Spider-Man: Across the Spider-Verse

A sequela de Into the Spider-Verse volta a mergulhar-nos nos vários universos aracnídeos. O primeiro acto mostra-nos o quotidiano de Gwen Stacy, na Terra-65, com uma batalha que envolve Lizard e mais tarde, uma versão renascentista de Vulture. É nessa altura que Miguel O’Hara e Jessica Drew intervêm, através da utilização de um portal que os transferiu de 2099. Ficamos a saber que fazem parte de uma equipa dedicada a remover anomalias da linha temporal, criando a premissa narrativa que alimenta esta segunda aventura.

Após esta introdução, temos o regresso à Terra-65, em que Miles Morales é o Spider-Man. À semelhança de Stacy, ficamos a conhecer a sua vida e as dificuldades que tem em conciliar a vida pessoal com a de super-herói. Os momentos cómicos estão bem conseguidos, com destaque para a sua batalha com The Spot, um cientista da Alchemax que adquiriu poderes após os eventos do filme original, em que destroem o acelerador de partículas.

Torna-se complexo abordar este filme sem partilhar pormenores da narrativa, mas posso adiantar que Spot irá converter-se no vilão desta sequela, que assenta na lógica de um futuro predestinado, em que uma ligeira mudança pode ter consequências terríveis no equilíbrio do tecido temporal.

Miles vai ser colocado à prova e desafia todas as crenças da Spider-Society, da Terra-928, numa tentativa de salvar os seus pais do destino pré-definido, que é classificado como “canon events” por Miguel O’Hara, mais conhecido por Spider-Man 2099. A narrativa termina no habitual impasse, com a formação de uma aliança entre Peter B., Mayday, Pavitr, Hobie, Margo Kess, Spider-Man Noir, Peni Parker e Spider-Ham, com o objetivo de localizar e ajudar Miles na sua batalha com The Spot.

Este filme tem uma escala maior quando comparado com a aventura original, mas assenta numa narrativa sólida, com personagens fortes e uma simbiose com a componente  humorística, que converte este projeto num dos melhores filmes de 2023.

Para concluir, apenas uma nota de rodapé para a manutenção de nomes como  Shameik Moore, Hailee Steinfeld e Mahershala Ali e para a adição de Jason Schwartzman, Daniel Kaluuya e Oscar Isaac, que elevam o casting a um novo patamar de qualidade.

Bom
82%

House of M

Brian Michael Bendis e Olivier Coipel são os responsáveis por este incrível arco narrativo, que inspirou parcialmente a série Wandavision. O ano é 2005 e após os eventos de Avengers Disassembled, a equipa tem de lidar com a situação de Scarlet Witch, que se converteu numa ameaça. O Professor Xavier informa Magneto que irá convocar uma reunião com os Vingadores, dado que não sabe durante quanto tempo irá conter os poderes da sua filha, que persiste em criar mundos paralelos para esconder a sua mágoa.

O Doctor Strange tem igualmente sessões regulares com Wanda, no plano astral, no sentido de a acalmar, embora partilhe da mesma opinião do Professor X. Os X-Men, agora liderados por Emma Frost, pretendem assassinar Wanda, algo que não é bem aceite pelos Avengers, mesmo após os eventos que resultam na morte de alguns dos seus membros. Após uma discussão acesa, acordam ir para Genosha, para confrontar Wanda e terminar com a ameaça.

Pietro (Quicksilver) tem conhecimento das intenções e alerta Magneto, que se mostra indiferente, dado que não consegue encontrar uma alternativa que possa ajudar a sua filha a ultrapassar a dor. Na chegada a Genosha, os Avengers e os X-Men são envoltos numa luz branca que os transporta para uma realidade alternativa, em que aparentemente todos os seus desejos se concretizarem. Ao longo de vários painéis, vamos tomando conhecimento deste novo universo, em que Spider-Man é casado com Gwen Stacy, acontecendo o mesmo com Cyclops e Emma Frost. Carol Danvers é a super-heroína mais adorada no Mundo, Wolverine é o líder de uma força elite da SHIELD e o Capitão America é apenas um veterano sénior, sem qualquer lembrança dos seus tempos de super-herói.

