soberba a narrativa.

Mas dito isto, na minha opinião, fica aquém do original. Existe algo de verdadeiramente único e épico no clássico de animação da Disney, que esta adaptação não consegue replicar, apesar de ser no global um bom filme.

Bom
72%

Back to the Mac

Apesar da Microsoft manter o seu estatuto de líder de mercado, é inegável afirmar que o Mac OSX tem evoluído de forma muito positiva. Pessoalmente já utilizei o Leopard e Snow Leopard e sou um fã da simplicidade do sistema operativo. Na mais recente keynote da Apple, Steve Jobs falou de algumas das funcionalidades que poderemos encontrar no Lion, nomeadamente o mission control e aplicações que funcionam em full screen, sem necessidade de minimizar ou fechar. Essencialmente o futuro irá seguir os passos do iOS, com a memória flash a substituir os discos rígidos, algo que já se verifica no iPhone, iPad e iPod.
Confesso que não estou totalmente rendido ao conceito, que funciona bem em tablets e telemóveis. Um SSD continua a ser uma mais valia em termos de armazenamento de dados. Conseguem imaginar-se com uma memória flash de 64 GB? É certo que caminhamos para a “era da nuvem”, mas o comum utilizador vai necessitar dos seus backups e da sua informação alojada num disco ou servidor pessoal.

No que diz respeito à keynote, ficámos igualmente a saber que a Mac App Store vai arrancar nos próximos três meses, o que marcará uma nova realidade em termos de aquisição de conteúdos para a plataforma Mac. Quem utiliza os produtos Apple já conhece o conceito, mas não deixa de ser interessante esta medida. Estaremos a caminhar para uma nova forma de controlo? Poderemos continuar a efectuar o download de aplicações através de outros canais e plataformas? Steve Jobs indica que sim e penso que esse será o caminho a seguir para já. Acredito que se empresa de Cupertino optar por “fechar” ainda mais o seu sistema os resultados serão catastróficos, com perda de confiança e de utilizadores.

É justo admitir que estou curioso em utilizar esta nova loja, que terá como função “migrar e fundir” parte do UI que encontramos num iOS device. Os utilizadores de Mac do blog estão comigo? Discordam por completo? Digam de vossa justiça.

Para terminar, fomos presenteados com a nova versão do iLife, a aplicação Facetime para Mac e com os novos MacBook Air. No que diz respeito ao primeiro produto, confesso que fiquei satisfeito. As melhorias são importantes, com especial destaque para os novos efeitos audio no iMovie, assim como o fantástico Trailer Mode, que vai levar a edição de vídeo a um nível superior.  Para os fanáticos de Garage Band, foram igualmente acrescentadas algumas melhorias, nomeadamente a nível da melhoria de audio e sincronização rítmica de instrumentos musicais.

A aplicação Facetime passa a estar disponível na plataforma Mac, permitindo ligação de vídeo com iPhone 4. Nada de terrivelmente importante, mas sugiro que testem a versão beta fazendo o download gratuito.

Após vários meses de especulação foi finalmente confirmada a nova geração de MB Air, que irá utilizar memória flash em detrimento de disco rígido. Existem duas versões, com 11 e 13 polegadas respectivamente. Compreendo que exista público alvo para este tipo de produto, mas não me incluo no lote. A actual gama de MBP tem uma relação preço/qualidade muito mais apelativa do que estes novos Air.

Francamente não compreendo como se possa querer pagar 1299 euros por um portátil sem HDD e com um processador de 1.86 Ghz. É um facto que o design é fantástico, que a autonomia de bateria é excelente e que a resolução do écran (1440×900) é interessante, mas no geral é um produto demasiado dispendioso para o que oferece. A versão de 11 polegadas tem um valor mais baixo, mas muito longe de uma oferta que seja competitiva. No fundo, estamos a falar de netbooks (em termos de conceito) com uma qualidade de construção superior, mas que não justifica o investimento que Jobs pretende.

Em suma, a keynote teve os seus momentos e levantou algumas questões em termos de futuro. Fiquei curioso em relação ao Lion e confirmei as minhas expectativas em relação ao iLife 11. Daqui por três meses, irei iniciar os meus testes à novíssima Mac App Store. Se estaremos perante um sucesso ou não, o futuro o dirá!