Star Trek: Beyond

Justin Lin foi escolhido para realizar Beyond, a mais recente aventura do universo Star Trek. O argumento é da autoria de Simon Pegg e Doug Jung e marca o quinquagésimo aniversário desta franchise, colocando uma fasquia elevada para o produto final.

Pessoalmente, o grande sucesso deste reboot tem sido o casting (absolutamente soberbo) e o respeito pelo legado Star Trek, algo que é muito visível neste filme, com referências a Leonard Nimoy e uma curta homenagem a George Takei, assim como à equipa original.

A química entre os actores é fantástica e eleva o patamar do filme a um nível assinalável, apesar de ter uma narrativa algo previsível. Basicamente, a tripulação da Enterprise vai responder a um pedido de resgate, sendo atacada por uma facção desconhecida, sob o comando de Krall (Idris Elba). A nave acaba por ser totalmente destruída, forçando a uma evacuação de emergência para o planeta.

Grande parte dos sobreviventes é capturado, escapando apenas Kirk, que se vai juntar na superfície a Chekov, Scotty, que vai encontrar em Jaylah uma poderosa aliada e Bones, que vai tratar dos ferimentos de Spock. Vamos acompanhar parte das aventuras deste trio (sempre com muito humor), que inevitavelmente acabam por se juntar e iniciar uma missão de salvamento.

Existem cenas de acção verdadeiramente épicas, das quais destaco o resgate com a mota e a utilização da música dos Public Enemy e Beasty Boys, tornando Beyond numa experiência bastante divertida e que merece ser destacada. Está longe de ser o melhor filme da trilogia mas tem as suas virtudes. Confesso que esperava mais do enredo, assim como do vilão, que tinha tudo para ser memorável.

No global, estamos perante um filme muito competente e que fará as delícias dos fã de Star Trek. Se possível, recomendo que o vejam na sala 4Dx, dado que melhorará substancialmente a vossa experiência.

Star Trek: Renegades

Nos últimos anos tem sido frequente o aumento de projetos financiados pelos fãs (kickstarter), não sendo surpreendente o aparecimento de Renegades. A última série de Star Trek tinha muito potencial mas ficou pelas boas intenções, o que é uma pena, tendo em conta a sua premissa original. Talvez na tentativa de preencher um pouco esse vazio surge a ideia deste episódio piloto, que tem como objetivo “vender” esta série a um canal televisivo.

O trailer já está disponível e confesso que tem alguns pontos interessantes. Essencialmente a narrativa decorre cerca de 10 anos após o regresso da USS Voyager, em que a Federação tem necessidade extrema de encontrar cristais de dilithium. Vários planetas estão isolados devido a um estranho fenómeno espaço/temporal cuja origem é desconhecida, forçando o Almirante Pavel Chekov a recorrer a uma equipa de renegados, liderados por Tuvok, em zonas fora da jurisdição da Federação.

Adicionalmente, irão encontrar um novo inimigo e esta é a informação disponível até ao momento. Será suficiente para alcançar o objetivo? É difícil de afirmar mas estou sempre disponível para ficção científica, sobretudo se for o universo Star Trek.

Star Trek: Deep Space 9

Durante a minha infância segui com assiduidade o Universo Star Trek, nomeadamente através do Canal 2 da RTP, que passava a série durante o período da tarde. Provavelmente DS9 foi o spin-off que menos atenção recebeu da minha parte, pelo que tomei a decisão de rever e avaliar as sete temporadas. Foi um processo longo, sobretudo devido aos meus afazeres pessoais e profissionais mas que valeu bem a pena. Star Trek – Deep Space 9 conta-nos a História da Estação Terok Nor, que se situa estrategicamente entre um buraco negro e o planeta Bajor, que sofre violentamente com a ocupação dos Cardassians.

Fruto de uma guerra civil sangrenta mas bem sucedida, a Estação é retomada pelos rebeldes, que voltam a assumir o controlo do planeta, expulsando o inimigo para o seu reduto. É precisamente neste ponto que a Federação é convidada a gerir DS9 (antiga Terok Nor), em conjunto com os Bajorianos, com o objectivo claro de reconstruir a sociedade e manter a paz. Benjamin Sisko é o escolhido, com a sua equipa a ser composta por humanos, bajorianos, trills e Oddo, um changeling que consegue adoptar a forma que bem entender.

As primeiras 3 temporadas são francamente boas, focando muito do enredo no desenvolvimento da relação entre a equipa e com as inevitáveis traições e planos para sabotar esta relação. De forma progressiva vamos sendo apresentados a novas raças, que visam destruir a Estação e conquistar a Galáxia. A religião é um ponto constante em toda a série, mais concretamente em relação ás profecias de Bajor e o facto do Capitão Sisko ser considerado “o emissário dos Deuses”. Temos igualmente alguns episódios completamente aleatórios (fantástico o que junta o Capitão Kirk e a Enterprise) mas memoráveis e que servem essencialmente para aligeirar a narrativa, que a partir de determinado ponto se centra na guerra Dominion/Cardassia/Bree  vs Federação/Klingons/Romulans.

A partir da quarta temporada Worf passa a fazer parte da equipa, o que marca claramente o início de uma narrativa vincada pelas relações amorosas e com destaque para a cultura Klingon. Apesar de algumas reservas iniciais, confesso que as melhores temporadas são a 4 e 5, com muita acção e um enredo repleto de incógnita e incerteza. Worf acaba por ser uma excelente adição, revitalizando a série e o meu nível de interesse. Lamentavelmente tudo tem o seu fim e DS9 acaba por não justificar uma sétima temporada, que se arrasta de forma penosa durante vários episódios, conseguindo apenas recuperar nos últimos dez, que culminam com o fim da guerra e a habitual batalha épica final.

No global, gostei do que DS9 acrescentou ao universo Trekkie. O Capitão Sisko é uma personagem diferente, que trava uma batalha interior para lidar com a questão de ser o “Emissário” mas que ao mesmo tempo consegue manter os princípios da Federação. Em termos de personagens, penso que merece destacar Jadzia Dax, Oddo, Major Kira, Quark e Dukat, embora existam vários pontos de interesse alternativos. Continuo a ter a forte convicção de que ST-TNG é a série a bater, mas DS9 consegue estar próximo de ST Voyager, o que é francamente positivo.