Nesta realidade, o homo superior (mutante) é a espécie dominadora, relegando o homo sapiens para um papel secundária na sociedade. Genosha converteu-se na capital da nação mutante, elevando Magneto e a sua House of M para uma posição de poder e domínio político. O único herói com as memórias intactas do verdadeiro passado é Wolverine, que irá iniciar uma missão de contactar a resistência, liderada por Luke Cage. Adicionalmente, alguns dos membros da Resistência são precisamente os Vingadores assassinados por Scarlet Witch, elevando o nível dramático da narrativa. Ao longo desta narrativa, os heróis nunca conseguem localizar o professor Xavier, que aparenta ter falecido num evento que marcou a ascensão de Genosha.

Não vou partilhar spoilers, mas posso divulgar que Layla Miller, aka Butterlfly, será uma personagem relevante para o desfecho final deste arco narrativo. A arte de Olivier Coipel é fabulosa e House of M mudou de forma significativa o universo Marvel, sobretudo com a célebre frase “No More Mutants”.  Gostei particularmente da componente psicológica desta aventura, que deixa marcas nos heróis, sobretudo no que diz respeito á “realidade alternativa” que deixaram para trás e que representava o seu conceito de felicidade absoluta.

O livro termina com Hank Pym a alertar para o facto de cada ação gerar uma reação oposta, referindo-se obviamente ao misterioso desaparecimento do gene mutante. E precisamente nesse momento uma colossal onda vermelha de energia atinge a órbita do Planeta Terra, antecipando algo de relevante mas essa será um tema a abordar possivelmente num artigo futuro.

Guardians of the Galaxy: Legacy

Este livro incorpora os seis primeiros capítulos desta aventura, que decorre após os eventos da saga cósmica Annihilation Conquest. Sem partilhar spoilers, posso adiantar que Gamora e Starlord pretendem redimir-se das suas ações, o que leva à formação da equipa.

A premissa principal reside na necessidade de reparar as fracturas temporais, que estão a semear a destruição em vários mundos. A base de operações permanece em Knowhere, tendo Cosmo como chefe de segurança. A equipa é liderada por Peter Quill, que conta com Adam Warlock, Drax, Gamora, Phyla-Vell, Rocket e Groot. Adicionalmente, Mantis é uma espécie de terapeuta da equipa, permanecendo ausente das missões de campo.

A disfuncionalidade da equipa é uma constante, o que condiciona a eficácia operacional. Existe igualmente um segredo que é do conhecimento de Mantis e Starlord, que irá colocar em causa a manutenção dos Guardiões da Galáxia. No que diz respeito a supostos vilões, temos a introdução de StarHawk e o regresso da Universal Church of Truth, que tem em Matriarch uma das suas figuras principais.

Numa das missões, a equipa vai encontrar Major Victory, que se encontra congelado numa cena de batalha, com o escudo do Capitão America. A sua amnésia impede a equipa de obter todos os pormenores, mas é confirmado que é proveniente do futuro, algo que será relevante para os eventos que irão ocorrer em Knowhere.

A arte de Paul Pelletier é fantástica e a narrativa criada por Dan Abnett e Andy Lanning é contagiante, resultando num leitura rápida e repleta de emoção. Estes eventos irão levar-nos a uma conspiração, que envolve os Kree e que coloca os Guardiões da Galáxia num embate direto com Gorani e Cynosure.

Tenho por hábito não partilhar spoilers, mas posso adiantar que o caminho escolhido vai levar inevitavelmente ao aparecimento de Magus. Por último, apenas destacar que nem tudo aparenta ser tão linear quanto parece, sobretudo no que diz respeito aos supostos heróis e vilões que vão sendo introduzidos.