Devil May Cry T.1

Adi Shankar é o responsável pela nova série de animação de Devil May Cry, que já se encontra disponível via Netflix. A narrativa vai introduzir a origem de Dante, um jovem caçador de demónios, cujo passado vai estar ligado a um evento apocalíptico. A ação decorre nos EUA, em que a DARKCOM (Dark Realm Command), uma organização financiada pelo vice-presidente, tenta erradicar a ameaça demoníaca, com a utilização de armas muito específicas.

Dante vê-se envolvido numa gigantesca conspiração, liderada pelo White Rabbit, que tem como objectivo desactivar a barreira que separa o mundo dos humanos do Inferno. A narrativa está muito bem conseguida e introduz de forma muito competente William Baines, Enzo Ferino e Mary Arkham. No que diz respeito a lore, existem obviamente algumas adaptações mas temos pequenos vislumbres da predileção de Dante por por pizza e sundaes de morango, assim como do seu trágico passado familiar, que será fundamental para o impasse em que terminamos esta primeira temporada.

São oito episódios repletos de ação, em que a nossa perspectiva pode alterar significativamente, em função das revelações que vão sendo introduzidas a meio da temporada. O arco de White Rabbit é fantástico, assim como a sua personagem, convertendo esta série numa experiência muito agradável e que recomendo sem hesitação. Quero igualmente destacar o privilégio de termos a voz de Kevin Conroy no elenco, naquela que terá sido um dos seus derradeiros trabalhos.

No global, há muito para destacar de forma positiva nesta série, que já tem a segunda temporada confirmada. Apesar de ser evidente qual o caminho seguido, confesso que estou curioso no que diz respeito a potenciais ambiguidades na narrativa, à semelhança do que ocorreu nesta primeira temporada.

Terminator Zero T.1

Sou um enorme fã da saga Terminator, que tem sido bastante maltratada após os primeiros dois filmes, excepção feita a The Sarah Connor Chronicles. Este projecto da Netflix tem uma premissa interessante, pelo facto de ocorrer no mesmo universo dos filmes.

A narrativa decorre em 1997, em Tóquio, seguindo os passos de Malcolm Lee, um engenheiro informático que está prestes a colocar online uma inteligência artificial, que apelida de Kokoro. O objectivo desta IA é combater a Skynet e evitar o que todos conhecemos como Judgement Day. Confesso que gostei bastante da introdução das personagens, com transições entre o passado e futuro, dando a conhecer Eiko. um membro da Resistência que tem como função deter o Terminator enviado para assassinar Malcolm, assim como proteger os seus filhos.

A Production I.G fez um excelente trabalho com a animação e a narrativa é cativante, pelo facto de ser fiel a muito do material original. O elenco conta com alguns nomes sonantes, dos quais destaco Rosario Dawson e Timothy Olyphant. No global, esta é uma abordagem interessante à saga, introduzindo novas personagens e culminando num impasse, que será certamente explorado na segunda temporada.

Parece-me relevante destacar algumas das explicações científicas relativamente ás linhas temporais e a inclusão do passado de Malcolm, que justifica o seu elevado conhecimento acerca dos Terminators e do futuro sombrio que pode destruir a Humanidade.

A animação utilizada é muito oriental, o que pode não agradar a todos, mas Terminator Zero merece a vossa atenção. Diria que tem potencial para criar uma segunda temporada memorável, que pode acrescentar valor a uma franquia que tem vindo a perder qualidade nos últimos 15 anos e que não merece cair no esquecimento.

Avatar Live Action T.1

A adaptação live-action da mítica série de animação já se encontra disponível em território nacional, através da Netflix. A minha relutância inicial dissipou-se a meio do primeiro episódio, ao constatar que o casting foi meticulosamente realizado, originando um produto final de qualidade e que é fiel ao seu material original.

O CGI consegue recriar as maravilhosas paisagens dos diversos reinos, com destaque para a Northern Water Tribe e Omashu. Para quem desconhece esta franquia, a premissa narrativa foca-se no Avatar, o único ser que é capaz de dominar os quatros elementos (Ar, Água, Terra e Fogo). Esta lógica mantém o equilíbrio entre as quatro nações, dado que o avatar vai reencarnando em tribos diferentes, a cada geração que passa. No entanto, Aang, o Avatar Airbender, fica congelado no gelo durante 100 anos, desencadeando uma série de eventos que elevam a Fire Nation para uma posição de domínio, sob a liderança do Fire Lord Ozai.

Esta primeira temporada serve de introdução para diversas personagens, com destaque para Katara e Sokka, dois jovens da Tribo de Água, que se vão converter em aliados de Aang, na sua luta para restabelecer o equilíbrio e devolver a paz a todos os reinos. Ficamos igualmente a conhecer o Principe Zuko, que tem a missão de localizar e destruir o Avatar. Lentamente, vamos obtendo informação adicional acerca das suas motivações, assim como a sua relação com o seu Tio, o General Iroh.

Sem relevar spoilers, existem arcos de redenção, que serão certamente explorados ao longos das próximas temporadas. Mas no imediato, diria que este projeto tem uma primeira temporada fabulosa, que me deixa entusiasmado para as muitas aventuras que se seguem. Destaque para o elenco, que conta com Gordon Cormier, Kiawentiio, Ian Ousley, Dallas Liu, Paul Sun-Hyung Lee, Ken Leung, e Daniel Dae Kim.

Fica a minha recomendação para uma série, que para além de ser fiel ao material original, tem a capacidade de angariar novos fãs, graças a uma narrativa forte e que assenta em personagens cativantes.