Kraven

A minha adolescência foi fortemente marcada pela banda desenhada, mais especificamente os X-Men e Homem-Aranha. Conforme já referi algumas vezes, era frequente comprar BD usada, quando passava o verão na praia da Costa da Caparica.

Esta curta introdução serve para enquadrar o meu entusiasmo por este filme, que seria a introdução do meu vilão preferido de Peter Parker. Kraven é o sexto filme da SSU (Sony’s Spider-Man Universe), que se revelou um fracasso de proporções épicas até ao momento.

O primeiro acto introduz a premissa narrativa, mostrando a forma como Sergei Kravinoff obtém os seus poderes e a sua decisão de abandonar a família, que tem uma ligação estreita ao tráfico de drogas. Apesar do seu afastamento, Sergei mantém uma ligação ao seu irmão, Dmitri, que será explorada ao longo da narrativa.

Aaron Taylor-Johnson tem uma interpretação competente, mas que se revela insuficiente para elevar este projecto a um patamar relevante. A narrativa é extremamente simples, desenvolvendo pouco as personagens e focando-se excessivamente nas cenas de acção.

Russell Crowe é uma lufada de ar fresco, mas está igualmente condicionado por uma personagem genérica, com o típico protótipo de pai russo. E o vilão, Rhino, é reduzido a uma batalha no terceiro acto, que nada acrescenta ao resultado final de um filme que se revelou uma desilusão, à semelhança de todo o SSU.

Na minha opinião, este é o filme menos fraco deste universo, mas que dificilmente merece o investimento de tempo da vossa parte. Existe uma cena final pós-créditos, que introduz uma personagem relevante para uma potencial sequela, que não irá existir.

Mediano
65%

Madame Web

O quarto filme da SSU (Sony Spider-Man Universe) traz-nos a origem de Cassie Webb, uma paramédica que após uma paragem cardíaca, começa a ter vislumbres do que aparenta ser o futuro. O primeiro acto tem início na Amazónia, numa expedição liderada por Constance, a mãe da protagonista. Ezekiel Sims, um dos membros da equipa, acaba por trair a confiança de todos, assassinando vários cientistas e fugindo com uma espécie rara de aranha, que aparenta ter propriedades curativas únicas.

A narrativa avança trinta anos, para Nova Iorque, em que acompanhamos a atribulada vida de Cassie, que tenta salvar vidas diariamente, na sua função de paramédica. Conforme referi no parágrafo anterior, os poderes de Cassie manifestam-se e, numa viagem de metros, salva um conjunto de jovens, que por motivos do destino, irão converter-se em heroínas ( três versões distintas de Spider-Woman).

Ezekiel ao longo das três útimas décadas, dominou os segredos e consequente poder da aranha, adquirindo velocidade e agilidade sobre-humana, que utiliza para efeitos criminosos. Paralelamente, tem poderes psíquicos limitados, que lhe permitem aferir que será derrotado pelas três jovens no futuro, levando-o a optar por eliminar a ameaça antes dos poderes se manifestarem.

Este projecto foi mal recebido, muito em sequência do que tem sido a qualidade da SSU. Está longe de ser um filme brilhante, mas tem ideias e conceitos interessantes, que deveriam ter sido explorados de forma mais inteligente. No que diz respeito a elenco, destaque positivo para Dakota Johnson e Adam Scott, mas que é manifestamente insuficiente no deserto narrativo que assola Madame Web.

As cenas de ação cumprem a sua função, mas são o mal menor de um filme, que, na minha opinião, falha pela ausência de uma narrativa forte e que permitisse que alguns actores brilhassem. Dito isto, considero que, no global, é uma experiência superior a Carnage e Morbius.

Mediano
62%

Morbius

O primeiro acto tem início na Grécia, em que somos apresentados a Michael Morbius, um jovem de dez anos, com uma doença rara de sangue. A sua condição é partilhada com Milo, com quem vai criar laços de amizade que perduram no tempo. A narrativa avança vinte cinco anos, para uma floresta remota na Costa Rica, em que Morbius tenta encontrar uma cura para a sua condição.

Após recusar um prémio Nobel, o nosso protagonista recebeu fundos de Milo para prosseguir com a sua pesquisa. A fórmula criada com o gene dos morcegos funciona mas transforma-o num vampiro, com necessidade de beber sangue humano de forma uma regressão aos instintos animais. Após dizimar todos os humanos presentes no laboratório, com excepção da Dra Martine Bancroft, vamos acompanhar a evolução dos seus poderes, assim como o aparecimento de um outro vampiro, que tem uma visão completamente distinta de Morbius.

As cenas de ação e o CGI cumprem a sua função, embora estejam longe de ser brilhantes. O segundo acto, na minha opinião, é a parte mais fraca da narrativa, dado que é extremamente previsível e falha em cativar o interesse do espectador.  Os agentes Simon Stroud e Al Rodriguez são personagens secundárias e que pouco acrescentam ao filme, sendo igualmente frustrante o aproveitamento narrativo da personagem do Dr. Emil Nicholas. Como é habitual, vou evitar os spoilers mas há potencial nalgumas decisões do terceiro acto, que estão em consonância com a versão dos comics.

No que diz respeito a interpretações, diria que é um filme mediano, embora Jared Leto tenha um bom desempenho no papel de Morbius. Esperava mais da personagem de Matt Smith, que representa o antagonista principal desta aventura inicial do The Living Vampire. Existem duas cenas pós-créditos, que lançam uma premissa interessante para uma  sequela, que dificilmente se converterá numa realidade. Os resultados de bilheteira foram fracos e este universo que a Sony pretende criar conta nesta fase apenas com Spider-Man, Venom e agora Morbius, o que me parece manifestamente insuficiente.

Mediano
60%