Don’t Look Up

Adam McKay é o realizador desta sátira social, que tem como pano de fundo a queda de um cometa que irá extinguir a vida em todo o Planeta. O primeiro acto introduz os dois astrónomos que identificam a ameaça, dando início a uma série de eventos que os levam para a Casa Branca.

Uma das melhores cenas ocorre precisamente nos corredores da Sala Oval, em que o General Stuart Themes cobra 10 dólares por uma garrafa de água e aperitivos que são gratuitos. Esta metáfora torna-se tópico de debate ao longo do filme, o que é simplesmente delicioso. Igualmente relevante é o retrato da sociedade, muito assente nas redes sociais e na desinformação associada a temas fracturantes como a política e o aquecimento global.

O leque de actores é soberbo, com destaque para Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Rob Morgan, Jonah Hill, Tyler Perry, Timothée Chamalet, Michael Chiklis, Cate Blanchett, Meryl _Streep e Ron Pearlman. No centro desta compilação de estrelas, há uma narrativa sólida, com algum humor e uma crítica social intensa.

A premissa de Don´t Look Up tem igualmente uma carga emocional significativa, representando a incapacidade do ser humano encarar a realidade e gravidade do rumo que estamos a dar ao nosso planeta, com o inevitável impacto para as gerações futuras.

O derradeiro acto é soberbo, com uma mensagem simples mas eficaz, em que o Dr. Randall Mindy realça que tinha tudo mas sem o ter aproveitado verdadeiramente. Confesso que este filme foi totalmente inesperado e surpreendeu-me pela positiva, sendo fácil recomendar que invistam 138 minutos neste projeto.

No final, existam duas cenas pós créditos que são verdadeiramente épicas e fazem todo o sentido face ao que ocorre ao longo da narrativa. Foi uma excelente forma de terminar o ano de 2021 e aproveito para desejar Boas Entradas a todos os visitantes do Portal Pessoal.

Bom
75%

Klaus

Jesper Johansen é um jovem mimado, proveniente de uma família abastada, que não tem qualquer interesse em cumprir com sucesso o seu treino na Academia de Carteiros. A sua vida sofre uma alteração radical quando o seu Pai exige uma mudança, sob pena de ser deserdado. O desafio é complexo e implica garantir o envio de 6000 cartas, no espaço de um ano, na remota ilha de Smeerensburg.

A tarefa aparenta ser quase impossível, sobretudo a partir do momento em que Jesper confirma a realidade da aldeia, que é habitada por dois clãs distintos, Krum e Ellingboe, que se encontram em permanente conflito há várias gerações.

Com astúcia, Jesper vai lentamente conquistar a confiança dos mais jovens, lançando o rumor que podem receber um brinquedo caso escrevam uma carta a Klaus, um madeireiro que habita uma parte remota da Ilha. A narrativa é muito focada na relação entre Jesper, Klaus e Alva, que tem uma evolução significativa e atinge o seu auge no terceiro acto. Há algum humor, sobretudo na forma como Jesper manipula os jovens e os leva a realizar boas ações, com o objetivo de serem recompensados.

Klaus é o típico filme de Natal, com uma mensagem clara e que privilegia o Bem, mas tem igualmente uma carga dramática assinalável, contando a história de origem da personagem que conhecemos como o Pai Natal.

O casting é excelente, com destaque para Jason Schwartzman, J.K.Simmons, Rashida Jones e o próprio realizador, Sergio Pablos, que dá a voz a  Olaf Krum e Pumpkin Ellingboe. Esta é uma das minhas recomendações para este Natal, sobretudo se procuram um filme que combine uma mensagem positiva com uma narrativa envolvente.

Fica no entanto o alerta para a gigantesca carga emocional no derradeiro acto, que garante a redenção da personagem principal mas que nos apresenta igualmente a realidade do que é o nosso ciclo de vida.

Termino este artigo com os votos de Festas Felizes e caso sigam este conselho, fica o desafio de partilharem o vosso feedback sobre Klaus na caixa de comentários. HoHoHo!

Bom
77%

Inside Job – Part 1

Shion Takeuchi é o criador deste projeto, que narra as aventuras da organização secreta Cognito Inc, liderada por J.R. Scheimpough. Ao longo desta primeira temporada vamos conhecer as personagens principais e as suas motivações. Os episódios são muito focados em conspirações, sempre num tom satírico, que colocam a equipa em situações de risco constante, com uma premissa constante de humor.

Regan e Rand Ridley são respectivamente filha e pai, com uma relação terrivelmente disfuncional. Rand foi dispensado da Cognito e a sua filha assume o seu lugar, em parceria com Brett Hand, um jovem “yes man” que tem uma abordagem pouco convencional na gestão da equipa, que é composta por Glenn Dolphman, um super soldado híbrido, Magic Myc, um habitante da Terra Ôca, o Dr. Andre Lee e Gigi Thompson, a responsável pelas Relações Públicas.

A agenda oculta de alguns membros vai ser revelada ao longo dos dez episódios, que tem em ROBOTUS um dos antagonistas principais. A narrativa foca-se na relação profissional de Brett e Regan, que terão de unir esforços para ultrapassar as inúmeras crises. Existem episódios hilariantes, em que vamos conhecer a Sociedade Reptiliana e a Base Lunar, entre muitos outros.

A primeira parte desta temporada termina com uma alteração no comando da Cognito Inc, que abre novas perspectivas para os derradeiros dez episódios, que deverão ser disponibilizados  no início de 2022. Se procuram entretenimento e diversão, Inside Job é uma excelente escolha, que conta igualmente um excelente casting de voz, onde se destacam Lizzy Caplan, Christian Slater e Tisha Campbell.