Red Notice

Rawson Thurber é o realizador desta comédia de ação, que narra as aventuras de John Hartley, um analista comportamental do FBI que tenta capturar o maior ladrão de arte do Mundo. Para tal conta com a colaboração do Bispo, um informador que se irá converter num dos elementos mais importantes deste filme.

Tudo começa em Itália, quando Nolan Booth furta um dos três ovos de Cleopatra, originando a primeira grande sequência de ação.  Com o auxílio de Urvashi Das, Hartley consegue capturar o ladrão, dando início a uma série de eventos que o irão colocar na prisão, como cúmplice de Booth. Ficamos a saber que o Bispo é o responsável, no sentido de eliminar a concorrência e garantir os três ovos, que lhe permitirão uma substancial soma monetária.

A partir deste momento temos ação frenética, com uma fuga de prisão épica, na zona da Sibéria e uma arriscada missão que visa furtar um ovo em Valência, que se encontra na posse de Sotto Voce, um perigoso negociante de armas. Contem com humor constante, numa narrativa que nos apresenta Gal Gadot como uma oponente imbatível, sempre um passo à frente da concorrência.

O enredo está repleto de twists, que alguns poderão considerar previsíveis mas Red Notice é sem dúvida um filme divertido e que recomendo sem hesitação. O acto final leva o nosso trio para a Argentina, num cenário que é uma clara homenagem aos filmes de Indiana Jones. Após uma magistral perseguição de carros, temos a participação de Ed Sheeran, num momento hilariante e que lança a premissa para o desfecho final, que é totalmente aberto e pode originar uma sequela.

Se são assinantes do Netflix e pretendem entretenimento para duas horas, esta é uma excelente escolha.

Bom
75%

Kate

Mary Elizabeth Winstead é uma assassina profissional a soldo. Na cidade de Osaka, elimina um membro de topo da Yakuza, iniciando uma série de eventos que irão sustentar a narrativa. Na sua derradeira missão, Kate é envenenada com doses letais de radiação Polônio-204, dando início a uma saga épica de destruição.

O objetivo passa a ser vingar-se de Kijima, o líder da organização criminosa, o que leva Kate a dizimar dezenas de membros, num estilo que faz lembrar filmes como John Wick ou mesmo Kill Bill. Pelo meio da ação frenética, é introduzida a personagem de Ani, a filha do membro da Yakuza que é assassinado por Kate e que irá ser relevante para o desfecho final desta aventura.

O argumento é previsível e não introduz elementos inovadores ao género, mas se procuram 106 minutos de ação, este é um filme que não devem perder. As coreografias de luta estão bem conseguidas e a presença de Woody Harrelson e Tadanobu Satō são uma mais valia para a (fraca) narrativa, que é sustentada pela evolução da cumplicidade entre Ani e Kate. Adicionalmente, considero genial a humanização da personagem com base na sua obsessão por uma bebida gaseificada, de nome Boom Boom Lemon.

Em conclusão, o projeto realizado por Cedric Nicolas-Troya tinha potencial mas falha nalguns pontos que convertem Kate numa experiência interessante, embora pouco memorável. No entanto, para uma tarde de Inverno, este pode ser aquele filme “guilty pleasure” que cumpre a sua função de entretenimento.

Mediano
67%

Monster Hunter: Legends of the Guild

A CAPCOM continua a produzir filmes de animação baseados nas suas franchises mais populares. Legends of the Guild é realizado por Steve Yamamoto e conta a aventura de Aiden, um jovem caçador que tenta salvar a sua aldeia de um dragão ancião.

O universo de Monster Hunter incorpora uma lógica de fantasia, ao bom estilo do jogo, que é um dos RPG mais populares da última década. Vamos conhecer Julius, Lea, Nadia e Ravi, caçadores consagrados, que por motivos distintos, carregam um fardo emocional que será partilhado ao longo  dos 58 minutos de duração desta aventura.

Não tenho qualquer ligação aos jogos, pelo que vou focar-me exclusivamente na qualidade desta adaptação. Está longe de ser brilhante e o estilo de animação é CGI, algo que não me agrada particularmente. Confesso que tenho alguma dificuldade em lidar com a ausência de sincronismo entre o audio e o movimento dos lábios das personagens, algo que tem sido recorrente nos projetos mais recentes da CAPCOM.

A narrativa é simples mas envolvente, focando-se no desenvolvimento de Aiden, que vai lentamente evoluindo na difícil missão de caçar monstros. Diria inclusivamente que este é o ponto mais alto de Legends of The Guild, que consegue replicar a experiência do jogo, mais especificamente a evolução da personagem criada.

Caso sejam subscritores de Netflix, fica a sugestão de investir uma hora do vosso tempo em Monster Hunter, que consegue proporcionar entretenimento em quantidade aceitável.